Perguntas frequentes sobre o transtorno bipolar

O transtorno bipolar, também conhecido como depressão bipolar, é uma condição de saúde mental caracterizada por mudanças extremas no humor, energia e níveis de atividade. Essas mudanças podem variar de períodos de mania, com humor elevado e aumento de energia, para períodos de depressão, com humor deprimido e baixa energia.

Quais são os sintomas do transtorno bipolar?

Os sintomas do transtorno bipolar variam de pessoa para pessoa e podem mudar ao longo do tempo. No entanto, alguns dos sintomas mais comuns incluem:

Mania:

  • Humor eufórico ou irritável

  • Aumento de energia e atividade

  • Necessidade reduzida de sono

  • Pensamentos acelerados e fala rápida

  • Dificuldade de concentração

  • Comportamento impulsivo e de risco, como gastos excessivos, direção imprudente ou promiscuidade sexual

  • Delírios de grandeza

Depressão:

  • Humor deprimido e tristeza persistente

  • Perda de interesse em atividades que antes eram prazerosas

  • Fadiga e baixa energia

  • Dificuldade de concentração

  • Alterações no apetite e no sono

  • Sentimentos de inutilidade e culpa

  • Pensamentos de morte ou suicídio

Quais são os tipos de transtorno bipolar?

Existem dois tipos principais de transtorno bipolar:

Transtorno Bipolar I: caracterizado por episódios maníacos que duram pelo menos sete dias e podem ser tão graves que requerem hospitalização. Os episódios depressivos também são comuns, mas não são necessários para o diagnóstico.

Transtorno Bipolar II: caracterizado por episódios de hipomania, uma forma menos grave de mania, e episódios depressivos. Os episódios de hipomania não são tão graves quanto os episódios maníacos e não requerem hospitalização.

O que causa o transtorno bipolar?

A causa exata do transtorno bipolar é desconhecida, mas acredita-se que seja uma combinação de fatores genéticos e ambientais. Pessoas com histórico familiar da doença têm maior probabilidade de desenvolvê-la. Fatores ambientais, como estresse severo ou trauma, também podem contribuir para o desenvolvimento do transtorno.

Como o transtorno bipolar é diagnosticado?

O diagnóstico do transtorno bipolar é feito por um profissional de saúde mental, como um psiquiatra. O diagnóstico é baseado em um histórico detalhado dos sintomas do paciente, além de uma avaliação do seu estado mental.

Quais são os tratamentos para o transtorno bipolar?

O transtorno bipolar é uma condição crônica que requer tratamento a longo prazo. Os principais tratamentos incluem:

Medicamentos:

  • Estabilizadores de humor: como o lítio, que ajudam a controlar os episódios maníacos e depressivos.

  • Antipsicóticos: que podem ser usados para tratar os sintomas psicóticos, como delírios e alucinações.

  • Antidepressivos: que podem ser usados para tratar os sintomas depressivos, mas devem ser usados com cautela, pois podem desencadear episódios maníacos.

Terapia:

  • Terapia cognitivo-comportamental (TCC): que ajuda os pacientes a identificar e mudar pensamentos e comportamentos negativos.

  • Terapia interpessoal e de ritmo social (IPSRT): que se concentra em melhorar os relacionamentos e regular os padrões de sono e vigília.

  • Psicoterapia de apoio: que fornece apoio emocional e prático aos pacientes.

Outras intervenções:

  • Eletroconvulsoterapia (ECT): que pode ser usada em casos graves de transtorno bipolar que não respondem a outros tratamentos.

  • Estimulação magnética transcraniana repetitiva (EMTr): um tratamento não invasivo que usa pulsos magnéticos para estimular áreas específicas do cérebro.

  • Dieta cetogênica: A dieta cetogênica tem sido estudada como uma possível intervenção para o transtorno bipolar, devido ao seu impacto no sistema nervoso central, especialmente em aspectos relacionados à estabilização do humor. A ideia central dessa abordagem é que a dieta cetogênica, ao induzir um estado de cetose (ou seja, o corpo usa corpos cetônicos como principal fonte de energia em vez de glicose), pode influenciar mecanismos cerebrais envolvidos na regulação de neurotransmissores e na proteção neuronal. Aqui estão alguns pontos relevantes sobre o uso da dieta cetogênica em pessoas com transtorno bipolar:

    • Efeitos sobre Neurotransmissores e Inflamação

      - Efeito anti-inflamatório e antioxidante: Estudos sugerem que a cetose pode reduzir a inflamação no cérebro, que é associada ao transtorno bipolar.

