Como cetonas limpam o cérebro?

Cetonas são substâncias produzidas pelo fígado durante as dietas com baixo teor de carboidratos. Possuem múltiplos efeitos metabólicos e moleculares que favorecem a manutenção e restauração da homeostase cerebral, especialmente em contextos de estresse metabólico e neurodegeneração. A fisiologia subjacente envolve metabolismo energético, regulação de estresse oxidativo, sinalização celular e mecanismos de proteostase.

Mecanismos principais

1) Substituição de combustível e otimização metabólica

  • As cetonas (principalmente β-hidroxibutirato e acetoacetato) entram no cérebro através de transportadores monocarboxilatos (MCTs) e são oxidadas nas mitocôndrias, gerando acetil-CoA para o ciclo de Krebs e fosforilação oxidativa. Isso fornece ATP de forma eficiente quando a glicose está limitada ou hipometabólica.

  • A utilização de cetonas diminui a necessidade de glicólise e pode reduzir a produção de espécies reativas de oxigénio (ROS) porque a fosforilação oxidativa de cetonas é mais eficiente em termos de relação ATP/oxigénio do que o metabolismo da glicose.

2) Redução do estresse oxidativo e inflamação

  • Cetonas modulam vias celulares que reduzem ROS e sinais pró-inflamatórios, incluindo ativação de fatores antioxidantes e inibição de inflamassomas como o NLRP3.

  • Elas também influenciam a expressão de genes antioxidantes por meio de sinalização epigenética (por exemplo, modulação de HDAC ou sirtuínas), aumentando a resistência ao estresse oxidativo.

3) Modulação de autofagia e “limpeza” de proteínas danificadas

  • Há evidência emergente de que β-hidroxibutirato facilita a autofagia e a biogênese lisossomal, mecanismos celulares de degradação e reciclagem de proteínas e organelos disfuncionais, crucial para remover agregados proteicos e detritos celulares.

  • Estudos pré-clínicos (evidência recente) mostram que cetonas podem alterar a solubilidade de proteínas mal dobradas, facilitando sua eliminação por vias de autofagia/lysossomal, reduzindo agregados associados a neurodegeneração.

4) Regulação de vias de sobrevivência celular e sinalização

  • Cetonas ativam sensores metabólicos como SIRT1/AMPK/PGC-1α, promovendo biogênese mitocondrial e melhorando a capacidade oxidativa das mitocôndrias.

  • Elas também influenciam neurotransmissão e equilíbrio excitador/inibitório (ex: GABA/glutamato), o que pode limitar excitotoxicidade neuronal.

5) Redução de neuroinflamação e suporte glial

  • Ao suprimir ativação microglial pró-inflamatória e promover fenótipos anti-inflamatórios, cetonas ajudam a reduzir sinais inflamatórios crónicos que contribuem para disfunção neuronal.

Resumindo, as cetonas melhoram a eficiência energética mitocondrial, reduzem estresse oxidativo, ativam vias de detoxificação e autofagia, e modulam respostas inflamatórias e epigenéticas. Esses efeitos combinados promovem a manutenção e remoção de componentes intracelulares danificados e proteicos através de mecanismos celulares de qualidade proteica e metabolismo energético favorável, o que tem sido interpretado como um “efeito de limpeza” neuroprotectivo em contextos patológicos.

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Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/