Sobrepeso e inflamação aumentam o risco de anemia

A má nutrição é responsável por mais problemas de saúde do que qualquer outra causa. Doenças derivadas do excesso de peso e da obesidade contribuem para cerca de quatro milhões de mortes em todo o mundo, afirma Corinna Hawkes, diretora do Center for Food Policy. Além do excesso de peso, a anemia é extremamente comum tanto em pessoas que estão abaixo do peso quanto em pessoas acima do peso.

Uma grande parte do problema são as escolhas alimentares e de estilo de vida. O consumo de alimentos ultra-processados e de baixíssima qualidade nutricional é cada vez mais comum. Dentre as causas da anemia ferropriva em pessoas de baixo peso destacam-se o baixo consumo de ferro e vitamina C, as parasitoses (verminoses) e a diarreia.

Entre as pessoas com excesso de peso e obesidade as principais causas da anemia são as cirurgias de estômago e/ou intestino e a inflamação. Falo mais sobre este último aspecto nestes vídeos:

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/contato/

Suplementos de ferro e o estresse oxidativo no cérebro

O ferro é um metal fundamental para o funcionamento do corpo. Atua no processo respiratório de transporte de oxigênio e dióxido de carbono no organismo. Faz parte das enzimas que atuam no processo de respiração celular e produção de energia. Sua falta acarreta anemia, acompanhada de sintomas como dores de cabeça, cansaço, dificuldades de aprendizagem e coordenação, redução da capacidade de defesa imune.

Ou seja, ferro não pode faltar. A anemia pode ocorrer por baixo consumo de ferro, por baixa produção de hemácias ou elevada destruição. Outra causa é a espoliação ou por exames em excesso.

Por outro lado, quando em excesso, o mineral passa a desencadear reações oxidativas (de perda elétrons), aumentando a produção de radicais livres. Um desequilíbrio entre a formação de radicais livres e as enzimas que defendem o organismo dos seus danos leva à oxidação de elementos celulares fundamentais para um funcionamento normal

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A suplementação de ferro deve, portanto, ser feita apenas quando houver anemia ou risco de anemia. Além disso, a forma de ferro suplementada deve considerar a capacidade da pessoa em se defender contra um possível estresse oxidativo. Indivíduos que já possuem uma produção aumentada de radicais livres, como por exemplo, pessoas fazendo hemodiálise (Pedruzzi et al., 2015), pessoas com síndrome de Down, pessoas com disfunção mitocondrial ou Alzheimer devem repor o ferro, se necessário, em uma forma química que não contribua para aumento do estresse oxidativo.

O ferro tem sido descrito como um elemento importante na neurodegeneração. A quantidade de ferro no cérebro aumenta com o passar da idade, principalmente a partir dos 40 anos. Se houverem alterações na permeabilidade da barreira hematoencefálica a entrada de ferro no sistema nervoso central é ainda maior. 

Durante a respiração mitocondrial, o oxigênio molecular é reduzido em água pelas células, para a formação de energia, produzindo concomitantemente pequenas quantidades de radicais livres (ROS) como peróxido de hidrogênio (H2O2) e superóxido (O2•-). Estes radicais livres são importantes, fazendo parte dos mecanismos que levam à destruição de microorganismos invasores e células cancerígenas.

Por outro lado, podem ser extremamente tóxicos, danificando lipídios, proteínas, DNA e RNA celulares, levando a várias formas de lesão celular. Para que isto não aconteça as células possuem sistemas de defesa (proteínas quelantes de metais, enzimas de defesa, antioxidantes) prevenindo lesões causadas por ROS.

Um desequilíbrio entre a taxa de geração e a capacidade de remoção celular de radicais livres é o que causa o estresse oxidativo. Metais de transição, como ferro ou cobre, podem doar ou aceitar elétrons livres durante reações intracelulares, catalisando a formação de radicais livres, como na reação de Fenton.

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De todos os órgãos, o cérebro é o mais sensível ao estresse oxidativo devido às seguintes características:

  • alto consumo de oxigênio (20% de todo organismo);

  • altos níveis de ferro;

  • níveis relativamente baixos de agentes protetores antioxidantes;

  • tendência a acumular metais;

  • capacidade da micróglia (macrófagos do SNC) de secretar substâncias inflamatórias;

  • altas concentrações de neurotransmissores auto-oxidáveis (dopamina, noradrenalina) que reagem com O2 produzindo ROS;

  • presença de aminoácidos excitotóxicos (glutamato);

  • presença de enzimas que produzem H2O2 como produtos finais de suas atividades.

A neurodegeneração aumenta o acúmulo de β-amilóide (Aβ) nas placas senis e de proteína tau hiperfosforilada nos emaranhados neurofibrilares. Um mecanismo comum no desenvolvimento de processos neurodegenerativos é a alteração na forma de proteínas. O cérebro de pacientes com demência parece possuir duas vezes mais ferro (Fernandez et al., 2007). A pergunta que não quer calar é: como suplementar ferro em um paciente anêmico sem aumentar o estresse oxidativo? A resposta está no tipo de ferro suplementado. Sais ferrosos aumentam o estresse oxidativo enquanto o ferripolimaltose (ferro polimaltosado) não possui este efeito.

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Nenhum nutriente é bom ou mal. A decisão clinica sempre envolve algumas questões: para quem, quando, quanto, de que forma. Para individualização e maiores informações consulte um nutricionista capacitado.

