Conheça mais um mecanismo epigenético: a lactilação

A lactilação é uma modificação pós-traducional dependente do metabolismo que liga diretamente a glicólise à regulação transcricional.

1. Origem metabólica

  • A glicólise converte glicose em piruvato, posteriormente reduzido a lactato via LDH.

  • O lactato intracelular acumula-se em condições de alta taxa glicolítica ou hipóxia.

  • Esse lactato atua como precursor de grupos lactil (lactil-CoA ou vias intermediárias como lactoilglutationa).

Neste caso, o lactato deixa de ser resíduo metabólico e passa a sinalizador epigenético.

2. Reação de lactilação

  • O grupo lactil é adicionado covalentemente a resíduos de lisina em histonas e proteínas não histônicas.

  • Enzimas “writers” como p300 catalisam a transferência; “erasers” (ex. HDAC1–3) removem a modificação.

Resultado molecular: formação de marcas como H3K18la e H3K23la.

3. Efeito sobre a cromatina

  • A lactilação altera a carga da lisina → reduz interação histona-DNA.

  • Promove maior acessibilidade da cromatina em regiões regulatórias.

  • Ativa enhancers e promotores gênicos.

Consequência: favorece um estado transcricional permissivo.

4. Regulação da expressão gênica

  • Aumenta expressão de genes associados a:

    • metabolismo glicolítico

    • diferenciação celular

    • resposta inflamatória e adaptação hipóxica

  • Atua como sensor metabólico, acoplando disponibilidade energética à transcrição.

5. Integração metabolismo–epigenoma

  • Fluxo glicolítico elevado → ↑ lactato → ↑ lactilação → reprogramação gênica

  • Cria loops positivos em estados como:

    • diferenciação celular

    • tumorigênese

    • resposta imune

A lactilação funciona como nó integrador entre metabolismo, cromatina e sinalização celular.

6. Implicações biológicas

  • Desenvolvimento embrionário e plasticidade celular

  • Polarização de macrófagos e imunomodulação

  • Progressão tumoral e resistência terapêutica

A lactilação é um mecanismo epigenético dependente de lactato que traduz o estado metabólico da célula em alterações estruturais da cromatina, modulando diretamente a expressão gênica e permitindo adaptação funcional em contextos fisiológicos e patológicos.

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Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/