Epigenética como uma ligação entre fatores ambientais e o risco de demência

A epigenética desempenha um papel crucial na compreensão de como os fatores ambientais podem influenciar o risco de demência. Diferente das mutações genéticas, que alteram a sequência do DNA, as mudanças epigenéticas envolvem modificações na expressão dos genes, como a metilação do DNA e a modificação das histonas, sem alterar o código genético subjacente.

Fatores ambientais como dieta, poluição, atividade física e estresse podem desencadear essas mudanças epigenéticas, potencialmente aumentando ou diminuindo o risco de desenvolver demência. Por exemplo, uma dieta saudável e o exercício regular podem promover modificações epigenéticas protetoras, enquanto o estresse crônico ou a exposição a toxinas podem levar a mudanças prejudiciais que aumentam o risco de demência.

Ao estudar a epigenética, os pesquisadores estão obtendo insights sobre como as escolhas de estilo de vida e as exposições ambientais influenciam a saúde cerebral, oferecendo novas possibilidades para intervenções precoces e estratégias de tratamento personalizadas na prevenção da demência.

A relação entre nutrição e demência é um campo de crescente interesse na pesquisa, pois a alimentação pode influenciar significativamente o risco de desenvolver doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer e outras formas de demência. Aqui estão os aspectos mais importantes que conectam a nutrição ao risco de demência:

1. Dieta Mediterrânea e Proteção Cerebral

A dieta mediterrânea, rica em frutas, vegetais, grãos integrais, peixes, azeite de oliva e nozes, tem sido associada a um menor risco de demência. Esses alimentos contêm antioxidantes, ácidos graxos essenciais (como o ômega-3) e anti-inflamatórios que podem proteger as células cerebrais contra o dano oxidativo e a inflamação, fatores cruciais no desenvolvimento de demência.

2. Ácidos Graxos Ômega-3

O consumo de ômega-3, encontrado em peixes gordurosos como salmão e sardinha, é fundamental para a saúde cerebral. Estudos sugerem que esses ácidos graxos podem ajudar a reduzir a inflamação no cérebro e melhorar a função cognitiva, além de reduzir o risco de demência. Eles são essenciais para a formação de membranas celulares no cérebro e podem desempenhar um papel na prevenção do declínio cognitivo.

3. Antioxidantes e Neuroproteção

Alimentos ricos em antioxidantes, como frutas vermelhas, vegetais verde-escuros e cacau, ajudam a combater o estresse oxidativo, um fator importante no envelhecimento cerebral e na progressão da demência. O estresse oxidativo danifica as células cerebrais e está associado ao desenvolvimento de doenças neurodegenerativas. Vitaminas como a C e a E desempenham papéis importantes na proteção das células do cérebro.

4. Vitamina B e Saúde Cognitiva

As vitaminas do complexo B, especialmente B6, B12 e ácido fólico, são essenciais para a função cerebral. Elas ajudam na produção de neurotransmissores e na manutenção da saúde das células nervosas. Deficiências de vitamina B podem levar a problemas cognitivos e aumentar o risco de demência. A suplementação de vitamina B12, por exemplo, pode ser útil em idosos com baixos níveis dessa vitamina.

5. Alimentos com Baixo Índice Glicêmico

Dietas com baixo índice glicêmico (como as que evitam carboidratos refinados) podem ser benéficas para a saúde cerebral. Altos níveis de glicose no sangue e a resistência à insulina estão associados a um risco maior de doenças como Alzheimer, que é às vezes chamada de "tipo 3 diabetes". A ingestão de alimentos com baixo índice glicêmico ajuda a controlar os níveis de açúcar no sangue, o que pode proteger o cérebro contra o declínio cognitivo.

6. Inflamação e Saúde Cerebral

A inflamação crônica tem sido implicada no desenvolvimento da demência. Alimentos com propriedades anti-inflamatórias, como azeite de oliva, cúrcuma e gengibre, podem ajudar a reduzir a inflamação no cérebro e proteger as células nervosas. A dieta ocidental, rica em alimentos processados e açúcares, pode promover inflamação e aumentar o risco de doenças neurodegenerativas.

7. Hidratação Adequada

A hidratação adequada também desempenha um papel importante na função cognitiva. A desidratação pode afetar negativamente o desempenho mental, causar confusão e prejudicar a memória. Beber líquidos adequados, como água e chá verde, pode ajudar a manter a função cerebral.

