O que são produtos bioterapêuticos vivos?

Produtos bioterapêuticos vivos (PBV) são uma classe promissora e emergente de agentes terapêuticos que utilizam microrganismos vivos, como bactérias, vírus ou fungos, para prevenir ou tratar várias doenças. Dependendo do tipo de PBV, alvo da doença e via de administração, os PBV exercem seus efeitos terapêuticos por meio de vários mecanismos de maneiras complexas e múltiplas — por meio da modulação da microbiota intestinal, regulação de respostas imunológicas, produção de substâncias antimicrobianas e aprimoramento das funções de barreira no corpo após o enxerto. As aplicações clínicas dos PBV incluem distúrbios gastrointestinais (por exemplo, doença inflamatória intestinal [DII] e síndrome do intestino irritável [SII]), distúrbios metabólicos (por exemplo, obesidade e diabetes), doenças infecciosas (por exemplo, infecção recorrente por Clostridioides difficile [rCDI]), condições de saúde mental (por exemplo, depressão e ansiedade) e certos tipos de câncer. Os desafios contínuos incluem padronização ideal durante a formulação de PBV (por exemplo, estabilidade e viabilidade de microrganismos vivos durante a fabricação, armazenamento e entrega), estabelecimento de regimes de dosagem ideais, compreensão das interações complexas entre PBV e microbiota humana específica do tecido e abordagem de potenciais sinais de segurança após o transplante.

O cenário regulatório para PBV ainda está evoluindo com o desenvolvimento de novas diretrizes delineando requisitos para estudos pré-clínicos e clínicos, processos de fabricação, controle de qualidade e vigilância pós-comercialização. Em 2012, a Food and Drug Administration (FDA) dos EUA publicou a primeira orientação para o desenvolvimento de PBV, que foram definidos como produtos biológicos que: 1) contêm organismos vivos; 2) são aplicáveis ​​ao tratamento, prevenção ou cura de uma doença e; 3) não são uma vacina. Onze anos depois, os primeiros PBV foram aprovados pela FDA dos EUA para comercialização.

Produtos Bioterapêuticos Vivos Aprovados pelo FDA ( equivalente da Anvisa nos EUA):

1) Bifidobacterium longum subsp. infantis (B. infantis), da marca Evivo

Uso: Suplemento probiótico usado principalmente para promover a saúde intestinal em bebês.

2) Lactobacillus rhamnosus GG, da marca Culturelle

Uso: Suplemento probiótico usado para melhorar a saúde intestinal e prevenir diarreia associada a antibióticos e outros distúrbios gastrointestinais.

3) Saccharomyces boulardii , da Marca Florastor

Uso: Suplemento probiótico usado para tratar e prevenir diarreia associada a antibióticos, bem como para manter a saúde gastrointestinal geral.

Além dos produtos aprovados e amplamente utilizados, há vários PBV que estão em fases de testes clínicos ou em uso emergente para tratar condições específicas:

a) SER-109, da Seres Therapeutics

Indicação: Tratamento para infecções recorrentes por Clostridium difficile (C. difficile).

Status: Em fases avançadas de testes clínicos e considerado promissor para aprovação futura.

b) RBX2660, da Rebiotix (uma empresa Ferring Pharmaceuticals)

Indicação: Tratamento para infecções recorrentes por C. difficile.

Status: Em estudo clínico de fase 3, com bons resultados preliminares.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

Remédios que causam prisão de ventre

Várias medicações podem causar constipação como efeito colateral. É importante estar ciente dessas medicações e discutir com um profissional de saúde se você estiver enfrentando problemas de constipação. Aqui estão algumas categorias de medicações conhecidas por causar constipação:

Analgésicos Opiáceos

- Exemplos: Morfina, codeína, oxicodona, hidrocodona, fentanil.

- Mecanismo: Eles diminuem a motilidade intestinal e aumentam a absorção de água, resultando em fezes mais secas e duras.

Antidepressivos

- Exemplos: Amitriptilina, nortriptilina (antidepressivos tricíclicos), paroxetina (inibidores seletivos da recaptação de serotonina).

- Mecanismo: Podem afetar os neurotransmissores que regulam a motilidade intestinal.

Antiácidos contendo Alumínio e Cálcio

- Exemplos: Hidróxido de alumínio, carbonato de cálcio.

- Mecanismo: Esses compostos podem neutralizar o ácido gástrico, mas também tendem a retardar a motilidade intestinal.

Anticolinérgicos

- Exemplos: Atropina, escopolamina, medicamentos para incontinência urinária (como oxibutinina).

