Deficiencia de adenosicobalamina

A adenosilcobalamina é uma das formas ativas da vitamina B12, sendo essencial para vários processos metabólicos no corpo, especialmente para o metabolismo dos ácidos graxos e dos aminoácidos. Ela está envolvida principalmente nas reações que ocorrem dentro das mitocôndrias, as usinas de energia das células. A adenosilcobalamina atua como uma coenzima em enzimas essenciais para a produção de energia celular, como a metilmalonil-CoA mutase, que é crucial para o metabolismo dos ácidos graxos e a conversão de metilmalonato em succinato.

O que acontece na deficiência de adenosilcobalamina?

A deficiência de adenosilcobalamina pode ocorrer por várias razões, mas geralmente é consequência de deficiência de vitamina B12 como um todo. Quando a adenosilcobalamina não está disponível, as reações celulares que dependem dela ficam prejudicadas, o que leva a uma série de efeitos adversos no corpo. Isso pode afetar principalmente o sistema nervoso, o metabolismo e a produção de energia.

Causas da Deficiência de Adenosilcobalamina:

A deficiência de adenosilcobalamina pode ser um reflexo da falta de vitamina B12 em geral, que pode ser causada por:

- Absorção inadequada de vitamina B12: Como ocorre em condições como anemia perniciosa (onde há deficiência do fator intrínseco), doenças intestinais (como Doença Celíaca ou Doença de Crohn), ou após cirurgias bariátricas que afetam a absorção de nutrientes.

- Dieta inadequada: Pessoas que seguem dietas vegetarianas ou veganas rigorosas sem suplementação de B12 estão em risco de deficiência, uma vez que a vitamina B12 é encontrada principalmente em alimentos de origem animal.

- Distúrbios genéticos: Algumas condições genéticas raras afetam a capacidade do corpo de converter a vitamina B12 em suas formas ativas, como a adenosilcobalamina. Um exemplo é a deficiência de metilmalonil-CoA mutase, uma enzima que depende diretamente de adenosilcobalamina.

- Uso prolongado de medicamentos: Medicamentos como inibidores da bomba de prótons (IBPs), metformina ou antibióticos de largo espectro podem interferir na absorção de B12. Neste caso, suplementar a vitamina B12 sublingual.

Sintomas da Deficiência de Adenosilcobalamina:

A deficiência de adenosilcobalamina pode afetar diversas funções no corpo, especialmente no metabolismo energético e funcionamento do sistema nervoso. Os sintomas incluem:

1. Problemas neurológicos:

- Neuropatia periférica: Dormência, formigamento, ou dor nos membros (mãos e pés), devido à falha na função nervosa.

- Perda de coordenação motora: Dificuldades em andar ou manter o equilíbrio.

- Declínio cognitivo: Problemas de memória e dificuldades cognitivas, incluindo demência, se a deficiência não for tratada.

- Fadiga: Cansaço excessivo devido à falta de produção de energia nas células.

2. Distúrbios metabólicos:

- Acúmulo de metilmalonato: A deficiência de adenosilcobalamina leva ao acúmulo de ácido metilmalônico (MMA), uma substância que normalmente é convertida em succinato, um intermediário no ciclo de Krebs (produção de energia). O aumento dos níveis de MMA no sangue e na urina é um marcador importante de deficiência de vitamina B12 e pode contribuir para a toxicidade celular.

- Problemas no metabolismo de ácidos graxos: A adenosilcobalamina é essencial para o metabolismo de ácidos graxos de cadeia ramificada e, sem ela, os ácidos graxos podem não ser metabolizados corretamente, levando a distúrbios metabólicos.

3. Anemia:

- Embora a deficiência de adenosilcobalamina afete mais diretamente o metabolismo energético e o sistema nervoso, a deficiência de vitamina B12 também pode levar a anemia megaloblástica, onde os glóbulos vermelhos não se formam adequadamente, resultando em cansaço e fraqueza.

Diagnóstico:

A deficiência de adenosilcobalamina é diagnosticada por exames que avaliam os níveis de vitamina B12, ácido metilmalônico (MMA) e homocisteína. O aumento dos níveis de MMA e homocisteína no sangue ou na urina é um indicativo forte de deficiência de vitamina B12.

- Níveis elevados de MMA: A adenosilcobalamina é necessária para converter MMA em succinato, e sem ela, o MMA se acumula.

- Exame de vitamina B12 no sangue: Embora os níveis totais de vitamina B12 possam ser normais em alguns casos, a medição de MMA e homocisteína ajuda a confirmar a deficiência funcional de B12.

Tratamento:

O tratamento da deficiência de adenosilcobalamina geralmente envolve a reposição de vitamina B12 por meio de suplementos orais ou injeções. O tratamento pode ser feito de forma intramuscular, especialmente se a deficiência for grave ou devido a problemas de absorção. Em alguns casos, se a deficiência for detectada precocemente, pode ser suficiente um suplemento oral de vitamina B12.

