A Nutrição e Sua Influência na Fertilidade Masculina

A relação entre alimentação e fertilidade masculina está sendo cada vez mais investigada por estudos em humanos e animais. Esses estudos apontam para uma conexão significativa entre a nutrição e aspectos como a saúde hormonal e a espermatogênese. Neste artigo, abordaremos o impacto de diferentes grupos alimentares nos hormônios reprodutivos e na qualidade do sêmen, bem como os efeitos de padrões alimentares clássicos e emergentes, como a dieta mediterrânea, a dieta ocidental, o jejum intermitente, a dieta cetogênica e a dieta vegana/vegetariana.

Descobertas Recentes

Nutrientes desempenham papéis cruciais como precursores de moléculas que regulam diversos sistemas do corpo humano, incluindo o sistema endócrino. O equilíbrio nutricional é vital para a produção hormonal, que, quando alterada, pode resultar em disfunções como a infertilidade.

Além disso, nutrientes impactam diretamente a produção de espermatozoides e a espermatogênese. Eles influenciam o desenvolvimento sexual, sustentam características sexuais secundárias e regulam comportamentos relacionados à reprodução.

O Papel de Grupos Alimentares na Fertilidade Masculina

  • Frutas e vegetais: Ricos em antioxidantes e vitaminas, contribuem para a proteção das células reprodutivas contra o estresse oxidativo.

  • Peixes e carnes processadas: Peixes promovem uma melhor qualidade do sêmen devido aos ácidos graxos ômega-3, enquanto carnes processadas podem estar associadas a resultados adversos na fertilidade.

  • Laticínios: Podem ter efeitos variáveis, dependendo do tipo e da quantidade consumida.

  • Açúcares e álcool: O consumo excessivo está relacionado a alterações hormonais e redução na qualidade espermática.

  • Cafeína: Tem um impacto controverso, com estudos apontando tanto benefícios quanto riscos dependendo das doses consumidas.

Padrões Alimentares e a Fertilidade Masculina

  1. Dieta Mediterrânea
    Rica em frutas, vegetais, nozes, peixes e azeite de oliva, é associada a melhorias significativas na qualidade do sêmen e na saúde hormonal.

  2. Dieta Ocidental
    Com alto teor de alimentos processados, açúcares e gorduras saturadas, pode estar relacionada a um impacto negativo na fertilidade masculina.

  3. Jejum Intermitente
    Apesar de promissor em termos de controle metabólico, os efeitos específicos no sistema reprodutivo masculino ainda estão sendo investigados.

  4. Dieta Cetogênica
    Popular para perda de peso, seus impactos na fertilidade estão sendo estudados, mas resultados nos níveis hormonais podem variar, dependendo da genética e fatores individuais.

  5. Dieta Vegana/Vegetariana
    Se bem equilibrada, pode oferecer benefícios antioxidantes significativos, mas requer atenção para evitar deficiências de nutrientes cruciais, como vitamina B12 e zinco, essenciais para a espermatogênese.

Como Funciona o Eixo Hormonal Reprodutivo?

  1. Produção e Regulação Hormonal

    • O Hormônio liberador de gonadotrofina (GnRH) é produzido no hipotálamo e estimula a glândula pituitária anterior a liberar hormônio luteinizante (LH) e hormônio foliculoestimulante (FSH).

    • Esses hormônios atuam nos testículos:

      • LH: estimula as células de Leydig a produzir testosterona (Te).

      • FSH: regula a atividade das células de Sertoli, responsáveis pela espermatogênese.

    • O aumento de estrogênios (E2), originados nas gônadas, inibe a liberação de GnRH e gonadotrofinas através de um mecanismo de feedback negativo.

  2. Impacto Alimentar no Eixo Hormonal

    • Alimentos como carne vermelha, laticínios, álcool, bebidas açucaradas (SSB), açúcar e soja estão associados ao aumento de estrogênios, o que pode afetar negativamente o equilíbrio hormonal.

A Dieta Cetogênica e a Fertilidade Masculina

  1. O Que É a Dieta Cetogênica?

    • Baseia-se na substituição de carboidratos por gordura como principal fonte de energia, promovendo um estado metabólico chamado cetose.