- Mecanismo: Bloqueiam a ação da acetilcolina, um neurotransmissor que estimula a motilidade intestinal.

Anti-histamínicos

- Exemplos: Difenidramina, loratadina.

- Mecanismo: Têm efeitos anticolinérgicos que podem retardar a motilidade intestinal.

Medicamentos Anti-hipertensivos

- Exemplos: Verapamil (bloqueadores dos canais de cálcio), clonidina.

- Mecanismo: Alguns reduzem a contração dos músculos lisos no intestino.

Diuréticos

- Exemplos: Furosemida, hidroclorotiazida.

- Mecanismo: Podem causar desidratação e perda de eletrólitos, levando a fezes mais duras.

Anticonvulsivantes

- Exemplos: Fenitoína, carbamazepina.

- Mecanismo: Podem afetar a função neuromuscular no intestino.

Medicamentos para Parkinson

- Exemplos: Levodopa-carbidopa.

- Mecanismo: Podem afetar a função autonômica, incluindo a motilidade intestinal.

Suplementos de Ferro

- Exemplos: Sulfato ferroso, gluconato ferroso.

- Mecanismo: O ferro pode irritar o revestimento intestinal e retardar a motilidade.

Antiespasmódicos

- Exemplos: Diciclomina, hiosciamina.

- Mecanismo: Reduzem a motilidade intestinal, contribuindo para a constipação.

Medicamentos Antipsicóticos

- Exemplos: Clozapina, olanzapina.

- Mecanismo: Têm efeitos anticolinérgicos que podem retardar a motilidade intestinal.

Outros

- Exemplos: Anticoncepcionais hormonais, estatinas, beta-bloqueadores.

- Mecanismo: Diversos mecanismos dependendo do tipo de medicamento, podendo incluir desidratação ou alteração na função muscular intestinal.

Atenção

Nunca interrompa ou altere a dosagem de qualquer medicação sem orientação médica. Hidrate-se bem. Inclua mais fibras na sua dieta (frutas, vegetais, grãos integrais). Exercite-se regularmente.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

Síndrome de Ehlers-Danlos (EDS) e Autismo

Algumas pesquisas sugerem uma potencial conexão entre a síndrome de Ehlers-Danlos (SED) e o transtorno do espectro autista (TEA). A SED é um grupo de distúrbios do tecido conjuntivo caracterizados por hipermobilidade das articulações, hiperextensibilidade da pele e fragilidade dos tecidos. Existem vários subtipos, cada um com características específicas e causas genéticas.

O TEA é um transtorno do desenvolvimento que afeta a comunicação, o comportamento e a interação social. É uma condição de espectro, o que significa que seu impacto pode variar de leve a grave. Há algumas evidências que sugerem que podem existir fatores genéticos comuns que contribuem tanto para a SED quanto para o TEA.

Foi observado que indivíduos com SED podem ter uma prevalência maior de transtornos do neurodesenvolvimento, incluindo TEA, em comparação com a população geral. Mulheres com SED também possuem uma chance maior de ter um filho no espectro autista. Isso sugere uma potencial comorbidade ou associação entre as duas condições. Alguns sintomas da SED, como dificuldades proprioceptivas (problemas com percepção espacial e coordenação) e problemas de processamento sensorial, podem se sobrepor com sintomas comumente vistos em indivíduos com TEA. Isso pode contribuir para a associação observada entre as duas condições. Mais estudos são necessários para entender melhor os mecanismos por trás da potencial associação, identificar quaisquer fatores genéticos compartilhados e determinar a melhor forma de gerenciar e apoiar indivíduos com ambas as condições.

Casanova, E. L., Baeza-Velasco, C., Buchanan, C. B., & Casanova, M. F. (2020). The Relationship between Autism and Ehlers-Danlos Syndromes/Hypermobility Spectrum Disorders. Journal of personalized medicine, 10(4), 260. https://doi.org/10.3390/jpm10040260

Casanova E.L., Sharp J.L., Edelson S.M., Kelly D.P., Sokhadze E.M., Casanova M.F. (2020) Immune, autonomic, and endocrine dysregulation in autism and Ehlers-Danlos syndrome/hypermobility spectrum disorders versus unaffected controls. J. Reatt. Ther. Dev. Divers.2:82–95.

Kindgren, E., Quiñones Perez, A., & Knez, R. (2021). Prevalence of ADHD and Autism Spectrum Disorder in Children with Hypermobility Spectrum Disorders or Hypermobile Ehlers-Danlos Syndrome: A Retrospective Study. Neuropsychiatric disease and treatment, 17, 379–388. https://doi.org/10.2147/NDT.S290494

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/