- Injeções de vitamina B12: Em casos de deficiência grave ou em pessoas com problemas de absorção, a administração de vitamina B12 por via intramuscular pode ser necessária.

- Suplementação oral ou sublingual: Em casos de deficiências leves ou dietas inadequadas, a suplementação oral pode ser eficaz.

Abdelwahab et al., 2024

Com o tratamento adequado, muitos dos efeitos da deficiência de adenosilcobalamina podem ser revertidos, especialmente se detectados precocemente. No entanto, danos neurológicos graves podem ser irreversíveis se a deficiência for deixada sem tratamento por um longo período.

A deficiência de adenosilcobalamina pode ter um impacto significativo na função metabólica e neurológica do corpo, uma vez que a adenosilcobalamina é essencial para processos chave, como o metabolismo de ácidos graxos e a produção de energia nas células. O diagnóstico precoce e a reposição adequada de vitamina B12 podem corrigir muitos dos efeitos adversos dessa deficiência. Precisa de ajuda? Marque aqui sua consulta de nutrição online.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

Suplementos que inibem MAOB

A monoamina oxidase B (MAO-B) é uma enzima mitocondrial que degrada neurotransmissores como dopamina, feniletilamina e tiramina. Sua inibição pode ser benéfica no tratamento de doenças neurodegenerativas, como o Parkinson e o Alzheimer, pois aumenta os níveis de dopamina no cérebro.

Medicamentos inibidores da monoamina oxidase (IMAO) são usados no tratamento da depressão e de outros distúrbios neurológicos. Contudo, évidências sugerem que pacientes com depressão atípica respondem preferencialmente a IMAOs de produtos naturais (Chaurasiya et al, 2022).

Inibidores Naturais de MAO-B e Seus Mecanismos

Os compostos naturais inibem a MAO-B por diferentes mecanismos:

  • Inibição competitiva: Ligam-se ao sítio ativo da enzima, impedindo a degradação de dopamina.

  • Modulação alostérica: Alteram a estrutura da MAO-B, reduzindo sua atividade.

  • Ação antioxidante: Protegem os neurotransmissores da degradação oxidativa indireta.

1. Inibição Competitiva (Ligam-se diretamente ao sítio ativo da MAO-B, impedindo sua ação)

  • Huperzina A (derivada de Huperzia serrata) → Além de inibir a acetilcolinesterase, pode modular a MAO-B.

  • Harmalina e Harmina (Peganum harmala, Ayahuasca) → Alcaloides betacarbolinas com forte ação inibitória sobre MAO-B.

  • Epigalocatequina-galato (EGCG) (Chá verde) → Atua diretamente no sítio catalítico da MAO-B.

2. Modulação Alostérica (Alteram a estrutura da MAO-B, reduzindo sua atividade)

  • Curcumina (Cúrcuma) → Se liga a regiões específicas da MAO-B, modificando sua conformação.

  • Resveratrol (Vinho tinto, uvas) → Modula a atividade enzimática e protege os neurônios contra o estresse oxidativo.

  • Ácidos graxos Ômega-3 (Óleo de peixe, linhaça) → Alteram a fluidez da membrana mitocondrial, influenciando a MAO-B.

  • Rhodiola rosea → Contém rosavinas e salidrosídeos, que podem modular a MAO-B e aumentar a dopamina de forma indireta. Sua ação pode ser tanto moduladora alostérica quanto antioxidante.

3. Ação Antioxidante Indireta (Reduzem a degradação de neurotransmissores por combater o estresse oxidativo)

  • Vitamina C (Ácido Ascórbico) → Neutraliza radicais livres que podem aumentar a atividade da MAO-B.

  • Coenzima Q10 → Melhora a função mitocondrial e reduz a oxidação de dopamina.

  • Astaxantina → Carotenoide potente que protege contra neuroinflamação e inibe a MAO-B de forma indireta.

  • Bacopa monnieri → Contém bacosídeos, que atuam como antioxidantes e reduzem o estresse oxidativo na mitocôndria, indiretamente inibindo a MAO-B.

4. Compostos Sulfurados (Atuam reduzindo a expressão da MAO-B e o estresse oxidativo)

  • Extrato de Alho (Alil-isotiocianato) → Contém compostos sulfurados que regulam a MAO-B.

  • Sulforafano (Brócolis, Couve-flor) → Induz enzimas antioxidantes que podem modular a atividade da MAO-B.

