O papel da neurotransmissão serotoninérgica em várias condições neuropsiquiátricas atraiu atenção significativa na literatura recente. Uma variedade de estudos explorou as implicações da desregulação da serotonina em transtornos como transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), enxaqueca e síndrome de Rett, destacando a complexidade das interações da serotonina com outros sistemas neurotransmissores.
Em relação às causas, fatores genéticos como alteração de DNAJC12 podem levar à neurotransmissão serotoninérgica prejudicada, vinculando distúrbios metabólicos à desregulação da serotonina. Essa conexão ressalta a importância de compreender as vias bioquímicas que influenciam os níveis de serotonina e suas implicações mais amplas para a saúde mental (Porta et. al., 2023).
Também existem evidências do envolvimento de vias serotoninérgicas no TOC, sugerindo que a desregulação neste sistema pode contribuir para a fisiopatologia do transtorno. No entanto, também há a importância de outros sistemas neurotransmissores, incluindo as vias GABAérgica e dopaminérgica, indicando uma abordagem multifacetada para a compreensão do TOC (Szejko et. al., 2020).
Younis e colaboradores (2021) discutem o papel da neurotransmissão serotoninérgica na ponte (protuberância do tronco encefálico), particularmente em relação à modulação da dor em pacientes com enxaqueca. O estudo enfatiza a interconexão dos sistemas glutamatérgico e serotoninérgico na transmissão sensorial, complicando ainda mais a compreensão do papel da serotonina na dor e nos transtornos de humor.
No contexto da síndrome de Rett, Dai e colaboradores (2022) demonstram que o tratamento com um agonista do receptor 5-HT1A pode melhorar os fenótipos associados ao transtorno, resgatando deficiências na neurotransmissão serotoninérgica. Isso sugere que a modulação direcionada dos receptores de serotonina pode oferecer potencial terapêutico em condições caracterizadas pela desregulação do neurotransmissor.
Pesquisas estão sendo desenvolvidas sobre os efeitos ansiolíticos das chalconas sintéticas, que parecem modular a neurotransmissão GABAérgica e serotoninérgica no peixe-zebra. As chalconas são um grupo de compostos precursores na biossíntese de flavonóides e constituem uma das maiores classes de compostos naturais abundantes de interesse medicinal (Awad et al., 2017). O intuito é o desenvolvimento de novos novos compostos para influenciar as vias da serotonina, contribuindo para o controle da ansiedade (Mendes et. al., 2023)
O impacto das intervenções farmacológicas nos sistemas serotoninérgicos também é evidente no trabalho de Estévez-Cabrera e colaboradores (2023), que investiga os efeitos da fluoxetina, um antidepressivo amplamente utilizado. Suas descobertas indicam que o tratamento com fluoxetina pode induzir alterações nos níveis de neurotransmissores e microRNAs circulantes, apoiando ainda mais o papel da serotonina na regulação do humor.
Os efeitos do valproato nas concentrações de neurotransmissores destaca a influência do medicamento na transmissão serotoninérgica em várias regiões do cérebro, sugerindo que agentes farmacológicos podem restaurar o equilíbrio em sistemas neurotransmissores interrompidos por condições como epilepsia (Wisłowska-Stanek et. al., 2024).
Em resumo, a literatura indica que a neurotransmissão serotoninérgica desempenha um papel crítico em vários transtornos neuropsiquiátricos, com evidências apoiando sua desregulação em condições como TOC, enxaqueca e síndrome de Rett. A interação entre a serotonina e outros sistemas neurotransmissores, bem como o potencial para modulação farmacológica, apresenta um caminho promissor para pesquisas futuras e desenvolvimento terapêutico.
Citações:
[1] https://www.paperdigest.org/paper/?paper_id=doi.org_10.3389_fpsyt.2020.00681
[2] https://www.paperdigest.org/paper/?paper_id=pubmed-34619653
[3] https://www.paperdigest.org/paper/?paper_id=pubmed-35795688
[4] https://www.anais.ueg.br/index.php/cepe/article/view/10204/7582
[5] https://www.paperdigest.org/paper/?paper_id=doi.org_10.3390_ijms232214025
[6] https://www.paperdigest.org/paper/?paper_id=doi.org_10.1080_07391102.2023.2167116
[7] https://www.paperdigest.org/paper/?paper_id=pubmed-36852042
[8] https://www.paperdigest.org/paper/?paper_id=pubmed-36897462
[9] https://www.paperdigest.org/paper/?paper_id=pubmed-38465699
[10] https://www.paperdigest.org/paper/?paper_id=pubmed-38519733
[11] https://www.paperdigest.org/paper/?paper_id=pubmed-39798539