Compostos naturais melhoram a função mitocondrial

As mitocôndrias são organelas responsáveis por várias funções celulares cruciais, incluindo a respiração, a fosforilação oxidativa para geração de energia e a regulação da apoptose (morte celular programada). Também são a principal fonte intracelular de espécies reativas de oxigênio (ROS).

Para que mitocôndrias possam utilizar carboidratos, proteínas e lipídios precisam estar saudáveis (converso sobre o tema neste vídeo). Para tanto, compostos naturais, obtidos do reino vegetal são de interesse particular. Quercetina, resveratrol, curcumina estão entre as moléculas estudadas. Possuem alto poder antioxidante e podem ser obtidas de cebola, maçãs, alimentos roxos e do açafrão. Estes compostos também possuem papel terapêutico contra o câncer (Gibellini et al., 2015).

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Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/contato/

Toxoplasmose e excesso de dopamina

A toxoplasmose é uma infeção causada pelo parasita Toxoplasma gondii. Este parasita reproduz-se apenas no intestino de gatos. Seres humanos e outros animais infectam-se após o contato com fezes destes felino ou com alimentos que contenham ovos doToxoplasma gondii . Estima-se que entre 10 a 70% das pessoas estejam infectadas, dependendo da população estudada. O Brasil possui uma das maiores populações mundiais infectadas (aproximadamente 66,7%). Culpa dos gatos ou das carnes mal passadas (ou ambos?).

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Se uma mulher grávida for infetada, a infeção pode ser transmitida ao feto através da placenta, o que pode resultar em aborto ou na ocorrência de toxoplasmose congênita, doença que pode gerar icterícia grave, convulsões e atraso intelectual. Carnes mal passadas são grandes vilões.

Entre as pessoas infectadas após o nascimento, estima-se que até 1/4 tenham o toxoplasma no cérebro. Em pessoas saudáveis o parasita parece não causar nenhuma consequência importante. Porém, pessoas imunodeprimidas podem desenvolver esquizofrenia, desordem bipolar, depressão, problemas de memória, epilepsia e condições neurodegenerativas (Sinai et al., 2016). Estudos mostram que o Toxoplasma gondii pode alterar comportamentos em camundongos e gatos, colocando-os em maior risco de acidentes ou morte (Flegr, 2013).

Um dos problemas é que a infecção pelo Toxoplasma gondii aumenta os níveis de dopamina. A dopamina é um neurotransmissor importante, ajudando a regular memória, atenção, movimentos voluntários, humor, prazer e libido. A doença de Parkinson está associada à baixa produção de dopamina. Já a esquizofrenia está relacionada à altas quantidades de dopamina. Pelo menos 1/5 dos pacientes com esquizofrenia parece estar infectados pelo Toxoplasma gondii (Smith, 2014). O excesso de dopamina também parece ser comum em condições como déficit de atenção e hiperatividade, paranóia, halucinações, psicose, desordem bipolar.

É por isso que o tratamento envolve o uso de medicamentos que antagonizam a dopamina. Já o uso de substâncias que aumentam a dopamina agravam sintomas (cafeína, cocaína, anfetaminas, açúcar). Pessoas muito estressadas ou que dormem pouco também podem ter maiores níveis de dopamina. Já suplementos contendo plantas como Bacopa monnieri, Morus alba, 5-HTP, Magnolia officinalis e Glycyrrhiza glabra ajudam a reduzir os níveis de dopamina e tem sido estudados como alternativa para o tratamento da toxoplasmose (Sharif et al., 2016). Para mais informações consulte um nutricionista especialista em fitoterapia.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/contato/

O que são adaptógenos?

A palavra adaptógeno tornou-se comum no mundo da alimentação saudável e da fitoterapia. O termo refere-se a plantas não tóxicas que são comercializadas, como suplementos, chás ou alimentos, para ajudar o corpo a resistir a estressores de todos os tipos, sejam físicos, químicos ou biológicos. Essas ervas e raízes têm sido usadas há séculos nas tradições de cura chinesa e ayurvédica. Agora, o ocidente também passa a interessar-se por pesquisas na área.

