Chá verde atenua disfunção cerebral gerada por dietas ricas em gordura

A demência atinge cerca de 50 milhões de pessoas em todo o mundo, com 10 milhões de novos casos anualmente. Estima-se que o número de pessoas com demência atinja 82 milhões em 2030 e 152 milhões em 2050. A principal causa para o aumento do número de casos é o envelhecimento da população. Para além do envelhecimento está a vulnerabilidade genética, o contato com toxinas e as questões alimentares. Estudos mostram que pessoas com dietas antiinflamatórias preservam a saúde como um todo e também a saúde do cérebro por mais tempo.

Uma bebida facilmente encontrada e com grande capacidade antioxidante e antiinflamatória é o chá verde. O mesmo possui compostos neuroprotetores como a cafeína e a epigalocatequina galato (EGCG) que inibem a agregação de proteína beta-amilóide no cérebro e previnem a morte de neurônios.

Além de sequestrarem radicais livres, as catequinas quelam, ou seja, unem-se a metais pesados, reduzindo o dano no sistema nervoso. Poluição, fumo e consumo de alimentos cheios de agrotóxicos, presença de obturações dentárias de amálgamas são alguns dos responsáveis pela presença de metais pesados em nosso organismo. Os polifenóis do chá verde também mantém os vasos sanguínios saudáveis, reduzindo o risco de derrame cerebral e ataque cardíaco.

Já dietas ricas em gorduras saturadas e trans, elevam o risco de diabetes tipo 2, resistência á insulina, hipertensão, obesidade e comprometimento cognitivo. O extratos de chá verde em cápsula com altaquantidade de polfenóis como o EGCG reduzem o risco de todos estes problemas. Um estudo (em camundongos) mostrou que a dieta rica em gordura aumentou a neuroinflamação mas que o extrato rico em EGCG reduz o estresse oxidativo, melhora a memória e restaura os níveis de BDNF, fator neurotrófico cerebral que regula a plasticidade sináptica e está associado ao aprendizado e à memória (Onishi et al., 2019).

Atualmente, não existem medicamentos eficazes disponíveis no mercado para prevenção ou intervenção precoce para demência. Por isto, estudos com compostos de plantas são tão importantes. Aprenda mais no curso online sobre fitoterapia.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/contato/

Efeitos adversos dos medicamentos fitoterápicos

O uso de plantas como medicamentos foi descrito na China pelo emperador Cho Chin Ken, 3.000 anos antes de Cristo. Existem referências nos papiros egípcios sobre as propriedades medicinais de aproximadamente 1.700 plantas. O Brasil é um país com enorme biodiversidade, possuindo pelo menos 60.000 variedades de plantas, o que representa 15 a 20% do total do mundo inteiro. Mesmo assim, as pesquisas na área andam a passos lentos. De todas estas plantas, apenas cerca de 1.500 estão adequadamente documentadas (Lopes et al., 2018).

A legislação do Brasil é rigorosa, tanto para a pesquisa, quanto para a comercialização de fitoterápicos. O rigor evita efeitos adversos similares aos dos medicamentos alopáticos, como reações alérgicas, dermatite, diarreia, cansaço, tontura, dor de cabeça, boca seca, fraqueza muscular, desordens do sono, vômito, sedação. Podem também causar efeitos severos como psicose, hemorragia cerebral, taquicardia, convulsões, dano hepático, nefrotoxicidade, infarto, derrame, câncer, epilepsia (Posadzki e Ernst, 2013).

Por outro lado, o rigor excessivo atrasa o desenvolvimento de novos tratamentos e mantém o país dependente de tecnologia estrangeira. Atualmente, a maior parte dos suplementos vendidos no Brasil é caro pois contém matéria-prima importada. Além disso, cada país possui uma legislação diferente e sem suplementos nacionais muitas pessoas compram no exterior ou importam suplementos sem o mesmo padrão de qualidade. Muitos estudos mostram um número bem maior de intoxicação por fitoterápicos, do que por alimentos feitos com as mesmas plantas.

Fitoterápicos são produtos que contém um conjunto de princípios ativos obtidos a partir de partes de plantas (folhas, sementes, raízes, ceras, oleos, caules). Como qualquer medicamento devem fornecer garantia de qualidade, ter efeitos terapêuticos comprovados e composição padronizada, para que possa ser prescrito em quantidades adequadas e não causem efeitos tóxicos. Os principais motivos para os fitoterápicos causarem mais reações adversas do que os alimento incluem: suplemento ou medicamento fitoterápico adulterado, misturas de plantas com efeitos aditivos, interação com medicamentos, superdosagem, uso por longo período de tempo. A severidade dos sintomas, depende da planta, da sensibilidade individual, forma, quantidade e tempo de uso.

