Hipogonadismo e infertilidade em homens com obesidade

O hipogonadismo é caracterizado pela produção inadequada de testosterona e pode ocorrer por falha direta do testículo ou por alteração no eixo hipotálamo-hipófise.

No hipogonadismo primário, o problema está no testículo. O organismo tenta compensar essa falha aumentando a produção de LH e FSH, mas o testículo não responde adequadamente.

No hipogonadismo secundário, a disfunção está no hipotálamo ou na hipófise, que não enviam o estímulo hormonal necessário para o funcionamento testicular.

Em pacientes com obesidade é comum o hipogonadismo misto ou funcional. O excesso de tecido adiposo aumenta a atividade da enzima aromatase, que converte testosterona em estradiol. O estradiol exerce efeito inibitório sobre o eixo hipotálamo-hipófise, reduzindo a secreção de LH e FSH e, consequentemente, a produção de testosterona. Nesses casos, a reposição isolada de testosterona não resolve o problema. A intervenção principal é a perda de peso.

O aumento do IMC e da relação cintura-quadril aumenta o risco de hipogonadismo. A resistência à leptina, o estado inflamatório crônico mediado por citocinas, a hiperinsulinemia e a hiperglicemia contribuem para a disfunção hormonal e para a piora da qualidade seminal, incluindo redução da motilidade dos espermatozoides. Esses mecanismos são potencialmente reversíveis com emagrecimento e controle glicêmico.

A testosterona baixa agrava a síndrome metabólica, reduz a taxa metabólica basal e aumenta a resistência insulínica, perpetuando um ciclo metabólico desfavorável.

Sinais específicos de hipogonadismo

  • Redução de libido e atividade sexual

  • Reduz de ereção espontânea

  • Infertilidade

  • Ginecomastia (aumento de mamas)

  • Redução de pelos pubianos e axilares

  • Redução de massa óssea

Sinais inespecíficos de hipogonadismo masculina

  • Cansaço

  • Alteração de humor

  • Sonolência

  • Anemia

  • Redução de massa magra

  • Aumento de gordura corporal

  • Redução da performance esportiva

Avaliação hormonal

Em homens com obesidade há redução da SHBG, o que leva à diminuição da testosterona total. Nesses casos, a testosterona livre tende a estar preservada ou elevada, sendo o marcador mais adequado para avaliação.

Considera-se hipogonadismo quando a testosterona total é inferior a 264 ng/dL. A dosagem deve ser repetida para confirmação. Valores baixos exigem avaliação de LH e FSH.

LH e FSH elevados indicam hipogonadismo primário, com necessidade de investigação testicular, incluindo cariótipo, ultrassonografia de bolsa escrotal e história prévia de caxumba.

LH e FSH normais ou reduzidos sugerem hipogonadismo secundário. Deve-se investigar prolactina, pois sua elevação pode indicar adenoma hipofisário. Hemocromatose deve ser considerada, já que o depósito de ferro pode acometer testículo, hipófise e hipotálamo.

Doenças agudas reduzem transitoriamente a testosterona. Não se recomenda dosagem durante infecções como COVID ou dengue.

Tratamento

A terapia pode ser feita com testosterona intramuscular, utilizando ésteres a cada 15 ou 21 dias, incluindo cipionato. Outra opção é a testosterona transdérmica em gel.

Monitoramento

O acompanhamento deve incluir avaliação clínica de sintomas, adesão e efeitos adversos após 3 e 6 meses. A testosterona sérica deve ser reavaliada nesses períodos.

O PSA deve ser monitorado. Elevação maior que 1,4 ng/mL em 12 meses ou 0,4 ng/mL em 6 meses exige avaliação especializada antes da continuidade da terapia.

A densitometria óssea é indicada quando há risco ou diagnóstico de osteopenia ou osteoporose.

Outras estratégias terapêuticas

• Perda de peso e controle metabólico
• Agonistas dopaminérgicos
• Citrato de clomifeno
• GnRH e gonadotrofinas
• hCG

O manejo do hipogonadismo deve sempre considerar o contexto metabólico, especialmente em pacientes com obesidade, priorizando intervenções que restaurem o eixo hormonal de forma fisiológica. Converse com seu médico.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/