    • Inicialmente usada no tratamento de epilepsia refratária em crianças, hoje também é recomendada para obesidade severa e outras condições, como cefaleias e até COVID-19.

  2. Evidências Sobre a Fertilidade Masculina

    • Apesar de poucas pesquisas, estudos sugerem benefícios da dieta cetogênica para a saúde reprodutiva masculina:

      • Movimento dos espermatozoides: corpos cetônicos podem ser utilizados como fonte de energia para espermatozoides, melhorando sua motilidade.

      • Melhoria de parâmetros espermáticos: em camundongos, a dieta cetogênica restaurou a motilidade, a morfologia e a maturação celular espermatogênica, mesmo sem aumento significativo nos níveis de testosterona.

      • Efeitos em casos de toxicidade testicular: estudos com ratos tratados com glutamato monossódico (MSG) mostraram que a dieta cetogênica reverteu danos bioquímicos e funcionais nos testículos, melhorando índices como colesterol, glicogênio e proteínas.

  3. Efeitos Potenciais da Dieta Cetogênica Combinada

    • A combinação com curcumina demonstrou benefícios adicionais, como:

      • Melhoria na espermatogênese e parâmetros espermáticos (motilidade e morfologia).

      • Redução do estresse oxidativo e da inflamação.

      • Inibição da apoptose (morte celular programada) nos testículos.

Hábitos associados à infertilidade masculina (Pecora et al., 2023)

Impacto Combinado: Dieta Cetogênica e Jejum Intermitente

Um estudo recente avaliou a interação entre KD e JI, dividindo ratos machos em quatro grupos: dieta controle, KD, JI e KD combinada com JI (Üstündağ et al., 2023). Os resultados mostraram:

  • Peso Corporal e Testicular:

    • KD aumentou o peso corporal e testicular, enquanto a adição de JI mitigou o ganho de peso, equilibrando os efeitos.

  • Marcadores de Estresse Oxidativo:

    • KD reduziu o estresse oxidativo, e o JI reforçou essa proteção antioxidante.

  • Hormônios Reprodutivos:

    • KD e JI diminuíram os níveis de estradiol, enquanto seus efeitos sobre a testosterona variaram com a combinação.

  • Histopatologia:

    • A combinação de KD e JI promoveu melhorias na espermatogênese, destacando um efeito sinérgico na saúde testicular.

Mecanismos Subjacentes

O sucesso dessas dietas pode ser atribuído à:

  • Redução do estresse oxidativo: evita danos ao DNA espermático e promove um ambiente testicular saudável.

  • Regulação hormonal: melhora o equilíbrio entre estradiol e testosterona, favorecendo a fertilidade.

  • Efeitos metabólicos: KD e JI contribuem para um metabolismo energético eficiente, melhorando a saúde geral e reprodutiva.

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Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

O Papel das Dietas Cetogênicas no Tratamento do Adenocarcinoma Ductal Pancreático e da Caquexia Associada

O adenocarcinoma ductal pancreático (ADP) é uma doença altamente agressiva e com uma taxa de sobrevida em cinco anos de apenas cerca de 10%. A cirurgia oferece a única chance realista de cura, mas é viável em apenas uma pequena fração de pacientes. Os tratamentos atuais com quimioterapia e radioterapia têm benefícios limitados. Após o diagnóstico, os pacientes com ADP geralmente sofrem de perda de peso progressiva e deterioração nutricional, resultando em um rápido declínio da qualidade de vida. Aproximadamente 80% dos pacientes com ADP desenvolvem caquexia, um distúrbio metabólico complexo caracterizado pela perda de massa muscular esquelética. Infelizmente, ainda não existem estratégias eficazes para mitigar a caquexia associada ao ADP, o que torna a busca por novas opções terapêuticas crucial.

