O mio-inositol, um açúcar poliol natural comumente encontrado em cereais, feijões, nozes, carne, legumes e frutas cítricas frescas é indicado para o tratamento da síndrome dos ovários policísticos (SOP). Mio-Inositol e Chiro-Inositol são precursores de inositol, conhecidos como inositol fosfoglicanos.
O mio-inositol é um componente das membranas de todas as células vivas e pode ser produzido pelo corpo humano a partir da D-glicose. Também desempenha um papel na síntese de lipídios e ocorre em sua forma livre como componente de fosfolipídios ou como ácido fítico. É um mediador de sensibilização à insulina, que reduz os níveis de glicose no plasma, melhora a sensibilidade à insulina e a função ovulatória em mulheres jovens com SOP.
O mio-inositol é necessário tanto para a produção quanto para a ativação da PI3 Kinase, essencial para o metabolismo normal da glicose celular. Em pacientes com SOP, o Myo-Inositol restaurou a captação de glicose, semelhante ao medicamento Metformina, através de uma ativação de AMPK levando a um aumento nos níveis de GLUT-4 e captação de glicose pelas células endometriais humanas.
O benefício potencial do Myo-Inositol na melhora da sensibilidade à insulina sugere que ele pode ajudar a prevenir e tratar a SOP, facilitar a gravidez das mulheres tentantes e reduzir o risco de diabetes gestacional nas grávidas que tinham ovários policísticos.
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ATUALIZAÇÃO
Em 2026, um artigo publicado na revista The Lancet, um dos periódicos científicos mais importantes do mundo, publicou oficialmente a mudança de nomenclatura da SOP para SOMP: Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina (Polyendocrine Metabolic Ovarian Syndrome).
O artigo reforça que o termo “ovários policísticos” era limitado e muitas vezes impreciso, porque acabava reduzindo uma condição complexa a uma característica ovariana que sequer está presente em todas as pacientes.
Essa visão fragmentada contribuiu durante anos para:
➡️ atraso diagnóstico
➡️ estigmatização
➡️ cuidado fragmentado
➡️ e dificuldade de compreender a dimensão metabólica da síndrome.
A SOP/SOMP não tem relação apenas com alteração ovariana, mas com resistência insulínica, inflamação, alterações hormonais, dificuldade de emagrecimento, sintomas emocionais, comportamento alimentar, alterações metabólicas e uma complexidade clínica que exige um cuidado amplo.
Metodologicamente, o consenso foi robusto e internacional. Incluiu mais de 50 organizações, cerca de 14 mil respostas em inquéritos globais, workshops multidisciplinares, técnica Delphi modificada e análise de implementação. O processo priorizou critérios como precisão científica, redução de estigma, aplicabilidade clínica e adequação cultural.
Do ponto de vista clínico, não há mudança nos critérios diagnósticos imediatos. A mudança é terminológica e conceptual. O objetivo é reorganizar enquadramento clínico e investigação, com transição progressiva até 2028.