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Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/contato/

Propriedades dos feijões

O Brasil é o maior produtor e consumidor de feijão do mundo. A variedade mais popular é o feijão carioca, presente em 70% dos domicílios. Em segundo lugar vem o feijão preto. Mas existem muitas outras variedades como branco, azuki, fradinho, jalo, moyashi, rajado, rosinha, roxinho, verde e vermelho.

Produção de feijão

Produção de feijão

As leguminosas são ricas em proteínas, fibras, cálcio, ferro, potássio e zinco. Para quem sofre com gases é muito importante deixar de molho à noite e trocar água pela manhã antes do cozimento. O remolho também diminui a quantidade de antinutrientes como fitatos e oxalatos melhorando a absorção de minerais, como zinco e magnésio. O remolho também diminui o tempo necessário para o cozimento do feijão.

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Após o remolho o cozimento do feijão na panela de pressão dura entre 8 (feijão azuki) e 25 minutos (feijão preto). 

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Por que comer feijões?

O zinco e magnésio dos feijões melhoram a imunidade e a saúde óssea. Para gestantes, o ácido fólico reduz o risco de problemas na formação do tubo neural do bebê. O feijão também é fonte de molibidênio, que tem efeito desintoxicante. As proteínas e fibras do feijão aumentam a saciedade e reduzem a compulsão alimentar, facilitando o emagrecimento. As fibras também contribuem para a menor absorção de glicose e colesterol, reduzindo o risco de diabetes e doenças cardiovasculares. Potássio e magnésio mantém a pressão arterial sobre controle e o ferro reduz o risco de anemia. 

Um estudo mostrou que idosos de diferentes países que consumiam mais leguminosas (feijões, lentilha, ervilha, grão de bico, soja) tiveram menor mortalidade durante o período do estudo (Darmadi-Blackberry et al., 2004).

Redução dos antinutrientes

Além dos feijões, vários outros alimentos contém antinutrientes. Cozinhar é uma das formas de reduzí-los. Outras formas incluem fermentação e germinação. O uso do calor, especialmente durante o cozimento em água degrada antinutrientes como lectinas, taninos e inibidores de proteases (Liu e Markakis, 1987; Gun, Markakis e Chenoweth, 1989Egbe e Akinyele, 1990Zia-Ur-rehaman e Sha, 2001). Por exemplo, a fervura de ervilhas por 80 minutos reduz inibidores de proteases em 70% e lectinas em 79% (Onwuka, 2006). 

O oxalato de cálcio é reduzido em 19 a 87% quando vegetais verde escuros são cozidos (Chai e LIebman, 2005Amalraj e Pius, 2015). Já os fitatos não são bem degradados com o cozimento. 

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/contato/

Vegetarianos sofrem mais de anemia?

Ontem foi comemorado o dia internacional do yoga e passei o dia com muita gente legal, em palestras e aulas comemorativas. Também aproveitei para provar novas receitas vegetarianas.

Muita gente pensa que a exclusão das carnes da dieta aumentaria o risco de anemia por deficiência de ferro. Contudo, vegetais folhosos, grãos integrais, leguminosas (feijão, ervilha, grão de bico, lentilha), frutas secas, nozes e sementes são também boas fontes do mineral. De fato, os estudos mostram que a carência de ferro e a anemia não é mais comum entre vegetarianos do que em relação ao resto da população.

Dietas vegetarianas balanceadas possuem ferro e também são mais ricas em fibras, magnésio, fitoquímicos e vitaminas como A, C e E. De fato, o ferro encontrado nas plantas é predominantemente o não-heme, que é menos absorvido do que o ferro heme encontrado no sangue e nos músculos dos animais. Consumir ferro em baixas quantidades não é nada bom para a saúde. Por outro lado, consumir e absorver ferro demais também não faz nada bem. Aumenta o risco de doenças cardíacas, acidente vascular cerebral (derrame) e Alzheimer, já que o mineral participa de reações de oxidação. Pesquisas mostram que cada 1 mg de ferro extra consumido o risco de doença coronária aumenta em até 27%, de diabetes tipo 2 em 16% e de câncer em até 12%.

Receita de chana dal (Grão de bico indiano)

Ingredientes:

  • 2 xícaras de grão de bico;

  • 6 xícaras de água;

  • 2 colheres de sopa de óleo de coco ou azeite de oliva;

  • 1 unidade de canela em pau;

  • 8 cravos da Índia;

  • 8 unidades de cardamomo (opcional);

  • 4 folhas de louro;

  • 2 colheres de chá de açafrão ou curry;

  • 2 colheres de chá de gengibre ralado;

  • Sal a gosto;

  • 2 unidades de pimenta fresca ou molho de pimenta (3 colheres de sopa);

  • 6 colheres de sopa de manteiga ou ghee.

Modo de Preparo:

Deixe o grão de bico de molho durante a noite. Cozinhe com óleo em fogo baixo durante aproximadamente uma hora. Quando macio adicione canela, cravo, cardamomo (as sementes de dentro), louro, cúrcuma, gengibre e sal. Cozinhe por mais 20 minutos em fogo baixo. Por fim, adicione a pimenta bem picadinha e manteiga ou ghee. Também ficará gostoso se você cozinhar com molho de tomate.

Abordo muito mais sobre estes assuntos no curso online: Alimentação vegetariana - 
aprenda como fazer a coisa certa para uma vida mais saudável e sem carências nutricionais


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Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/contato/
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