8. Prevenção de Deficiências Nutricionais

Deficiências nutricionais podem acelerar o declínio cognitivo. A falta de nutrientes essenciais, como a vitamina D, pode estar relacionada a um risco maior de demência. A vitamina D ajuda a manter a saúde do cérebro e regula processos que afetam a memória e a função cognitiva.

9. Dieta Anti-inflamatória

Uma dieta focada em reduzir a inflamação geral do corpo pode ser crucial para a prevenção de doenças como a demência. Isso inclui a ingestão de alimentos com ácidos graxos ômega-3, antioxidantes e alimentos ricos em fibras, ao mesmo tempo em que se evita alimentos processados, açúcares refinados e gorduras saturadas.

10. Controle do Peso e Metabolismo

Manter um peso saudável e evitar a obesidade é fundamental para reduzir o risco de demência. A obesidade está associada ao aumento da inflamação e ao risco de diabetes tipo 2, que, por sua vez, pode elevar as chances de desenvolvimento de doenças neurodegenerativas.

Uma alimentação balanceada e rica em nutrientes essenciais pode ter um impacto significativo na saúde cerebral e na prevenção da demência. Dietas anti-inflamatórias, ricas em antioxidantes, ácidos graxos essenciais e vitaminas, são fundamentais para proteger o cérebro e reduzir os riscos associados ao envelhecimento cognitivo. Além disso, a adesão a um estilo de vida saudável, que inclua uma boa alimentação, exercício físico e controle de fatores de risco, pode ser crucial para manter a saúde mental ao longo do tempo.
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Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

Suplemento que aumenta IGF-1 no Parkinson

O IGF-1 (Fator de Crescimento Insulínico Tipo 1) tem sido objeto de estudo no contexto da doença de Parkinson, uma condição neurodegenerativa caracterizada pela perda progressiva de neurônios dopaminérgicos na substância negra do cérebro (Castilla-Cortázar et al., 2020).

Papel do IGF-1 no Sistema Nervoso

  • O IGF-1 desempenha um papel neuroprotetor e neurotrófico. Ele ajuda na sobrevivência e regeneração de neurônios, reduzindo a apoptose (morte celular programada).

  • Também pode promover a plasticidade sináptica, importante para o funcionamento e adaptação do sistema nervoso.

IGF-1 e Doença de Parkinson

Estudos indicam que pessoas com Parkinson tendem a apresentar níveis reduzidos de IGF-1 no sangue e no líquido cefalorraquidiano, o que pode contribuir para a progressão da doença.

Ensaios pré-clínicos em modelos animais de Parkinson sugerem que o IGF-1 pode proteger os neurônios dopaminérgicos da degeneração e melhorar a função motora. Isso é atribuído à sua capacidade de:

  • Diminuir inflamações no sistema nervoso.

  • Reduzir o acúmulo de alfa-sinucleína, uma proteína associada à neurodegeneração no Parkinson.

  • Melhorar a função mitocondrial, essencial para a saúde dos neurônios.

3. Terapias Envolvendo IGF-1

  • Pesquisas estão investigando a administração de IGF-1 ou análogos como terapias potenciais para retardar ou mitigar os sintomas do Parkinson.

  • No entanto, o uso clínico direto de IGF-1 enfrenta desafios, como:

    • Dificuldade em atravessar a barreira hematoencefálica.

    • Potenciais efeitos colaterais, incluindo riscos metabólicos.

Alternativas naturais para aumento de IGF-1

  • Exercícios físicos aeróbicos têm sido apontados como um método natural para aumentar os níveis de IGF-1 no cérebro, o que pode oferecer benefícios neuroprotetores para pacientes com Parkinson .

  • Extrato de groselha negra: este suplemento rico em antocianinas aumenta IGF-1 em pacientes com Parkinson (Fan et al., 2018). Marque sua consulta de nutrição para conversarmos sobre todas as estratégias possíveis.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

Tratamento do tremor essencial é diferente do Parkinson

O Parkinson e o tremor essencial são condições distintas que podem causar tremores, mas têm causas, sintomas e abordagens terapêuticas diferentes.

1. Diferenças entre Parkinson e Tremor Essencial

Doença de Parkinson

- Causa: Ocorre devido à degeneração de neurônios na substância negra do cérebro, levando à diminuição da dopamina, neurotransmissor essencial para o controle motor.

- Sintomas: Além do tremor (geralmente em repouso), inclui rigidez muscular, bradicinesia (lentidão de movimentos), alterações na postura e equilíbrio, entre outros. Também podem ocorrer sintomas não-motores, como depressão, distúrbios do sono e problemas cognitivos.

- Tremor: Tende a ocorrer em repouso e diminui com o movimento. É comum nos membros superiores e, muitas vezes, é unilateral no início.