      - Neurotransmissores: A dieta cetogênica pode influenciar a liberação e a captação de neurotransmissores como o glutamato e o GABA, relacionados ao humor e à ansiedade. A melhora na regulação desses neurotransmissores pode ajudar a reduzir episódios de mania e depressão.

    • Estabilização do Humor - Há algumas evidências preliminares, embora limitadas, de que a dieta cetogênica possa auxiliar na estabilização do humor. Esse efeito pode ser devido ao aumento de corpos cetônicos, que são considerados neuroprotetores e podem estabilizar o humor em pessoas com transtorno bipolar. Contudo, esses estudos ainda são iniciais e não substituem o tratamento convencional com medicamentos estabilizadores de humor, como lítio ou antipsicóticos, que são bem fundamentados para o manejo do transtorno bipolar.

    • Energia e Mitocôndrias - A cetose melhora a eficiência das mitocôndrias (as "fábricas de energia" das células), o que pode ajudar a regular a energia cerebral. Pessoas com transtorno bipolar podem apresentar disfunções mitocondriais, e melhorar o metabolismo energético do cérebro poderia ajudar a aliviar alguns sintomas.

Quais são os efeitos Colaterais e Riscos da dieta cetogênica?

Embora a dieta cetogênica seja relativamente segura para a maioria das pessoas, ela pode causar efeitos colaterais como fadiga, dores de cabeça, constipação e problemas renais e hepáticos em longo prazo. Para pessoas com transtorno bipolar, iniciar a dieta cetogênica sem acompanhamento médico e nutricional pode ser arriscado, pois mudanças metabólicas bruscas podem impactar os níveis de energia e humor.

Quais são os desafios no tratamento do transtorno bipolar?

O tratamento do transtorno bipolar apresenta vários desafios:

  • A dificuldade em diagnosticar a doença, especialmente nos estágios iniciais.

  • A variabilidade dos sintomas e a dificuldade em prever quando os episódios maníacos ou depressivos ocorrerão.

  • A adesão ao tratamento, pois os pacientes podem se sentir bem durante os episódios maníacos e parar de tomar seus medicamentos.

  • Os efeitos colaterais dos medicamentos, que podem ser incômodos e levar à interrupção do tratamento.

O que posso fazer se acho que tenho transtorno bipolar?

Se você acha que pode ter transtorno bipolar, é importante procurar ajuda profissional o mais rápido possível. Um psiquiatra pode avaliar seus sintomas e fazer um diagnóstico preciso. O tratamento precoce pode ajudar a controlar os sintomas e melhorar sua qualidade de vida.

O que posso fazer para ajudar alguém com transtorno bipolar?

Se você conhece alguém com transtorno bipolar, pode ajudá-lo a:

  • Informar-se sobre a doença: aprenda sobre os sintomas, os tratamentos e os desafios do transtorno bipolar.

  • Ser compreensivo e paciente: lembre-se de que o transtorno bipolar é uma doença real e que a pessoa não tem controle sobre seus sintomas.

  • Incentivar a pessoa a procurar ajuda profissional: se você perceber que a pessoa está tendo dificuldades, incentive-a a procurar um psiquiatra ou outro profissional de saúde mental.

  • Oferecer apoio emocional: seja um bom ouvinte e ofereça apoio e encorajamento.

  • Ajudar a pessoa a manter um estilo de vida saudável: incentive-a a ter uma dieta equilibrada, praticar exercícios físicos regularmente e ter um sono adequado.

  • Aprender sobre os sinais de alerta de um episódio maníaco ou depressivo: isso pode ajudar a identificar um episódio em seus estágios iniciais e procurar ajuda profissional rapidamente.