Neste contexto, as dietas cetogênicas (KD) têm ganhado atenção por seu potencial em combater tumores e reduzir inflamações. Caracterizadas por uma composição de baixa quantidade de carboidratos, moderada em proteínas e rica em gorduras, as dietas cetogênicas imitam o metabolismo observado durante o jejum. Vários estudos em modelos animais indicam que as KDs podem retardar o crescimento tumoral, incluindo no câncer de pâncreas (CP), com resultados bastante promissores. Embora os ensaios clínicos em humanos também apresentem sinais de benefício, as evidências sobre os efeitos das KDs na caquexia associada ao ADP ainda são limitadas e merecem mais investigação.

Câncer de Pâncreas: Biologia e Tratamentos Atuais

O câncer de pâncreas, especialmente o ADP, é uma das doenças mais letais, sendo a sétima principal causa de morte relacionada ao câncer no mundo. Nos Estados Unidos, é a terceira causa mais comum de mortes por câncer e estima-se que se torne a segunda até 2030. O ADP, o tipo mais comum e agressivo de câncer pancreático, apresenta a menor taxa de sobrevivência entre todos os tumores sólidos. Fatores como idade, tabagismo, abuso de álcool, pancreatite crônica, obesidade e diabetes tipo 2 (DM2) são fatores de risco conhecidos para o desenvolvimento de ADP.

A maioria dos ADP se origina das neoplasias intraepiteliais pancreáticas, lesões microscópicas compostas por epitélio neoplásico. A progressão dessas lesões envolve mutações em oncogenes e genes supressores de tumor, sendo os mais comuns KRAS (~90%), TP53 (~74%), CDKN2A (~35%) e SMAD4 (~31%). Além das alterações genéticas, o ADP está associado a um microambiente tumoral denso que dificulta a eficácia dos tratamentos convencionais e pode contribuir para a resistência aos medicamentos.

Apesar das opções de tratamento, como ressecção cirúrgica, quimioterapia, radioterapia e terapia direcionada, menos de 20% dos pacientes são candidatos à cirurgia curativa. A quimioterapia com gencitabina (GEM) foi o tratamento principal durante anos, mas atualmente combinações como FOLFIRINOX e a adição de Nab-Paclitaxel ao GEM têm mostrado resultados mais promissores, embora com significativas toxicidades e baixas taxas de resposta. Mesmo com avanços, muitos pacientes acabam necessitando de terapias de segunda linha, com altas taxas de recidiva.

Caquexia Associada ao ADP

A caquexia, um dos maiores contribuintes para a mortalidade do ADP, é um distúrbio complexo caracterizado pela perda involuntária de massa muscular esquelética (SKM), com ou sem perda de tecido adiposo. Até 85% dos pacientes com ADP desenvolvem caquexia, sendo que aproximadamente 30% das mortes estão diretamente relacionadas a essa condição.

O diagnóstico de caquexia é baseado em critérios como perda de peso superior a 5% em 6 meses ou sarcopenia associada à perda de peso superior a 2%, especialmente em pacientes com índice de massa corporal (IMC) baixo. Os tumores pancreáticos competem com outros órgãos por combustíveis e substratos, promovendo um elevado gasto energético e um balanço energético negativo, o que contribui para o aumento da perda muscular. A caquexia também resulta em alterações no metabolismo, com aumento da proteólise e lipólise, enquanto a síntese de proteínas e lipogênese são reduzidas.

A caquexia prejudica a resposta dos pacientes à quimioterapia, aumentando o risco de toxicidade e complicações, além de comprometer a funcionalidade e a recuperação pós-cirúrgica. Portanto, a preservação da SKM é fundamental para melhorar a resposta ao tratamento e a qualidade de vida dos pacientes.

Mecanismos Moleculares da Caquexia Associada ao ADP

A perda muscular em pacientes com câncer, especialmente na caquexia, está associada a vários mecanismos celulares e moleculares que promovem o catabolismo e dificultam o anabolismo muscular. Esses processos envolvem vias de sinalização, inflamação, alteração do metabolismo e respostas do organismo ao tumor.

Mecanismos de Perda Muscular

  • Diminuição do IGF-1: A redução do fator de crescimento semelhante à insulina 1 (IGF-1) inibe a via PI3K-Akt-mTOR, essencial para a síntese de proteínas e o crescimento muscular.

