Autoimagem após 50 anos

Fiz 50 anos em janeiro. Estou envelhecendo. Vejo isso em cada vídeo que gravo. Algumas mulheres reagem com alívio a este processo — não há mais necessidade de se vestir e se maquiar para impressionar; podem relaxar e simplesmente ser elas mesmas. Outras mulheres entram em pânico e frequentemente gastam suas economias com cirurgiões plásticos, personal trainers, esteticistas, dermatologistas. Não estou em pânico, mas nem todo dia estou em paz com o espelho.

O que é imagem corporal?

A imagem corporal pode ser definida como avaliações e sentimentos que fazemos sobre nossos corpos e/ou funções corporais. Não é uma forma, um peso, uma altura. É uma cognição, uma representação interna e subjetiva ou mapa da própria aparência física, sensação, movimento e outras experiências corporais.

A imagem corporal abrange aspectos como consciência do peso; satisfação ou insatisfação com várias partes do corpo; propriocepção, consciência interoceptiva, equilíbrio e outras sensações corporais; compreensão das próprias habilidades e capacidades físicas; e ajuste às mudanças no corpo que resultam de lesões, envelhecimento ou doença.

A imagem corporal é uma parte importante do autoconceito das pessoas e, como tal, fornece uma base para nossa identidade. Ela atua como um padrão que influencia não apenas a maneira como pensamos sobre nós mesmos, mas também nossa capacidade de realizar várias atividades e as metas que definimos para o futuro.

Embora a imagem corporal não se altere de um dia para o outro, ela também não é fixa ou estática. Ela se desenvolve ao longo da vida como resultado da maturação, experiência sensorial e comportamental, aparência física, mudanças somáticas, normas sociais e culturais e reações de outras pessoas. A imagem corporal está sim relacionada à autoestima em todas as faixas etárias. Estudos mostram que quem tem mais preocupações relacionadas ao peso ou aparência possuem menor autoestima.

Pessoas com uma imagem corporal mais positiva tendem a ter maior bem-estar psicológico e serem mais propensas do que aquelas com preocupações com a imagem corporal a serem sexualmente ativas. Eu gravei o vídeo abaixo em casa, em momentos de folga, sem maquiagem, sem preocupação com roupa, postura etc. Envelhecer faz parte da experiência humana e tenho muita preocupação em não propagar conteúdos que contribuam para que as pessoas comparem-se com uma imagem idealizada, não real, camuflada.

Como faço para não pirar com o envelhecimento?

Uma grande literatura demonstra que existem relações positivas entre atividade física, autoestima e imagem corporal. Por isso, mantenho-me ativa, praticando musculação e yoga algumas vezes por semana. Não para tentar me enquadrar em um padrão, ditado pelas redes sociais. Mas para me sentir bem mesmo. No entanto, mulheres com baixa autoestima corporal frequentemente evitam atividades (por exemplo, exercícios) e situações que podem melhorar seu bem-estar.

Mas é importante lembrar que construir aptidão cardiovascular e desenvolver músculos resulta em força física, resistência e aumento de energia. A aptidão física e a força melhoradas contribuem para a independência e o bem-estar, uma vez que as mulheres descobrem que podem fazer mais para si mesmas. O autofortalecimento também reforça a autoeficácia, a crença de que alguém é capaz de fazer o que quer fazer. Esses benefícios da atividade física são importantes em qualquer idade, mas talvez ainda mais para mulheres de meia-idade e mais velhas.

A relação com o peso corporal

Somos constantemente cobradas a estarmos magras, bem vestidas, joviais. Muitas pessoas passam décadas da vida insatisfeitas com o peso. Você até pode precisar emagrecer por questões de saúde, mas não precisa passar a vida envergonhada, sem ir à praia, sem fazer coisas interessantes, constantemente com o peso, a dieta e o corpo na cabeça. No processo de envelhecimento podemos aprender a cuidar de nossos corpos e a julgá-los com menos severidade.

Podemos também extrair autoestima de realizações. Eu estou tentando constantemente aprender coisas novas, manter-me cognitivamente bem. A atividade da vez é a pintura. Ela me ajuda a relaxar, a sair das redes sociais, a pensar em uma coisa de cada vez, a não me dividir entre centenas de atividades.

