Calcitriol, a forma ativa da vitamina D

A 1,25-dihidroxivitamina D (1,25(OH)₂D), também conhecida como calcitriol, é a forma ativa da vitamina D no organismo e desempenha um papel crucial em várias funções fisiológicas, incluindo a regulação do metabolismo do cálcio e a modulação do sistema imunológico.

Principais mecanismos de ação da 1,25(OH)₂D

  1. Ligação ao Receptor de Vitamina D (VDR): A 1,25(OH)₂D se liga ao VDR, que é um receptor nuclear presente em várias células do corpo, incluindo células do sistema imunológico, células intestinais, células ósseas e células musculares. Após a ligação, o complexo 1,25(OH)₂D-VDR se dimeriza com o receptor de retinoide X (RXR) e se liga a regiões específicas do DNA, chamadas de elementos de resposta à vitamina D (VDRE), regulando a transcrição de genes-alvo.

    2. Regulação da Transcrição Gênica: A ativação do VDR leva à regulação da expressão de genes que estão envolvidos em várias funções, incluindo a absorção de cálcio e fósforo, a mineralização óssea e a modulação da resposta inflamatória. A 1,25(OH)₂D aumenta a produção de proteínas como a calbindina, que ajuda na absorção de cálcio no intestino, e outras proteínas que modulam a função imunológica.

    3. Efeitos no Sistema Imunológico: A 1,25(OH)₂D influencia a função de várias células do sistema imunológico, incluindo macrófagos, células dendríticas e linfócitos T. Isso pode resultar em uma resposta imunológica mais equilibrada, com potencial para reduzir a inflamação. A 1,25(OH)₂D pode aumentar a produção de citocinas anti-inflamatórias (como a IL-10) e inibir a produção de citocinas pró-inflamatórias (como a IL-6 e o TNF-alfa).

    4. Efeitos na Saúde Óssea e Metabólica: A 1,25(OH)₂D aumenta a absorção intestinal de cálcio e fósforo, essenciais para a mineralização óssea. A vitamina D também modula a atividade de osteoblastos (células formadoras de osso) e osteoclastos (células responsáveis pela reabsorção óssea).

  2. 5. Efeitos em Outros Sistemas: Há evidências sugerindo que a 1,25(OH)₂D pode ter um papel na saúde cardiovascular, influenciando a função vascular e a pressão arterial. A vitamina D também pode interagir com hormônios e influenciar a função endócrina, incluindo a secreção de insulina.

O marcador padrão para controle da 1,25 vitamina D é o PTH. Quanto maior os níveis de 1,25 vitamina menor o PTH. A chamada função PTH não dependente significa que algumas células são capazes de converter a 25 vitamina D em 1,25 vitamina D independente do PTH principalmente o sistema imunológico. Porém, existe a função PTH dependente cuja principal função é o controle do cálcio.

A supressão do PTH aumenta os níveis do cálcio sérico. Contudo, a maior reserva de cálcio está nos ossos cerca de 1200 gramas nos adultos.

Na maioria da vezes dosamos a 25 vitamina D na forma inativa. Porém, o PTH esta relacionado a forma ativa 1,25 vitamina D. PTH alto exige maior suplementação de vitamina D. Apenas temos que tomar cuidado pois o PTH muito baixo pode expoliar cálcio dos ossos e predispor a osteopenia. Exames constantes são importantes.

O livro de Michael F. Holick, "Vitamina D", é considerado uma referência essencial sobre o tema. Ele oferece informações detalhadas sobre a importância da vitamina D, como obtê-la e como ela pode melhorar a saúde.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

Vitamina D e câncer

A vitamina D tem mostrado um grande potencial na redução do risco e progressão do câncer. Seus efeitos anticancerígenos estão relacionados a vários mecanismos, incluindo suas interações com o supressor tumoral p53 (o guardião do DNA) e a via de sinalização Wnt/β-catenina, ambas cruciais na regulação do crescimento celular, proliferação e apoptose. Aqui está uma explicação detalhada desses mecanismos:

1. Vitamina D e seu Receptor (VDR)

A vitamina D, especificamente na sua forma ativa 1,25-dihidroxivitamina D3 (calcitriol), exerce seus efeitos biológicos ao se ligar ao receptor de vitamina D (VDR), um receptor nuclear. Esse complexo regula a expressão de vários genes envolvidos na diferenciação celular, proliferação e apoptose.