  • Miostatina e Activina A: Essas proteínas ativam vias que induzem degradação muscular por meio do fator de transcrição FoxO e da via SMAD2/3, aumentando a expressão de proteínas como MAFbx e MuRF1, que estimulam a degradação via ubiquitina-proteassoma.

  • Citocinas Pró-inflamatórias: Substâncias como TNF-α e IL-6, liberadas pelo tumor, ativam vias como NF-κB e JAK/STAT, que intensificam o catabolismo muscular.

  • Ativação de TLR4: Proteínas de choque térmico como Hsp70 e Hsp90 ativam p38 MAPK, agravando a perda muscular.

  • Alteração no Zinco: Transportadores como ZIP4 e ZIP14, regulados positivamente na caquexia, contribuem para a degradação muscular e interferem na diferenciação celular.

Dieta Cetogênica e Câncer: Uma Abordagem Promissora

A dieta cetogênica (KD) é caracterizada por alto consumo de gorduras, proteínas moderadas e baixo teor de carboidratos, promovendo a cetose metabólica com a produção de corpos cetônicos. Essa abordagem tem sido investigada como terapia adjuvante no tratamento do câncer, devido a seus efeitos metabólicos, anti-inflamatórios e moduladores do microambiente tumoral.

Efeitos no Câncer

  • Inibição do Crescimento Tumoral: Estudos indicam que a dieta cetogênica pode reduzir o tamanho de tumores e prolongar a sobrevivência em modelos animais, como no câncer pancreático, gástrico e hepático.

  • Potencialização de Tratamentos Convencionais: A combinação da dieta cetogênica com quimioterapia ou radioterapia mostrou melhorar a eficácia terapêutica e reduzir a toxicidade associada.

  • Mecanismos Celulares: Além de atuar na inflamação e no metabolismo, a dieta influencia a angiogênese, mecanismos epigenéticos e o microbioma intestinal, ampliando seus benefícios terapêuticos.

Dieta Cetogênica na Caquexia

No contexto da caquexia, a dieta cetogênica apresenta efeitos positivos na preservação da massa muscular e no controle da inflamação:

  • Redução da Degradação Muscular: Corpos cetônicos podem diminuir a degradação de proteínas e melhorar o equilíbrio proteico no músculo esquelético.

  • Controle da Inflamação Sistêmica: A dieta reduz a secreção de citocinas pró-inflamatórias, mitigando a inflamação associada à perda muscular.

  • Preservação da Massa Muscular: Estudos em animais mostram que a dieta cetogênica pode preservar o tecido muscular, aumentar a biogênese mitocondrial e melhorar a resposta ao estresse oxidativo.

Metabolismo, Epigenoma e Microbioma no Adenocarcinoma Ductal Pancreático (ADP) e Caquexia

O adenocarcinoma ductal pancreático (ADP) e a caquexia apresentam interações complexas entre metabolismo celular, epigenoma e microbioma intestinal. Esses fatores influenciam tanto a progressão tumoral quanto a perda de massa muscular e adiposa, criando desafios e oportunidades para intervenções terapêuticas.

Metabolismo no ADP e na Caquexia

  • Células Tumorais e Glicólise: As células do ADP dependem fortemente da glicólise e carecem de enzimas necessárias para metabolizar corpos cetônicos, ao contrário do músculo esquelético, que possui enzimas como BDH1, OXCT1 e ACAT1 para esse processo.

  • Reprogramação Metabólica: No ADP, vias metabólicas como PI3K/Akt/mTOR e Ras/Raf/MEK/ERK estão hiperativas, favorecendo o crescimento celular. Além disso, a lactato desidrogenase (LDH) e a piruvato quinase M2 (PKM2) são superexpressas, intensificando a produção de lactato e a adaptação ao ambiente hipóxico.

  • Dieta Cetogênica e Metabolismo: A dieta cetogênica (KD) reduz glicose, insulina e IGF-1, inibindo vias tumorais como PI3K/Akt/mTOR. Enquanto células saudáveis utilizam corpos cetônicos como energia, muitos tumores não conseguem metabolizá-los, tornando a dieta uma estratégia para “fome seletiva” das células cancerígenas.

