Altas Doses de Biotina na Esclerose Múltipla Progressiva

A biotina, também conhecida como vitamina B7 ou vitamina H, tem ganhado atenção por seu papel potencial no tratamento da Esclerose Múltipla Progressiva (EM). Estudos sugerem que altas doses dessa vitamina podem beneficiar pacientes ao melhorar a remielinização e a funcionalidade neurológica.

Papel da Biotina no Sistema Nervoso

A biotina atua como cofator em várias reações enzimáticas essenciais para:

  • Produção de energia celular.

  • Síntese de ácidos graxos, fundamentais para a formação da bainha de mielina, a camada protetora dos nervos.

Sua ação direta na acetil-CoA carboxilase (uma enzima crucial para a regeneração de mielina) a torna promissora no tratamento de condições neurodegenerativas, como a EM progressiva.

Estudos com Altas Doses de Biotina

Um estudo piloto investigou o uso de altas doses de biotina (100-300 mg/dia) em 23 pacientes com EM progressiva (primária ou secundária). Os participantes foram acompanhados por períodos de 2 a 36 meses. Os principais resultados observados foram:

  • Melhora Clínica: 89% dos pacientes apresentaram progresso na mobilidade e funções sensoriais após 2 a 8 meses de tratamento.

  • Impacto Visual: Melhoria na acuidade visual e normalização de marcadores de mielina em pacientes com neurite óptica.

  • Segurança: O tratamento foi bem tolerado, sem relatos significativos de efeitos adversos.

Implicações Clínicas

Os resultados sugerem que a biotina pode:

  • Promover a remielinização em áreas previamente danificadas.

  • Reduzir sintomas progressivos da EM.

  • Estabilizar o avanço da doença.

Perspectivas Futuras

Embora os resultados sejam encorajadores, ainda são necessárias pesquisas mais amplas e controladas para confirmar os benefícios e entender os mecanismos exatos da biotina em altas doses na EM. O impacto a longo prazo e as possíveis interações medicamentosas também precisam ser melhor investigados.

Conclusão

A biotina em altas doses representa uma abordagem promissora para a Esclerose Múltipla Progressiva. Este avanço destaca a importância de terapias que abordam diretamente a regeneração da mielina e o suporte metabólico no sistema nervoso.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

A Relação entre TNF-α e a Disfunção Cognitiva no Transtorno Depressivo Maior

A Figura abaixo ilustra o mecanismo pelo qual o fator de necrose tumoral alfa (TNF-α) influencia as funções cognitivas em pessoas com transtorno depressivo maior (TDM). Este esquema visual conecta os aspectos biológicos e funcionais da depressão com as alterações cognitivas observadas nesses pacientes.

A figura representa uma cadeia de eventos interconectados que demonstram como o TNF-α impacta o funcionamento cerebral e contribui para prejuízos cognitivos em pacientes com TDM. Os principais pontos da figura incluem:

  • Aumento do TNF-α Sistêmico

    O estresse crônico, comum em TDM, estimula a produção de TNF-α. O aumento desta citocina promove inflamação sistêmica e cerebral.

  • Barreira Hematoencefálica (BHE) Comprometida

    Altos níveis de TNF-α podem prejudicar a integridade da BHE, permitindo que moléculas inflamatórias entrem no cérebro.

    Microglia Ativada

    Dentro do sistema nervoso central (SNC), o TNF-α ativa as células da microglia, que são células imunes residentes no cérebro. A ativação da microglia no sistema nervoso central (SNC) aumenta a produção de quinurenina a partir do triptofano.

    • A enzima indoleamina 2,3-dioxigenase (IDO), induzida por citocinas pró-inflamatórias como TNF-α, IL-6 e interferon-gama, catalisa esse processo.

    • O ácido quinolínico é gerado como um produto final nesta via metabólica e age principalmente como um agonista dos receptores de glutamato do tipo NMDA (N-Metil-D-Aspartato), provocando: (1) excesso de excitação neural (excitotoxicidade), (2) aumento de espécies reativas de oxigênio, contribuindo para estresse oxidativo. (3) dano a neurônios e sinapses, especialmente em regiões críticas para a cognição, como o hipocampo.

    Essa ativação resulta em um ciclo inflamatório que intensifica o estresse oxidativo e prejudica a plasticidade sináptica.

  • Impacto no Hipocampo

    O hipocampo, uma região crucial para a memória e o aprendizado, é altamente sensível à inflamação.

    O TNF-α reduz a neurogênese (formação de novos neurônios) e interfere nas conexões sinápticas, contribuindo diretamente para déficits cognitivos.

  • Prejuízo Cognitivo

    Os efeitos combinados incluem:

    • Déficits na memória de trabalho.