O alívio do estresse ocorre pela inibição de vias metabólicas relacionadas ao estresse oxidativo. Com isso há melhor resposta do sistema imune inato, maiores efeitos ansiolíticos e antidepressivos e melhoria da função cognitiva (Panossian, 2017). Muitas plantas são citadas na literatura como adaptógenas (Panossian, 2013):

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No Brasil, a Rhodiola Rosea (200 a 600mg) e a Ashwagandha (300 a 1.000 mg) são duas das plantas bastante prescritas por nutricionistas da área de fitoterapia. O uso não deve ser feito por mais de 2 a 4 semanas pois podem aparecer efeitos colaterais, além de aumento do cortisol. Assim, estas plantas devem ser intercaladas entre si e ainda com outras, como gengibre (250 a 1.000 mg), Bacopa moninieri (75 a 450 mg), Curcuma longa (100 a 300 mg), alho (250 a 2.000 mg), dentre outras plantas citadas na tabela acima..

Na medicina ayurvédica um adaptógeno bastante utilizado é o Triphala, produzido a partir de uma combinação de três frutas amargas indianas com propriedades antioxidantes (amalaki, bibhitaki e haritaki). Pesquisas mostram a atividade anticancerígena do triphala, que possui alta capacidade sequestradora de radicais livres, além de modular genes, proteger telômeros e ter propriedades antienvelhecimento.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/contato/

Berberina - fitoterapia na prevenção de doenças metabólicas

A proteína AMPK é um sensor que regula o metabolismo energético no corpo. É um dos alvos das pesquisas para o tratamento de doenças metabólicas, como obesidade, diabetes, dislipidemias e câncer. Ativando-se o AMPK em células de gordura e no músculo, reduz-se o acúmulo de gordura nestes tecidos e a sensibilidade à insulina é melhorada.

Berberis Aristata

Berberis Aristata

A berberina é um alcalóide extraído de arbustos como berberis aristata (tree turmeric), European barberry, goldenseal, goldthread, Oregon grape e phellodendron. Tem sido utilizada na Medicina Tradicional Chinesa (MTC) e na Medicina Indiana (Ayurveda) há milênios para o tratamento de doenças. Hoje é estudada pela medicina moderna para o tratamento da obesidade, justamente por conseguir ativar o AMPK (Jang et al., 2017).

Existem evidências de que a berberina usada topicamente (na composição de cremes ou pomadas) ajuda a tratar úlceras em pessoas com câncer. Usada na forma de cápsulas contribui para o tratamento do diabetes, tendo uma ação e potência comparável ao medicamento Metformina (Wang et al., 2017). Na dosagem de 500 mg, tomado 2 a 3 vezes ao dia, por 3 meses, também reduz colesterol e triglicerídeos (Dong et al., 2013). A dosagem de 900 mg ao dia também parece ser eficaz no tratamento da hipertensão. Por suas propriedades anti inflamatórias a berberina também tem mostrado-se interessante no tratamento da síndrome do ovário policístico. A berberina também tem sido tradicionalmente usada para seus efeitos no intestino. É tanto anti-inflamatório como antidiarreico, especialmente quando há infecção por E.coli ou vírus da cólera.

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A berberina tem baixa toxicidade em doses habituais e revela benefícios clínicos sem grandes efeitos colaterais. Apenas reações gastrointestinais leves aparecem em alguns pacientes adultos (Imenshahidi & Hosseinzadeh, 2019). Porém, a berberina não deve ser administrada a recém nascidos e crianças pequenas, podendo causar danos ao cérebro e ao fígado, causando icterícia. O uso para gestantes e lactantes também não é recomendado. Na gestação a berberina pode atravessar a placenta, causando danos ao eto. Durante a lactação pode chegar ao bebê pelo leite materno.

A berberina também não deve ser utilizada por pacientes fazendo uso de ciclosporinas, lovastatina, claritromicina, indinavir, sildenafil (viagra), triazolam e outros medicamentos que exijam metabolismo pelo citocromo P450 4A4 (CYP3A4).

Aprenda mais sobre fitoterapia no curso online de fitoterapia, no curso de ayurveda, ou no curso de coaching.

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Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/contato/