Metabolismo Adaptado nas Células Cancerígenas:

  • Tumores pancreáticos frequentemente exibem mutações em genes como KRAS, que aumentam a dependência de glicose e ativam vias de sinalização como PI3K/Akt/mTOR e Ras/Raf/ERK.

  • Essas células superexpressam GLUT1, promovendo captação de glicose e glicólise, gerando lactato (efeito Warburg).

  • Níveis elevados de insulina e IGF-1 contribuem para a ativação dessas vias.

Dieta Cetogênica (DC):

  • Reduz a glicose circulante, inibindo glicólise e vias associadas, como PI3K/Akt/mTOR.

  • A cetose ativa AMPK, inibindo mTOR, o que impacta a sobrevivência das células tumorais.

  • Devido à disfunção mitocondrial nas células tumorais, estas têm dificuldade em utilizar corpos cetônicos (βHB e ACA) como fonte de energia, reduzindo a produção de ATP.

Benefícios na Caquexia Associada ao Câncer

A caquexia, uma síndrome de perda severa de peso e massa muscular, é frequente no CP. A DC apresenta vantagens neste contexto:

  1. Preservação Muscular:

    • Promove a regulação de vias bioenergéticas no músculo, incluindo AMPK e mTOR.

    • Estudos em camundongos mostraram aumento de massa muscular e diminuição de inflamação com a DC.

  2. Redução de Inflamação:

    • Corpos cetônicos possuem efeitos anticatabólicos e reduzem secreções de citocinas pró-inflamatórias, como IL-6.

    • Melhoram a capacidade oxidativa e o metabolismo energético do músculo, mesmo em estados sedentários.

  3. Efeitos Clínicos:

    • Em estudos pré-clínicos, camundongos alimentados com DC apresentaram menores concentrações de glicose e peso tumoral, além de maior massa muscular.

Epigenética e Dieta Cetogênica

A DC pode modular a expressão gênica e a progressão tumoral por meio de alterações epigenéticas:

  • Inibição de Histona Deacetilases (HDACs):

    • Corpos cetônicos (como βHB) inibem HDACs, promovendo acetilação de histonas e regulação positiva de genes protetores.

  • Efeito Anticancerígeno:

    • Modificações epigenéticas, como metilação de DNA e β-hidroxibutirilação de histonas, afetam genes-chave na sobrevivência celular.

  • Perspectiva Clínica:

    • Evidências sugerem que essas alterações melhoram a resposta a terapias e limitam a progressão do tumor.

Microbioma Intestinal e o Câncer de Pâncreas

  • Influência da Microbiota:

    • Indivíduos com CP frequentemente apresentam disbiose intestinal, que pode impactar a progressão tumoral.

    • Estudos preliminares indicam que DC pode reverter disbioses em algumas condições e influenciar positivamente a imunomodulação.

  • Efeitos Anticaquéticos:

    • O equilíbrio da microbiota pode reduzir o catabolismo muscular e melhorar a resposta a tratamentos.

Desafios e Perspectivas Clínicas

Embora promissora, a aplicação da DC em pacientes com CP enfrenta desafios:

  1. Adesão à Dieta:

    • A manutenção de uma DC rigorosa é difícil. Alternativas como cetose induzida por suplementos (ex.: ésteres cetônicos) estão sendo exploradas.

  2. Insuficiência Pancreática:

    • Tumores pancreáticos frequentemente prejudicam a digestão lipídica. Suplementação com enzimas pancreáticas (PERT) pode ser necessária.

  3. Personalização do Tratamento:

    • A heterogeneidade do CP requer estratégias individualizadas, considerando fatores como perfil genético, composição do microbioma e estado clínico do paciente.

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Efeitos das Drogas Anestésicas Gerais e o Papel das Cetonas Exógenas

As drogas anestésicas gerais (DAG) são indispensáveis na prática médica, possibilitando a realização de cirurgias sem dor e com a ausência de consciência. Contudo, esses compostos apresentam potenciais efeitos adversos que incluem:

  • Toxicidades específicas: nefrotoxicidade, hepatotoxicidade, neurotoxicidade e arritmias cardíacas.