Muitos profissionais de saúde, incluindo nutricionistas, médicos, dentistas, fisioterapeutas e veterinários dizem que prescreveriam mais fitoterápicos em suas diversas formas (extrato, óleo essencial, infusão, tintura etc) se houvessem mais pesquisas, garantia de segurança e eficácia. Esta área continuará em franco desenvolvimento nos próximos anos. Profissionais de saúde devem buscar capacitação constante e pessoas interessadas no uso devem orientar-se com aqueles habilitados para tanto.

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Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/contato/

Práticas integrativas para alívio das cólicas menstruais

A dismenorreia, mais conhecida como cólica menstrual, é uma dor uterina ocasionada pela contração uterina. Pode aparecer 48 horas antes da menstruação e persistir por até 72 horas. Dependendo da intensidade a mulher também pode ter dores nas coxas. As cólicas também podem ser acompanhadas de dores de cabeça, tontura, fadiga, diarréia e aumento do suor.

Mas você sabia que existem várias estratégias para ajudar a aliviar essa cólica? Um novo estudo mostrou que alguns fitoterápicos podem auxiliar na melhoria desses sintomas. Dentre os fitoterápicos estudados, dois são comuns e fáceis de encontrar no Brasil: o funcho (Foeniculum vulgare) e a camomila (Matricaria recutita), que podem ser adicionados na alimentação na forma de chás.

As flores de camomila contém mais de 120 compostos químicos com propriedades antiinflamatórias e anticancerígenas, como a apigenina. A indicação para melhor efeito é de uso de dois a três xícaras ao dia, sem açúcar. Para quem não gosta de chás, existem as cápsulas de extrato de camomila que podem ser prescritas por um nutricionista especialista em fitoterapia (Sharghi et al., 2019).

O funcho é fonte de anetol, composto similar à dopamina e capaz de inibir dores e suprimir as contrações induzidas por substâncias inflamatórias geradas durante o período menstrual. Para fazer o chá do funcho utilize as folhas e as sementes. Coloque uma colher de sopa em uma xícara de água fervente, tampe e deixe amornar. Após 15 minutos, coe e beba por 2 a 3 vezes ao dia, ou revezando com a camomila. Outra opção é usar o óleo essencial de funcho, o extrato em cápsula ou o xarope de funcho, que também podem ser prescritos por nutricionista especialista em fitoterapia.

Não comer muito, dando um alívio para seu sistema, jantar cedo e adotar uma dieta antiinflamatória (sem álcool e cafeína) durante todo o mês também ajuda. Assim como suplementar óleos de prímula e borragem e corrigir deficiências nutricionais, como B6 e vitamina E.

Você também pode usar os conhecimentos da aromaterapia! Faça compressas com óleo essencial de lavanda. No período pré-menstrual, misture 1 colher de sopa de óleo de girassol com 25 gotas de óleo essencial de gerânio em um recipiente e massageie a região do útero em sentido horário.

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A prática de yoga também pode aliviar as cólicas menstruais pois revitaliza os órgãos abdominais e endócrinas. Pratique durante todo o mês. Contudo, durante a menstruação evite práticas intensas, inversões e flexões para trás. Relaxe completamente em cada postura, respirando de forma lenta e profunda. Posturas com flexões para frente ajudam a aliviar as cólicas.

A fitoterapia também pode contribuir para o alívio das cólicas. Chás de gengibre, calêndula ou folhas da amoreira e suplementação de Vitex Agnus castus (20mg) ou tintura de acácia. Na medicina tradicional chinesa é frequentemente utilizado o fitoterápico Su Gan Wan que alivia as dores. Outra possibilidade é o uso do chá de alcachofra.

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Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/contato/

Práticas integrativas no tratamento da espondilite anquilosante

Doenças autoimunes são o resultado de uma combinação entre a genética e danos ambientais acumulados durante anos ou décadas (sedentarismo, estresse, tabagismo, consumo de álcool, exposição a metais pesados, agrotóxicos, dieta inflamatória e pobre em nutrientes antioxidantes).

A espondilite anquilosante é uma espondiloartrite, doença autoimune caracterizada pela inflamação da coluna, grandes articulações, dedos das mãos e pés. Pode afetar também os ossos da cabeça, tórax, ombros, quadris e joelhos. O diagnóstico se baseia nos sintomas, radiografias, exames de sangue (velocidade de hemossedimentação, proteína C-reativa, presença do gene HLA-B17), ressonância magnética e outros critérios médicos.

O tratamento envolve o uso de medicamentos antiinflamatórios, inibidores de necrose tumoral e antimetabólitos. Para o adequado controle da doença também são necessárias modificações no estilo de vida com prática regular de atividade física, dieta antiinflamatória e baseada em plantas, abstenção de fumo e álcool. Em minhas consultorias trabalho também com a suplementação de fitoterápicos, como cúrcuma, gengibre, moringa, chás (canela, equinácea), suplementação de ômega-3 e vitamina D.

Pessoas com doença auto-imune precisam também controlar o estresse já que a maior parte dos gatilhos são de ordem emocional. Por isso, sempre indico a prática de yoga e meditação.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/contato/