Esses suplementos podem ser usados para modular a MAO-B e proteger contra doenças neurodegenerativas. Aprenda mais em https://t21.video

Chaurasiya ND, Leon F, Muhammad I, Tekwani BL. Natural Products Inhibitors of Monoamine Oxidases-Potential New Drug Leads for Neuroprotection, Neurological Disorders, and Neuroblastoma. Molecules. 2022 Jul 4;27(13):4297. doi: 10.3390/molecules27134297. PMID: 35807542; PMCID: PMC9268457.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

A ferroptose na esclerose lateral amiotrófica

A ferroptose é um tipo de morte celular programada que está associada ao acúmulo de ferro intracelular e à peroxidação lipídica, levando ao colapso da integridade celular. Na esclerose lateral amiotrófica (ELA), que é uma doença neurodegenerativa progressiva, a ferroptose tem sido implicada como um mecanismo potencial envolvido na morte dos neurônios motores.

A esclerose lateral amiotrófica (ELA) é causada pela degeneração seletiva dos neurônios motores no cérebro e na medula espinhal; no entanto, a(s) via(s) primária(s) de morte celular que medeiam a morte do neurônio motor permanecem indefinidas.

Um estudo confirmou que a ferroptose, uma forma de morte celular regulada pelo ferro, é uma das mediadoras na ELA. A depleção de glutationa peroxidase 4 (GPX4), uma enzima antioxidante e repressora central da ferroptose é vista na medula espinhal post-mortem de pacientes com ELA esporádica e familiar.

A depleção de GPX4 também foi uma característica precoce e universal da medula espinhal e cérebros da superóxido dismutase mutase mutante transgênica 1 (SOD1G93A) em modelos de camundongos TDP-43 e C9orf72 de ALS. Quando há superexpressão de GPX4 a doença é retardada e, em camundongos, a função locomotora melhora. Isso é atribuído à redução da peroxidação lipídica atenuada e à preservação do neurônio motor (Wang et al., 2021).

Entendendo melhor

O ferro em excesso está envolvido em reações que aumentam o estresse oxidativo, a inflamação e a peroxidação lipídica.

1) Desequilíbrio no metabolismo do ferro: Estudos em modelos de ELA e pacientes mostraram alterações no metabolismo do ferro, incluindo:

  • Aumento nos níveis de ferro nos neurônios motores.

  • Redução das proteínas que regulam o transporte de ferro, como a ferritina e a transferrina.

  • Depósitos anormais de ferro em áreas afetadas, como o córtex motor e a medula espinhal.

2) Estresse oxidativo: O estresse oxidativo é um dos principais fatores envolvidos na patogênese da ELA. O ferro, ao participar de reações de Fenton, pode gerar radicais livres altamente reativos que promovem danos às biomoléculas, como lipídios, proteínas e DNA.

3) Peroxidação lipídica: O acúmulo de lipídios peroxidáveis, juntamente com o ferro, é um fator-chave na ferroptose. Na ELA, há evidências de aumento na peroxidação lipídica, exacerbando o dano neuronal.

4) Genes e proteínas envolvidos:

  • A proteína SOD1, frequentemente mutada em casos familiares de ELA, está associada ao aumento do estresse oxidativo, facilitando a ferroptose.

  • Genes como GPX4 (glutationa peroxidase 4), que protegem contra a peroxidação lipídica, podem ser desregulados na ELA, favorecendo a ferroptose.

Implicações Terapêuticas

A identificação da ferroptose como mecanismo relevante na ELA abre possibilidades para intervenções terapêuticas, como:

  • Quelantes de ferro: Reduzem o acúmulo de ferro intracelular e, consequentemente, a geração de radicais livres. Ácido málico (de maçãs, uva, cerejas), ácido fítico (de nozes, leguminosas), polifenóis (do chá verde, café, cacau, frutas vermelhas, uvas), curcumina (açafrão da terra), clorofila (de espirulina e chlorella), quercetina (cebola, casca da maçã) e alimentos ricos em fibras ajudam a quelar naturalmente o ferro.

  • Antioxidantes lipídicos: Compostos como vitamina E, vitamina A, carotenoides, coenzima Q10, polifenóis, NAC, ácido alfa lipóico, selênio, resveratrol, além de experimentos com ferrostatinas (ainda não disponíveis para uso humano) podem prevenir a peroxidação lipídica.

  • Modulação de GPX4: O fortalecimento da atividade da GPX4 pode inibir a ferroptose, protegendo os neurônios motores. Suplementação com glutationa e dieta rica em enxofre (brócolis, couve, alho) para aumentar a síntese de glutationa são indicadas. Estuda-se também a regulação epigenética do gene com compostos que inibem HDAC ou moduladores de microRNAs específicos para aumentar a expressão do GPX4.

Pesquisas Atuais

Estudos continuam investigando os mecanismos específicos da ferroptose na ELA, incluindo como o ferro se acumula nos neurônios motores e como intervenções podem retardar a progressão da doença. Além disso, modelos pré-clínicos têm testado agentes que bloqueiam a ferroptose como potenciais terapias.

Outra estratégia é o uso da dieta cetogênica para aumento de beta hidroxibutirato (BHB). O BHB inibe HDAC. Esta inibição ajuda a deter inflamação, estresse oxidativo, apoptose neuronal, além de aumentar enxzimas antioxidantes.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/