Mas para você estiver muito difícil lidar com o processo tente a terapia. O ideal de beleza ocidental exige um rosto suave, macio, sem manchas, rugas, flacidez. Mas as mudanças na pele que ocorrem com o envelhecimento tornam isso cada vez mais difícil de alcançar, pois a pele do rosto e pescoço fica mais seca e flácida.

A menopausa gera também outras mudanças (como redução de massa magra e queda de cabelo) que também podem afetar a imagem corporal. A instabilidade vasomotora (por exemplo, ondas de calor, suores noturnos) pode fazer uma mulher sentir que seu corpo antes confiável está fora de controle. Também pode mudar o humor.

Como a maioria das coisas na vida, o envelhecimento não é totalmente bom nem totalmente ruim. Experiência, maturação, desenvolvimento, transições do ciclo de vida e até mesmo invisibilidade são benefícios e desafios. A meia-idade, com seu foco em encontrar equilíbrio e reorganizar prioridades, pode ser o momento perfeito para parar de lutar contra nossos corpos e aprender a apreciá-los.

Resistir ao impulso de nos alterar de maneiras inautênticas e cuidar bem e gentilmente de nós mesmos para que nossos corpos durem o suficiente para que ganhemos ainda mais sabedoria e experiência é importante. Não sou contra as cirurgias plásticas, mas vejo muita gente se endividando, tentando seguir o padrão da indústria do cinema. Nossa renda não é a mesma das atrizes e lá na frente, o dinheiro gasto com tratamentos estéticos pode fazer bastante falta. Além disso, mudar a aparência não significa necessariamente uma vida melhor ou mais feliz. Isso é especialmente importante para os que tem Transtornos Dismórfico corporal.

Tente não se ver unidimensionalmente. Somos pessoas inteiras – com mente, emoções, espírito e alma. A melhoria da autoimagem não vem necessariamente através do aperfeiçoamento da imagem, mas através da mudança da sua perspectiva.

O tempo passa pra todo mundo

Mas como ele vai te encontrar depende do cuidado que você tem com você hoje. Cuidar do corpo vai muito além da estética. É sobre criar um lugar saudável e acolhedor pra viver — agora e no futuro.

Mexer o corpo todos os dias, mesmo que seja só uma caminhada leve e uma prática de yoga no meio da sala. Escolher alimentos que nutrem de verdade. Beber água com frequência, respeitar seus limites… mas também se permitir evoluir. Essas pequenas atitudes são como tijolinhos que constroem sua autonomia.

Porque, na velhice, o que mais importa não é ter um corpo jovem. Eu escolhi a terapia, a pintura, as caminhadas com o cachorro e as aulas de yoga para envelhecer com um corpo e mente que me permitam uma vida com dignidade e presença. Vem praticar yoga comigo: www.andreiatorres.com/yoga

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

Menopausa e Saúde Mental: O Papel da Alimentação no Equilíbrio Emocional e Hormonal

A menopausa é um dos períodos de maior transformação na vida da mulher. Mais do que o fim do ciclo reprodutivo, ela representa uma mudança profunda no funcionamento hormonal — o que pode afetar não só o corpo, mas também as emoções, a autoestima, o sono e a saúde mental.

E, sim, a alimentação pode ser uma grande aliada nesse processo. A nutrição adequada ajuda a modular sintomas como ansiedade, irritabilidade, insônia e depressão, além de proteger o coração, os ossos e o metabolismo.

Menopausa e emoções: o que está por trás das mudanças?

Com a queda dos níveis de estrogênio e progesterona, é comum surgirem sintomas como:

  • Tristeza inexplicável

  • Labilidade emocional (variações de humor intensas)

  • Fadiga mental

  • Ansiedade e insônia

  • Baixa libido

Esses efeitos não são apenas “psicológicos” — eles têm base hormonal e bioquímica. E a forma como você se alimenta pode influenciar diretamente essa resposta do organismo.

