A progesterona é um hormônio sexual primário produzido nos ovários na segunda metade do ciclo menstrual da mulher, após a ovulação (fase lútea). Está associada a um bom humor, sono profundo, ossos e pele saudáveis. Também é importante para ciclos regulares e menstruação saudável.
O que causa redução da progesterona?
Níveis baixos de progesterona podem ser causados por baixa produção durante a juventude da mulher (primeiros anos após a menarca) ou são resultado de um declínio natural, já que a produção ovariana diminui durante a perimenopausa e a menopausa.
Sintomas da queda de progesterona
Ciclo menstrual encurtado
O ciclo menstrual médio dura de 28 a 30 dias. Ciclos com menos de 26 dias podem indicar baixa progesterona. A progesterona ajuda a manter o revestimento uterino, portanto, quando está baixa durante a fase lútea, a menstruação, ou a descamação desse revestimento, pode ocorrer mais cedo. Por isso, algumas mulheres menstruarão 2 vezes no mesmo mês.
Sangramento irregular
A baixa de progesterona significa que o corpo não consegue manter o revestimento endometrial depois de formado, podendo ocorrer sangramento irregular. Às vezes, isso ocorre com um ciclo curto, mas também pode acontecer com um ciclo regular.
Aborto espontâneo no início do primeiro trimestre
Uma das principais consequências da baixa progesterona é o aborto espontâneo no início do primeiro trimestre, associado a sangramentos irregulares. A progesterona, produzida pelos ovários (especificamente pelo corpo lúteo), é essencial para a manutenção da gravidez e do revestimento uterino até que a placenta assuma a produção.
Dominância de estrogênio
A baixa progesterona pode contribuir para a dominância de estrogênio, ou seja, um desequilíbrio entre estrogênio e progesterona. Isso pode ocorrer mesmo que o nível de estrogênio não esteja alto. Nesses casos, os sintomas típicos podem incluir sangramento intenso, menstruação dolorosa, sensibilidade mamária e alterações de humor.
Alterações de humor, sono e cognição
A progesterona também afeta os receptores GABA, que trazem muitos benefícios para o humor. O GABA é um neurotransmissor relaxante e ajuda a manter a qualidade do sono. A baixa progesterona tem sido associada ao aumento da TPM, ansiedade e depressão.
Essa também é uma das razões pelas quais baixos níveis de progesterona são frequentemente associados à insônia, principalmente despertares frequentes ou por volta das 3h da manhã. Por fim, a progesterona é um neuroesteroide que parece ter importantes benefícios neuroprotetores. Quando seus níveis diminuem, pode haver declínio da memória ou aumento da névoa mental.
A progesterona exerce efeitos neuroprotetores e neurorestauradores após isquemia cerebral global, atuando em múltiplos mecanismos celulares: inflamação, estresse oxidativo, excitotoxicidade, apoptose e reparo neural.
Os efeitos não são apenas preventivos. Há evidência de recuperação funcional mesmo quando administrada após a lesão (Monte et al., 2023).
A progesterona:
Diminui citocinas pró-inflamatórias
TNF-α
IL-1β
IL-6
Reduz ativação de micróglia e astrócitos
Atenua edema cerebral
O resultado é menor dano secundário pós-isquemia e menor disfunção da barreira hematoencefálica.
Aumento de enzimas antioxidantes
SOD
catalase
glutationa peroxidase
Redução de espécies reativas de oxigênio (ROS)
Redução de peroxidação lipídica
Ou seja, a progesterona atua como modulador redox indireto, não como antioxidante simples.
A progesterona:
Reduz liberação de glutamato
Modula receptores NMDA
Aumenta atividade GABAérgica (via metabolito alopregnanolona)
A consequência é o menor influxo de cálcio neuronal, com menor morte neuronal por excitotoxicidade. Este é um dos mecanismos mais relevantes em lesão hipóxico-isquêmica.
A progesterona também preserva mitocôndrias, levando maior sobrevivência neuronal e menor perda de volume cerebral. Por fim, a progesterona aumenta proliferação neuronal, mielinização, estimula a plasticidade sináptica e melhora da recuperação cognitiva e motora. Aqui entra o efeito neurorestaurador, não apenas protetor.
Isso sugere utilidade real em:
parada cardíaca
asfixia neonatal
AVC global
lesão cerebral hipóxico-isquêmica
menopausa
Tratamento da Baixa Progesterona
Para mulheres mais jovens, com ciclos menstruais regulares, muito pode ser feito para estimular a produção ovariana de progesterona. Mais tarde, na perimenopausa, após a menopausa, a produção ovariana diminui permanentemente, restringindo as opções de tratamento à terapia de reposição hormonal com progesterona. Isto também é verdade no caso de lesões e hipoxia.
Nas mulheres com ciclos mensturais regulares, podemos pensar em:
Vitex agnus-castus: pode melhorar os níveis de progesterona. Possui diversos mecanismos, incluindo a melhora da sinalização do cérebro para os ovários, bem como a redução da prolactina, um hormônio que pode inibir a ovulação e a produção de progesterona.
Vitamina C: é altamente concentrada nos ovários e é necessária para o bom desenvolvimento folicular e para a manutenção dos níveis de progesterona.
Ácidos graxos essenciais (como o óleo de prímula ou o óleo de borragem): importantes para a saúde hormonal, pois são os componentes básicos dos hormônios sexuais. O consumo de gorduras saudáveis é essencial para manter a produção hormonal normal. Estes óleos possuem níveis elevados de ácido gama-linolênico, que pode ser particularmente útil para aumentar os níveis de progesterona.
Proteínas magras também são necessárias.
Alimentos ricos em nutrientes como vitamina B6 e zinco também podem ser benéficos. Alguns exemplos comuns incluem frutos do mar, salmão, fígado bovino, grão-de-bico e leguminosas, além de nozes e sementes.
Fatores de estilo de vida que afetam a progesterona
O estresse pode aumentar tanto a prolactina quanto o cortisol, o que pode afetar a ovulação e a progesterona. É importante considerar tanto os estressores "ruins", como um trabalho difícil ou sono ruim, quanto os excessos "Estressores “bons”, como exercícios excessivos ou jejum de longa duração. O corpo não distingue entre a fonte do estresse e todos os estressores têm um impacto. Considere exercícios e jejum de forma equilibrada, para que você se sinta saudável, nutrida e revigorada.
Como avaliar a progesterona?
A progesterona pode ser medida no sangue, na saliva e na urina. Os testes DUTCH e HuMap utilizam a urina para medir os dois principais metabólitos da progesterona. Esses metabólitos não apenas ajudam a entender os níveis de progesterona no soro, mas também podem fornecer informações sobre algumas causas de sintomas de baixa progesterona, como irritabilidade. Algumas mulheres produzem progesterona suficiente, mas não a metabolizam no metabólito alfa, ou seja, o metabólito que promove calma e sono. Os testes metabolômicos hormonais avaliam esses metabólitos.
Precisa de ajuda? Marque aqui sua consulta de nutrição online para avaliarmos os melhores testes e modulações para o seu caso.