Lembre-se de que o transtorno bipolar é uma condição tratável e que as pessoas com a doença podem levar vidas plenas e gratificantes com o tratamento adequado e o apoio de seus entes queridos.

CONSULTA DE NUTRIÇÃO
Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

Ciclo do 1 carbono e ligação ao ciclo da transsulfuração

O ciclo do 1 carbono refere-se a uma rede de reações bioquímicas nas quais os átomos de carbono de pequenas moléculas são transferidos, em sua forma de grupo metila ou metil (CH₃) ou de outras formas, para diferentes compostos. Este ciclo é central para a produção de metionina, que é um aminoácido essencial, e para a síntese de SAMe (S-adenosilmetionina), que, por sua vez, é utilizado em muitos processos metabólicos, incluindo a metilação do DNA.

As principais funções do ciclo do 1 carbono incluem:

  • Síntese de metionina a partir da homocisteína, usando folato (ácido fólico) e vitamina B12.

  • Produção de SAMe, que é a principal molécula envolvida na doação de grupos metila para várias reações bioquímicas, incluindo a metilação do DNA.

  • Regulação da expressão gênica, pela metilação de resíduos de citosina no DNA, que afeta a expressão de genes.

O ciclo do 1 carbono envolve várias enzimas, sendo as principais:

  1. Metilenotetrahidrofolato redutase (MTHFR)

    • Função: Converte o 5,10-metilenotetrahidrofolato em 5-metiltetrahidrofolato, que é a forma ativa do folato, necessária para a metilação da homocisteína para metionina.

  2. Homocisteína metiltransferase (ou metionina sintase)

    • Função: Usa o 5-metiltetrahidrofolato para converter a homocisteína em metionina, consumindo vitamina B12 como cofator.

  3. Metionina sintase reductase

    • Função: Regenera a forma ativa da metionina sintase (que é necessária para a conversão de homocisteína em metionina) usando NADPH como co-fator. É importante para a manutenção do ciclo.

  4. Cistationina-β-sintase (CBS)

    • Função: Catalisa a conversão de homocisteína e serina em cistationina. Esse é um passo alternativo quando a homocisteína não é metilada para metionina, direcionando-a para a via da cistationina, que pode ser metabolizada para cistina e outros compostos.

  5. Cistationina-γ-liase (CGL)

    • Função: Converte a cistationina em cisteína, liberando amônia. Isso é relevante para o metabolismo da homocisteína fora da via da metionina.

  6. Formiminotetrahidrofolato desidratase/ciclase

    • Função: Envolvida na conversão de formiminotetrahidrofolato para outros derivados do folato, que entram em várias reações do ciclo do 1 carbono, muitas vezes para regenerar formas ativadas do folato.

  7. Dihidrofolato redutase (DHFR)

    • Função: Reduz dihidrofolato (DHF) a tetrahidrofolato (THF), regenerando o folato ativo necessário para as reações do ciclo.

  8. Glicina N-metiltransferase (GNMT)

    • Função: Transfere um grupo metila da SAMe para glicina, o que pode ajudar a regular o ciclo da metilação e o equilíbrio de grupos metila.

As enzimas deste ciclo adicionam ou subtraem um grupo metil de outra molécula para abrir ou fechar vias bioquímicas, para abrir o nosso DNA quando deveria ser lido, ou para fechá-lo quando não seria do nosso interesse descodificar um gene específico. O termo “grupo metil” refere-se a CH3, um átomo de carbono ligado a três hidrogênios.

Precisamos de grupos metil para silenciar o RNA viral, para nos defendermos contra outros micróbios e para nos defendermos contra toxinas ambientais. A metilação ideal é, portanto, mais importante hoje do que era no passado, quando o meio ambiente era menos tóxico.

Um defeito de qualquer gene que codifique as enzimas que participam do ciclo do 1 carbono pode afetar a predisposição a determinadas condições de saúde. Embora não possamos mudar o DNA, concertar defeitos, podemos conhecer os elos mais fracos da genética e buscar "soluções nutricionais alternativas". Por exemplo, podemos usar suplementos que apoiem vias alternativas que influenciam reações de desintoxicação, produção de neurotransmissores ou antioxidantes.