Estudos mostram que as mulheres com mais sintomas vasomotores (ondas de calor e sudorese noturna) também tem mais alterações cognitivas, como dificuldade de memória e concentração e emocionais (como alterações de humor e ansiedade). Isto porque alterações vasomotoras também relacionam-se a mais microlesões cerebrais, mostradas em estudos de ressonância.

Nutrição como terapia complementar

A abordagem nutricional para menopausa e saúde emocional deve incluir:

✔️ Alimentos fitoestrogênicos naturais (como linhaça, tofu e grão-de-bico)
✔️ Nutrientes que favorecem a produção de serotonina e GABA (magnésio, triptofano, vitaminas B)
✔️ Proteínas de alto valor biológico para manter a massa magra e o metabolismo
✔️ Alimentos anti-inflamatórios que reduzem ondas de calor e protegem o cérebro
✔️ Suplementação estratégica (quando necessário), baseada em exames e sintomas

Sintomas emocionais não são “frescura”

A depressão na menopausa é real. O aumento da vulnerabilidade emocional nesse período exige cuidados multidisciplinares. A nutrição, nesse contexto, não substitui seu tratamento psicológico ou psiquiátrico, mas o potencializa — de forma natural, segura e eficaz.

Por que trabalhar comigo?

Sou nutricionista clínica com formações em Nutrição Funcional, Psiquiatria Nutricional e Fitoterapia. Tenho mais de 20 anos de experiência no acompanhamento de mulheres em todas as fases da vida, incluindo perimenopausa, menopausa e climatério. Fiz meu doutorado em parceria entre UnB/Faculdade de Saúde Pública de Harvard.

Ofereço atendimentos online com total confidencialidade e foco no cuidado integral. Se você está passando por esse período de transição e busca um plano alimentar que respeite seu corpo e sua mente, marque aqui sua consulta de nutrição.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

Suporte à Saúde Durante a Menopausa com Fitonutrientes

A mulher é diagnosticada como menopausada quando não tem menstruação há 12 meses consecutivos, devido à falência ovariana. A maior parte das mulheres entra na menopausa entre os 52 e 55 anos. Mas entre 8 e 10 anos antes da menopausa (ou seja, a partir dos 42 anos) os ciclos menstruais já podem ser mais irregulares e imprevisíveis. Com isso, surgem sintomas e é aqui que precisamos já atuar para melhorar a qualidade de vida e prevenir doenças futuras.

Na perimenopausa, também chamada de transição menopausal, muitas mulheres sentem que a TPM está agravada, que o sono não é tão reparador, que a irritabilidade é maior, que os valores de glicose na corrente sanguínea aumentam e, com isso, o acúmulo de gordura abdominal. A microbiota vaginal também pode mudar, assim como a libido.

Contudo, um estilo de vida saudável contribui para menos sintomas, melhor saúde metabólica e também mental. Atividade física, alimentação low carb e antiinflamatória, momentos de descanso e uso de ervas podem ajudar bastante. Dentre os fitoterápicos mais estudados estão:

Trifolium pratense (Trevo Vermelho)

Extratos de isoflavona de trevo vermelho podem contribuir para o alívio dos sintomas da menopausa, como ondas de calor. Alguns estudos também sugerem benefícios limitados para a saúde óssea e a função cardiovascular.

Salvia officinalis (Sálvia)

A sálvia foi identificada como eficaz no tratamento dos sintomas agudos da menopausa, particularmente ondas de calor. Ela atua por meio de vários mecanismos, embora estudos específicos detalhando seus efeitos durante a menopausa não tenham sido destacados nos resultados fornecidos.

Rhodiola rosea

A Rhodiola rosea é proposta como um potencial modulador seletivo do receptor de estrogênio (SERM) que pode ajudar a mitigar problemas relacionados à menopausa, como fadiga, alterações de humor e declínio cognitivo. Possui propriedades neuroprotetoras e cardioprotetoras, que podem ser benéficas durante a menopausa. Ativa vias de sinalização intracelular e possui efeitos anti-inflamatórios, o que pode neutralizar alguns dos impactos negativos da perda de estrogênio.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/