A relação entre nutrição e transtorno do espectro autista (TEA) é complexa e ainda está sob investigação, mas pesquisas sugerem que a dieta materna durante a gravidez pode influenciar o risco de desenvolver TEA nos filhos. Certos nutrientes na dieta materna foram associados a um risco aumentado ou diminuído de TEA [1].
A deficiência materna de vitamina D durante a gravidez está associada a um risco aumentado de autismo nos filhos. Estudos indicam que baixos níveis de vitamina D podem perturbar a microbiota intestinal, o que pode contribuir para comportamentos relacionados ao autismo em modelos animais [2].
Um estudo descobriu que, embora os níveis maternos de vitamina D não estivessem geralmente associados a pontuações de autismo, níveis baixos (<49 nmol/L) estavam associados a pontuações mais altas em certas características relacionadas ao autismo [3].
Em relalão à vitamina B9, embora a administração pré-natal de folato não reduza o risco de autismo, ela impacta significativamente a expressão de genes relacionados ao autismo em estudos com animais [4].
Um estudo realizado na Palestina indicou deficiências graves de ferro, zinco e vitaminas (incluindo B12 e ácido fólico) entre mulheres grávidas, o que pode contribuir para distúrbios do neurodesenvolvimento, incluindo autismo [5].
Crianças com TEA frequentemente apresentam seletividade alimentar e dietas limitadas, o que pode levar a deficiências ou excessos nutricionais. Esse comportamento alimentar atípico está relacionado ao agravamento dos sintomas do TEA [6].
Alguns estudos indicam que intervenções nutricionais específicas, como aumentar a ingestão de certos nutrientes, podem ajudar a reduzir os sintomas e as comorbidades associadas ao autismo. No entanto, a eficácia dessas intervenções varia e requer investigação adicional para entendermos melhor os subgrupos mais vulneráveis [7].
Várias intervenções dietéticas, incluindo dietas sem glúten/caseína e cetogênicas, mostraram-se promissoras na melhoria dos aspectos clínicos do autismo, embora as evidências permaneçam mistas e mais ensaios clínicos randomizados sejam necessários para confirmar esses efeitos [8].
Referências
1) S Peretti et al. Diet: the keystone of autism spectrum disorder?. Nutritional neuroscience (2018). https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29669486/
2) J Cui et al. Induction of autism-related behavior in male mice by early-life vitamin D deficiency: association with disruption of the gut microbial composition and homeostasis. Food & function (2024). https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38533674/
3) AJ Whitehouse et al. Maternal vitamin D levels and the autism phenotype among offspring. Journal of autism and developmental disorders (2012). https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/23070790/
4) M Gogou et al. Nutritional Supplements During Gestation and Autism Spectrum Disorder: What Do We Really Know and How Far Have We Gone?. Journal of the American College of Nutrition (2019). https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31318329/
5) M Altamimi et al. Could Autism Be Associated With Nutritional Status in the Palestinian population? The Outcomes of the Palestinian Micronutrient Survey. Nutrition and metabolic insights (2018). https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29773950/
6) NH Almohmadi et al. Brain-gut-brain axis, nutrition, and autism spectrum disorders: a review. Translational pediatrics (2024). https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/39399706/
7) T ElObeid et al. Importance of Nutrition Intervention in Autistic Patients. Advances in neurobiology (2020). https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32006372/
8) M Gogou et al. [Is there place for nutrition in the treatment of children with autism spectrum disorder?]. Psychiatrike = Psychiatriki (2020). https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32544077/