Quanto mais defeitos do ciclo do 1 carbono estiverem presentes no seu genótipo, maior será a sua susceptibilidade à toxicidade e infecção, e maior será o seu risco para estes estados de doenças degenerativas relacionadas com a idade.

Por exemplo, se o seu desafio genético estiver na via de transsulfuração, a abordagem mais importante é a mudança na dieta. A via de transsulfuração é um dos caminhos metabólicos que processam a homocisteína, um aminoácido intermediário, e a convertem em outros compostos sulfurados, como a cistationina, cisteína e glutationa. Essa via está intimamente ligada ao ciclo do 1 carbno, apesar de não ser parte direta dele. É um caminho complementar, particularmente importante para a eliminação do excesso de homocisteína no organismo e para a produção de compostos com propriedades antioxidantes e detoxificantes.

A transsulfuração envolve principalmente duas enzimas-chave: cistationina-β-sintase (CBS) e cistationina-γ-liase (CGL). Estas enzimas convertem a homocisteína em cistationina, e a cistationina, por sua vez, é convertida em cisteína.

Funções e importância da via de transsulfuração:

A transsulfuração ajuda a reduzir os níveis de homocisteína no sangue, convertendo-a em compostos úteis, como a cisteína. Níveis elevados de homocisteína estão associados a riscos aumentados de doenças cardiovasculares, por isso essa via desempenha um papel essencial na saúde cardiovascular.

A cisteína gerada pela transsulfuração é um precursor importante da glutationa, um tripeptídeo formado por glutamato, cisteína e glicina. A glutationa é um dos principais antioxidantes do organismo e tem um papel fundamental na proteção celular contra o estresse oxidativo e na detoxificação de substâncias tóxicas.

A cisteína também é usada para a síntese de outras moléculas contendo enxofre, como coenzima A e sulfato, que são essenciais para diversas funções metabólicas.

Regulação da via de transsulfuração:

Deficiências de vitamina B6 podem levar a distúrbios no metabolismo de homocisteína e afetar a função da via de transsulfuração. O piridoxal 5'-fosfato, a forma ativa da vitamina B6, é um cofator essencial para a enzima cistationina-β-sintase (CBS).

A genômica permite individualização, é baseada na análise do código genético único, é o futuro da nutrição de precisão. O primeiro passo é obter seus dados genômicos. O segundo passo é a análise dos resultados. Se precisar de ajuda, marque aqui sua consulta.

ESTUDE COMIGO
Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

Instabilidade genômica na esquizofrenia e autismo

Instabilidade do genoma é um termo amplo que abrange qualquer forma de mudança genética, desde mudanças de pares de bases, pequenas inserções, deleções ou inversões, até mudanças em larga escala, como translocações, duplicações segmentares e perda ou duplicação de cromossomos inteiros.

Evidências crescentes vinculam instabilidade genômica e epigenômica, incluindo múltiplas regiões de sítios frágeis, a doenças neuropsiquiátricas, incluindo esquizofrenia e autismo. O câncer é a única outra doença associada a múltiplas regiões de sítios frágeis, e a instabilidade genômica e epigenômica é uma característica do câncer. A pesquisa sobre câncer é muito mais avançada do que a pesquisa sobre doenças neuropsiquiátricas; portanto, a percepção sobre doenças neuropsiquiátricas pode ser derivada dos resultados da pesquisa sobre câncer.

Um artigo publicado em 2010 revisou as evidências que vinculam esquizofrenia e outras doenças neuropsiquiátricas (especialmente autismo) à instabilidade genômica e epigenômica e sítios frágeis. Os resultados de estudos sobre componentes genéticos, epigenéticos e ambientais da esquizofrenia e do autismo apontam para a importância do centro metabólico de transulfuração de folato-metionina que também é perturbado no câncer. A ideia de que o centro de transulfuração de folato-metionina é importante na neuropsiquiatria é animadora porque esse centro apresenta novos alvos para o desenvolvimento de medicamentos e intervenções nutricionais capazes de reduzir a gravidade, apresentação ou dinâmica destes transtornos.

APRENDA GENÔMICA NUTRICIONAL
Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/