A vitamina D promove a diferenciação das células, impedindo que proliferem em um estado indiferenciado e potencialmente cancerígeno. A vitamina D regula o ciclo celular, geralmente interrompendo-o na fase G1, o que evita o crescimento celular descontrolado, uma característica do câncer. Ao estimular a via apoptótica, a vitamina D ajuda a eliminar células danificadas ou mutadas antes que se tornem malignas. Como a inflamação crônica está ligada ao câncer, a capacidade da vitamina D de reduzir a inflamação ajuda a diminuir o risco de câncer.

2. Vitamina D e p53

O p53 é uma proteína supressora de tumores crucial, frequentemente chamada de "guardião do genoma" por seu papel em prevenir a instabilidade genômica. Ele atua induzindo a reparação do DNA, a parada do ciclo celular ou a apoptose em resposta a danos no DNA.

A sinalização da vitamina D/VDR aumenta a atividade do p53, reforçando suas funções de supressão tumoral. Isso inclui a regulação positiva dos genes alvo do p53, envolvidos na reparação do DNA e na apoptose.

Estudos mostram que a vitamina D pode aumentar a estabilidade e expressão do p53, melhorando os mecanismos de prevenção do câncer. Um dos principais alvos do p53 é o p21, um inibidor de cinase dependente de ciclinas que controla o ciclo celular. A vitamina D regula o p21, contribuindo ainda mais para a parada do ciclo celular e redução do crescimento tumoral.

Em muitos cânceres, o p53 é mutado, o que muitas vezes contribui para o crescimento celular descontrolado. A vitamina D tem o potencial de reduzir o acúmulo de proteínas p53 mutantes, o que pode dificultar a progressão de cânceres impulsionados por mutações no p53.

3. Vitamina D e β-catenina (Sinalização Wnt/β-catenina)

A via de sinalização Wnt/β-catenina desempenha um papel crucial na embriogênese e na homeostase tecidual. No entanto, a ativação aberrante dessa via está implicada no desenvolvimento de câncer, especialmente no câncer colorretal.

A via Wnt/β-catenina é rigidamente regulada pela vitamina D. Quando essa via está superativada, a β-catenina se acumula no núcleo, onde ativa a transcrição de genes envolvidos na proliferação celular e sobrevivência, promovendo o crescimento do câncer.

A vitamina D (por meio do VDR) interage com a β-catenina para impedir sua acumulação no núcleo. Isso reduz a transcrição de genes que impulsionam a proliferação celular e o crescimento tumoral.

O VDR compete com os fatores de transcrição TCF/LEF pela ligação à β-catenina, reduzindo a atividade transcricional da β-catenina. A vitamina D também ajuda a manter a expressão de E-caderina, uma molécula de adesão celular que sequestra a β-catenina na membrana celular. Isso limita a disponibilidade de β-catenina para se translocar para o núcleo, inibindo ainda mais seu potencial oncogênico.

4. Interação entre p53 e β-catenina

Há evidências de interação entre p53 e a via Wnt/β-catenina no câncer. O p53 pode inibir a sinalização da β-catenina, enquanto a β-catenina pode modular a atividade do p53, criando um ciclo de retroalimentação.

O efeito combinado da vitamina D em ambas as vias ajuda a reforçar as ações de supressão tumoral, pois aumenta a função do p53 e inibe os efeitos pró-proliferativos da β-catenina. Essa ação dupla é significativa na contenção da progressão do câncer.

O livro de Michael F. Holick, "Vitamina D", é considerado uma referência essencial sobre a vitamina D. Ele oferece informações detalhadas sobre a importância este hormônio e como ele melhorar a saúde de todos.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

Síntese de vitamina D

Michael F. Holick é um renomado endocrinologista americano especializado em vitamina D. Ele é considerado uma das principais autoridades mundiais no assunto e tem feito contribuições significativas para a compreensão da importância da vitamina D para a saúde humana.

