Autofagia e envelhecimento: resumo dos mecanismos centrais

Segundo a revisão "Autophagy in Healthy Aging and Disease", a autofagia é um sistema lisossomal de reciclagem celular responsável pela degradação de proteínas danificadas, agregados proteicos, lipídios, organelas disfuncionais e até fragmentos de DNA citoplasmático. Sua principal função é preservar a homeostase celular ao longo da vida (Aman et al., 2021).

Tipos principais

Macroautofagia

  • Formação de um autofagossomo de dupla membrana.

  • Fusão com lisossomos.

  • Degradação e reciclagem do conteúdo.

Autofagia mediada por chaperonas (CMA)

  • Proteínas específicas contendo motivo KFERQ são reconhecidas por chaperonas.

  • Transporte direto para o lisossomo através do receptor LAMP-2A.

Microautofagia

  • Invaginação direta da membrana lisossomal e captura do conteúdo citoplasmático.

Controle metabólico

A autofagia funciona como um sensor de escassez energética.

AMPK ↑ → autofagia ↑

Ativada por:

  • jejum,

  • exercício,

  • déficit energético.

Efeitos:

  • inibe mTORC1,

  • ativa ULK1,

  • inicia a formação do autofagossomo.

Autofagia seletiva

A revisão destaca que a autofagia não é apenas um mecanismo inespecífico de "limpeza".

Existem processos seletivos:

  • Mitofagia → remoção de mitocôndrias defeituosas.

  • Lipofagia → degradação de gotículas lipídicas.

  • Agrefagia → remoção de agregados proteicos.

  • Reticulofagia → reciclagem do retículo endoplasmático.

  • Nucleofagia → eliminação de componentes nucleares.

Relação com os hallmarks do envelhecimento

A autofagia interage com praticamente todos os grandes mecanismos (hallmarks) do envelhecimento:

mTORC1 ↑ → autofagia ↓

Ativado por:

  • aminoácidos,

  • insulina,

  • IGF-1,

  • excesso energético.

Efeito:

  • bloqueia o complexo ULK1 e reduz o fluxo autofágico.

O que acontece com a idade?

O envelhecimento reduz progressivamente:

  • formação de autofagossomos,

  • eficiência lisossomal,

  • expressão de genes ATG,

  • atividade da CMA,

  • fluxo autofágico total.

Consequências:

  • acúmulo de proteínas danificadas,

  • aumento de espécies reativas de oxigênio,

  • disfunção mitocondrial,

  • inflamação estéril,

  • maior risco de doenças neurodegenerativas.

Intervenções que estimulam autofagia

A revisão destaca evidências para:

  • restrição calórica,

  • jejum intermitente,

  • exercício físico,

  • dieta cetogênica,

  • inibição de mTOR (rapamicina, restrição calórica, jejum, restrição proteica, restrição de metionina e leucina, exercício aeróbico prolongado, polifenóis como resveratrol, EGCG, curcumina, quercetina),

  • ativação de AMPK (metformina em alguns contextos),

  • ativação de TFEB, principal regulador da biogênese lisossomal, com jejum, exercício de endurance, restrição calórica, cetose.

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Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/