    • Redução da velocidade de processamento mental.

    • Dificuldades na tomada de decisão.

  • Depressão

    Ao desviar o metabolismo do triptofano para a produção de quinureninas, menos triptofano está disponível para a síntese de serotonina. Isso pode agravar os sintomas depressivos, criando um ciclo de baixa serotonina e inflamação.

Compreender o papel do TNF-α abre oportunidades para tratamentos direcionados, como o uso de medicamentos anti-inflamatórios ou intervenções que protejam o hipocampo. Estratégias personalizadas podem focar especificamente em reduzir os níveis de TNF-α e, assim, melhorar os sintomas cognitivos sem interferir nos demais sintomas depressivos.

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Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

Papel da colina na Fertilização natural e in vitro

A colina é um nutriente essencial para a saúde, particularmente importante para o desenvolvimento do cérebro e a função hepática. Embora não seja amplamente discutida no contexto da inseminação artificial, a colina tem um papel significativo em várias fases da saúde reprodutiva, especialmente em mulheres que estão passando por tratamentos como a inseminação artificial (IA).

Aqui estão algumas razões pelas quais a colina pode ser importante para uma mulher que vai realizar inseminação artificial:

1. Desenvolvimento Fetal

Durante a gravidez, a colina desempenha um papel fundamental no desenvolvimento do cérebro do bebê, sendo essencial para a formação do sistema nervoso central. Ela auxilia na síntese de fosfolipídios, que são componentes importantes das membranas celulares, e é crucial para a formação de estruturas como o cérebro e a medula espinhal. Um nível adequado de colina pode ajudar a prevenir defeitos do tubo neural, como a espinha bífida. A colina é crucial para o desenvolvimento do sistema nervoso central, o que pode influenciar a saúde mental do bebê a longo prazo.

2. Saúde Hepática

A colina tem um papel importante na função hepática, ajudando a metabolizar gorduras e prevenindo o acúmulo de gordura no fígado (esteatose hepática). Para mulheres que estão passando por tratamentos de fertilização, a saúde do fígado é essencial para garantir que o corpo tenha um bom funcionamento geral e uma resposta ideal ao tratamento.

3. Equilíbrio Hormonal

A colina pode ajudar no equilíbrio hormonal e na regulação de processos inflamatórios no corpo. Isso pode ser especialmente importante durante a inseminação artificial, pois as flutuações hormonais são comuns durante esse processo. A colina pode ajudar a melhorar a resposta ovariana durante a estimulação ovariana, que é uma parte crítica da IA.

4. Saúde Reprodutiva Geral

Estudos sugerem que a colina pode ter um efeito positivo na saúde reprodutiva geral, incluindo a qualidade dos óvulos e a função ovariana. Como a fertilização e a implantação dependem de uma saúde reprodutiva otimizada, a ingestão adequada de colina pode ajudar nesse processo.

5. Redução de Riscos de Defeitos Congênitos

Pesquisas indicam que a suplementação de colina durante o período de concepção e a gravidez pode reduzir o risco de defeitos congênitos e melhorar a saúde geral da gestação. A colina tem uma função importante na metilação, um processo que afeta a expressão genética e pode impactar a saúde reprodutiva. As principais fontes de colina são o fígado e a gema do ovo.

A Recomendação de Colina para Gestantes

Estudos sugerem que muitas mulheres grávidas não consomem colina suficiente em suas dietas. A ingestão recomendada para gestantes varia, mas estudos indicam que o consumo de 450 a 550 mg por dia é ideal para apoiar a saúde da mãe e do bebê. Contudo, para a fertilização in vitro (FIV) podem ser indicadas ingestões de até 2g ao dia. Contudo, antes é preciso que a qualidade do intestino esteja muito boa. Explico no vídeo:

Considerações Importantes

Embora a colina seja um nutriente essencial, é importante que mulheres que estão realizando inseminação artificial consultem um médico ou nutricionista especializado. A quantidade necessária de colina pode variar dependendo da saúde geral, da dieta e de outros fatores, como a presença de condições pré-existentes (como síndrome dos ovários policísticos ou outras condições que possam afetar a fertilidade).

A suplementação de colina deve ser cuidadosamente monitorada, pois o consumo excessivo de colina também pode trazer efeitos colaterais, como um aumento na produção de um odor corporal forte, disbiose intestinal ou distúrbios digestivos.

Em resumo, a colina é importante para a saúde reprodutiva feminina e pode contribuir para o sucesso de tratamentos de fertilização, como a inseminação artificial. Uma dieta equilibrada, que inclua fontes adequadas desse nutriente, pode apoiar as funções corporais durante o processo de concepção e gravidez. Precisa de ajuda? Marque aqui sua consulta de nutrição online.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/