Aqui estão algumas de suas principais contribuições:

  • Descoberta da Forma Ativa da Vitamina D: Holick identificou a 1,25-dihidroxivitamina D como a forma ativa da vitamina D, responsável por regular o metabolismo do cálcio e fósforo no organismo.

  • Estudo da Síntese Cutânea de Vitamina D: Ele investigou em profundidade como a exposição à luz solar UVB na pele converte o colesterol em vitamina D3, destacando a importância da exposição solar adequada para a produção de vitamina D.

  • Influência de Fatores Ambientais na Síntese de Vitamina D: Holick estudou como fatores como a latitude, estação do ano, hora do dia, pigmentação da pele e uso de protetor solar afetam a síntese de vitamina D na pele.

  • Promoção da Importância da Vitamina D: Ele tem sido um defensor ativo da importância da vitamina D para a saúde óssea, imunológica e geral. Seus livros e artigos científicos têm ajudado a conscientizar o público e os profissionais de saúde sobre a necessidade de níveis adequados de vitamina D.

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Enzimas na Síntese da Vitamina D e Fatores Genéticos Limitantes

A síntese da vitamina D é um processo complexo que envolve diversas etapas e a participação de diferentes enzimas. A vitamina D, na sua forma ativa, desempenha um papel crucial na regulação do cálcio e fósforo no organismo, sendo essencial para a saúde dos ossos, músculos e sistema imunológico.

As Principais Enzimas Envolvidas

  • 7-deidrocolesterol redutase: Essa enzima catalisa a conversão do 7-deidrocolesterol em pré-vitamina D3 na pele, em resposta à exposição à radiação UVB.

  • 25-hidroxilase: Localizada principalmente no fígado, essa enzima converte a vitamina D em 25-hidroxivitamina D (calcidiol), a forma de armazenamento da vitamina D no organismo.

  • 1α-hidroxilase: Encontrada principalmente nos rins, essa enzima converte o calcidiol em 1,25-dihidroxivitamina D (calcitriol), a forma ativa da vitamina D.

Fatores Genéticos Limitantes na Síntese da Vitamina D

Várias variações genéticas podem afetar a atividade dessas enzimas e, consequentemente, a produção de vitamina D ativa. Alguns dos fatores genéticos que podem limitar a síntese de vitamina D incluem:

  • Polimorfismos nos genes das enzimas: Mutações nos genes que codificam as enzimas envolvidas na síntese da vitamina D podem levar à redução da atividade enzimática e, consequentemente, a níveis baixos de vitamina D.

  • Polimorfismos nos genes dos receptores de vitamina D: Variações genéticas nos receptores de vitamina D podem afetar a sensibilidade das células à vitamina D ativa, mesmo quando os níveis sanguíneos estão adequados.

  • Polimorfismos em genes relacionados ao metabolismo do cálcio e fósforo: Genes envolvidos na regulação do cálcio e fósforo também podem influenciar a produção de vitamina D, pois os níveis desses minerais estão intimamente ligados à ativação da vitamina D.

Consequências da Deficiência de Vitamina D de Origem Genética

A deficiência de vitamina D causada por fatores genéticos pode levar a diversas consequências para a saúde, como:

  • Raquitismo em crianças: Caracterizado por ossos fracos e deformidades.

  • Osteomalacia em adultos: Caracterizada por amolecimento dos ossos.

  • Osteoporose: Aumento do risco de fraturas.

  • Doenças autoimunes: A vitamina D desempenha um papel importante na regulação do sistema imunológico.

  • Câncer: Alguns estudos sugerem uma associação entre a deficiência de vitamina D e o risco de desenvolver certos tipos de câncer.

Diagnóstico e Tratamento

O diagnóstico da deficiência de vitamina D de origem genética pode ser feito através de testes genéticos e da dosagem de vitamina D no sangue. O tratamento geralmente envolve a suplementação de vitamina D, mas a dose e a duração do tratamento devem ser individualizadas e acompanhadas por um médico.

Em resumo, a síntese da vitamina D é um processo complexo influenciado por diversos fatores, incluindo fatores genéticos. A identificação de variações genéticas que afetam a produção de vitamina D pode ajudar a entender melhor as causas da deficiência de vitamina D e a desenvolver estratégias de tratamento mais personalizadas. Aprenda mais aqui.

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