  • Efeitos respiratórios e cardíacos: depressão respiratória, irritação, depressão cardíaca e redução da pressão arterial.

  • Reações adversas pós-operatórias: náuseas, vômitos, hipertermia maligna e agitação.

  • Impactos cognitivos em longo prazo: estudos apontam comprometimento da neurogênese e disfunção cognitiva em animais jovens expostos a anestésicos inalatórios.

Esses efeitos variam de acordo com o tipo de anestésico, sendo os agentes voláteis (como isoflurano, sevoflurano e desflurano) e os gases anestésicos (como óxido nitroso e xenônio) amplamente utilizados.

Mecanismos de Ação e Impactos Metabólicos

Os anestésicos inalatórios atravessam facilmente a barreira hematoencefálica e interagem com membranas neuronais e mitocondriais, mas seu mecanismo completo de ação permanece um mistério na neurociência. Estudos mostram que:

  • Isoflurano pode aumentar os níveis de glicose no sangue, comprometendo a regulação da glicemia e provocando resistência à insulina (Rauch et al., 2024).

  • Efeitos metabólicos perioperatórios: a hiperglicemia associada ao estresse cirúrgico é exacerbada pelo isoflurano, aumentando riscos de complicações infecciosas, cardiovasculares e cognitivas.

  • Mesmo sem estresse cirúrgico, o isoflurano já foi relacionado à intolerância à glicose.

A hiperglicemia aguda no período perioperatório é preocupante, especialmente em pacientes com disfunções metabólicas pré-existentes, pois pode:

  1. Contribuir para imunossupressão.

  2. Aumentar o risco de complicações e mortalidade.

  3. Prejudicar a recuperação neurocognitiva, especialmente em pacientes idosos.

O Papel das Cetonas Exógenas no Controle Metabólico

Estudos recentes exploram o uso de suplementos de cetona exógena para mitigar os efeitos adversos da anestesia com isoflurano. Um estudo revelou que a administração de cetonas exógenas antes da anestesia:

  • Eliminou o aumento da glicose no sangue causado pelo isoflurano.

  • Aumentou o tempo de recuperação anestésica, sugerindo um impacto direto no metabolismo energético.

Esses resultados podem ser atribuídos às propriedades metabólicas das cetonas, que:

  • Geram mais ATP do que a glicose, especialmente sob condições de estresse.

  • Reduzem os níveis de glicose e lactato no sangue, promovendo um estado metabólico mais estável.

  • Preservam a função mitocondrial, reduzindo os danos causados pela inibição da cadeia de transporte de elétrons pelo isoflurano.

Cetonas e Função Cognitiva Pós-Cirúrgica

A hiperglicemia perioperatória pode estar associada à disfunção cognitiva pós-cirúrgica, um tema de grande relevância em uma população envelhecida. Estudos sugerem que a cetose pode ter benefícios protetores:

  • Mitocôndrias e metabolismo cerebral: as cetonas ajudam a mitigar os efeitos do isoflurano sobre a função mitocondrial e a geração de lactato.

  • Modulação da adenosina: o aumento da adenosina induzido pela cetose pode contribuir para uma recuperação anestésica mais eficiente.

Embora promissores, esses mecanismos ainda requerem maior investigação para entender como a cetose pode ser aplicada de forma ampla na prática clínica.

Implicações Clínicas e Futuras Pesquisas

Os achados sugerem que a administração de cetonas exógenas antes da anestesia pode ter benefícios significativos no manejo perioperatório, incluindo:

  1. Controle da glicemia: redução da hiperglicemia induzida pelo estresse cirúrgico e pela anestesia.

  2. Proteção cognitiva: redução do risco de disfunções cognitivas em pacientes vulneráveis.

  3. Mitigação de efeitos metabólicos: manutenção da homeostase energética e melhora da função mitocondrial.

No entanto, são necessárias pesquisas adicionais para:

  • Determinar as concentrações ideais de cetonas exógenas para diferentes tipos de anestésicos.

  • Avaliar o impacto em humanos submetidos a diferentes condições cirúrgicas e metabólicas.

  • Identificar interações potenciais com dietas cetogênicas e jejum pré-cirúrgico.

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