- Progressão: É uma doença neurodegenerativa progressiva, ou seja, os sintomas geralmente pioram com o tempo.

Tremor Essencial

- Causa: A causa exata é desconhecida, mas é considerada uma condição hereditária e não está associada à degeneração de células cerebrais como no Parkinson.

- Sintomas: O principal sintoma é o tremor de ação ou postural, que aparece quando a pessoa realiza um movimento (como segurar um objeto ou escrever) ou mantém uma postura fixa. Não há rigidez muscular nem outros sintomas motores característicos do Parkinson.

- Tremor: O tremor essencial ocorre principalmente em ação (quando a pessoa está ativa) e tende a ser bilateral, afetando ambas as mãos. Também pode afetar a cabeça e a voz.

- Progressão: Geralmente, é uma condição estável e de progressão mais lenta. Não leva à degeneração neurológica.

2. Tratamento Convencional

Parkinson

- Medicamentos: A reposição de dopamina com levodopa é o tratamento principal, geralmente associada a outros medicamentos como agonistas dopaminérgicos (pramipexol, ropinirol, rotigotina) e inibidores da MAO-B (selegilina).

- Cirurgia: Em casos mais avançados, a estimulação cerebral profunda (DBS) pode ser indicada para melhorar o controle motor.

- Fisioterapia: Essencial para melhorar a mobilidade e a postura.

- Suplementos: L-tirosina, coenzima Q10, Mucuna pruriens (L-DOPA natural), vitamina D, magnésio, curcumina, ômega-3, vitaminas B6, B9, B12. Para individualização, marque sua consulta de nutrição.

Tremor Essencial

- Medicamentos: Betabloqueadores (como o propranolol) e anticonvulsivantes (como o primidona) são usados para reduzir o tremor. Outras drogas gabaérgicas podem ser usadas (como ácido valproico, gabapentina, topiramato). O GABA (ácido gama-aminobutírico) é um neurotransmissor inibitório crucial. Evidências sugerem que uma redução na eficácia da transmissão gabaérgica pode estar associada ao tremor essencial, levando à hiperatividade neural e ao tremor.

- Cirurgia: Em alguns casos, a estimulação cerebral profunda também pode ser uma opção para tremores graves e incapacitantes.

- Toxina Botulínica: Pode ser aplicada em músculos específicos para reduzir o tremor em áreas como a cabeça ou as mãos.

- Suplementos: GABA oral, L-teanina, magnésio, extrato de valeriana, melatonina, piridoxina. Para individualização, marque sua consulta de nutrição.

3. Tratamento Integrativo

O tratamento integrativo para ambas as condições visa combinar abordagens convencionais com terapias complementares, buscando reduzir sintomas, melhorar a qualidade de vida e minimizar efeitos colaterais dos medicamentos.

Estratégias Integrativas Comuns

- Fisioterapia e Exercícios Funcionais: A fisioterapia, o pilates e o tai chi ajudam a fortalecer os músculos, melhorar o equilíbrio e reduzir a rigidez.

- Terapias Mindfulness e Meditação: Meditação, atenção plena e ioga podem ajudar a melhorar o bem-estar mental, reduzir a ansiedade e auxiliar no controle do tremor.

- Acupuntura: Estudos indicam que a acupuntura pode auxiliar na redução do tremor e no alívio de dores musculares.

- Suplementação Nutricional: Antioxidantes, vitaminas (B6, D), ômega-3 e coenzima Q10 têm demonstrado benefícios neuroprotetores. É importante discutir com um profissional para avaliar necessidades específicas.

- Dieta Antiinflamatória: Dietas ricas em frutas, vegetais, cereais integrais e gorduras saudáveis podem ajudar a proteger o sistema nervoso. A dieta mediterrânea, rica em antioxidantes e anti-inflamatórios, é frequentemente recomendada. É recomendado também a evitação de carne vermelha, uma vez que gera compostos alcalóides β-carbolina (como o harmano), especialmente quando preparada em alta temperatura (como churrasco e carnes processadas). β-carbolinas têm atividade neurotóxica e também podem ser encontradas no tabaco, bebidas alcoólicas (Laviță et al., 2016).

- Terapias Cognitivo-Comportamentais (TCC): Para tratar ansiedade, depressão e insônia, que são comuns em ambas as condições.

Cada caso é único, então o plano integrativo deve ser personalizado e acompanhado por uma equipe multidisciplinar, incluindo neurologistas, fisioterapeutas, nutricionistas e terapeutas especializados.

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Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/