Terapias integrativas no tratamento da anorexia

O que sente quando vê uma pessoa magra? Acha as pessoas magras mais ou menos atraentes? Acha as modelos bonitas ou magras demais? Você gostaria de ser mais magro(a)? Vê-se acima do peso, mesmo sabendo que seu peso está dentro da normalidade? São muitas as razões para isto, como as imposições culturais. Porém, dependendo da genética e do grau de perfeccionismo da pessoa, a obsessão com a magreza pode gerar transtornos alimentares sérios. Um deles é a anorexia.

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A anorexia nervosa é marcada pela extrema auto-inanição devido a uma imagem corporal distorcida. Pessoas com anorexia pensam que são gordas, independentemente de quão pouco pesem. Monitoram obsessivamente o próprio peso, o tipo e quantidade de comida que consomem. Podem se recusar a comer ou comer apenas quantidades mínimas de comida. Apesar dos graves riscos à saúde associados ao severo baixo peso, aqueles com anorexia recusam-se a vê-lo como um problema.

Embora as mulheres jovens sejam responsáveis pela maioria dos casos, a anorexia pode afetar qualquer pessoa, em qualquer idade. A anorexia é um transtorno estranho, às vezes até defendido e glorificado. Muitos pacientes passam por uma lua-de-mel com a doença. É a fase em que não estão magros demais, ainda não estão tão obsessivos, nem tem tantos pensamentos distorcidos.

Porém, com o agravamento do problema, a lua-de-mel acaba. A anorexia é um transtorno alimentar perigoso, matando 10% dos pacientes. A psicoterapia é o tratamento padrão, podendo ser acompanhado de medicamentos como olanzapina, aripiprazol e dronabinol , que podem pacientes com anorexia a ganhar peso. A olanzapina é um antipsicótico, aprovado para o tratamento do transtorno bipolar, da esquizofrenia e da depressão grave. Aumenta o apetite, mas isto não é garantia de que um paciente com anorexia coma. O aripiprazol pode ajudar a reduzir o sofrimento dos pacientes com a alimentação.

O tratamento psicoterápico geralmente preza por uma abordagem familiar. Os objetivos do tratamento costumam ser: (1) normalizar o peso; (2) adotar hábitos alimentares saudáveis; (3) tratar fatores psicológicos mantenedores do comportamento inadequado; (4) prevenir recaídas. Porém, mesmo aliando-se terapia + medicação, o tratamento continua complexo. Cerca de 20% dos pacientes recuperam-se após nove anos de tratamento e aproximadamente 60% deles, precisam de até 22 anos de tratamento para serem considerados curados. Desta forma, outras abordagens precisam ser estudadas e melhor integradas aos tratamentos convencionais para maior sucesso.

Técnicas que relaxam, tais quais massagem, yoga, acupuntura e meditação vem sendo também testadas como suporte para o tratamento da anorexia nervosa (Fogarty, Smith, Hay, 2016). A hipnose pode ser útil como parte de um programa de tratamento integrado para anorexia nervosa. Pode ajudar a pessoa a fortalecer a autoconfiança. Isso pode resultar em uma alimentação mais saudável, melhora da imagem corporal e maior auto-estima.

É importante lembrar que mesmo depois de algum ganho de peso, muitas pessoas com anorexia permanecem muito magras e o risco de recaída é muito alto. Diversas influências sociais podem dificultar a recuperação:

  • Amigos ou familiares que admiram o quão magra a pessoa é;

  • Instrutores de dança ou técnicos de atletismo que valorizam um corpo muito magro;

  • Negação por parte dos pais ou outros membros da família;

  • A crença da pessoa de que a magreza extrema não é apenas normal, mas também atraente.

Por isto, a terapia familiar torna-se muito importante. O envolvimento dos amigos também pode ser útil, assim como o de um mentor espiritual.

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Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/contato/

Ortorexia nervosa

Os transtornos alimentares costumam ser reconhecidos como condições clínicas graves, apresentando alta taxa de morbidade e mortalidade e caracterizados por mudanças no padrão alimentar associadas a diversos fatores, tais como estilo de vida, baixa autoestima, aspectos culturais e obsessão pela magreza. Pessoas com transtornos alimentares clássicos, como anorexia e bulimia preocupam-se principalmente com a quantidade de alimentos ingeridos.

A ortorexia nervosa (ON) é uma variação de outros distúrbios alimentares. É caracterizada principalmente pela preocupação excessiva em relação à qualidade da alimentação. É descrita como um comportamento obsessivo patológico que pode ocasionar desnutrição e perda de peso exagerada, além de comprometimento da vida social. Vejo mutos médicos e nutricionistas criticando o termo ortorexia. Defendem que se preocupar com a alimentação nunca é ruim. Será?

Cuidar do corpo é muito importante. Cuidar da mente mais ainda. Porém, no caso de pessoas com ortorexia nervosa há uma neurose prejudicial. O foco costuma ser a dieta não só satisfatória, mas “limpa” e perfeita em todos os aspectos nutricionais. Há uma tentativa obsessiva em se evitar alimentos que possam conter aditivos alimentares, resíduos de pesticidas, glúten, lactose, ingredientes geneticamente modificados, gorduras em geral, incluindo poli e monoinsaturadas, alimentos que contenham excesso de sódio ou açúcares. A forma de preparação também é levada em consideração, assim como o uso de utensílios específicos.

As relações pessoais podem ser afetadas e a saúde também. Há maior risco de anemia, hiper ou hipovitaminosas, disfunções na modulação da microbiota intestinal, hipotensão, osteoporose, alterações neurológicas, elevação do estresse oxidativo, disfunção do sistema imunológico, redução da síntese de enzimas e hormônios.

Como a busca pela alimentação saudável é incentivada como um hábito que promove bem-estar e longevidade há muita dificuldade em traçarmos uma linha entre o que é uma preocupação saudável e o que não é. Em geral, os familiares ou mesmo o psicólogo enchergam um sofrimento grande na pessoa ultra cautelosa com a própria alimentação. Ou seja, o caráter positivo da alimentação saudável acaba sendo prejudicado pela neurose em relação à própria alimentação (e muitas vezes em relação à dos outros também).

Existem grupos de risco para a ortorexia nervosa como profissionais de saúde (nutricionistas, nutrólogos, educadores físicos, naturopatas), bailarinos, atletas, modelos, pessoas acostumadas a fazer dietas. Qual é seu nível de estresse e ansiedade em relação à alimentação? O quanto seus hábitos geram brigas e controvérsias na família? O quanto estes hábitos o isolam das pessoas que você gosta? De onde vem a necessidade de ser/parecer perfeito?

Lembre que o estresse excessivo também gera toxinas. Respeite seu corpo. Cuide da alimentação mas também de sua mente. Psicoterapia, yoga, acompanhamento de um nutricionista comportamental fazem parte do tratamento. Não tenha vergonha de procurar ajuda!

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/contato/

Erotização precoce e transtornos alimentares na infância

A exposição precoce de crianças a conteúdos e estímulos eróticos é o que chamamos de erotização precoce. É perigosa pois a criança não possui maturidade suficiente para compreender e elaborar tais estímulos. Crianças fantasiam e a exposição precoce à conteúdos eróticos geram ansiedade, medo, impressões equivocadas. Usar salto alto e maquiagem na infância pode parecer inofensivo. Perguntar se uma criança pequena tem namorado pode parecer inofensivo mas pular etapas pode ser perigoso.

A exposição exacerbada à imagens sensuais (na TV, sites, redes sociais etc) aumenta a curiosidade das crianças, tornando-as presas fáceis para situações de abuso físico e sexual. A exposição à imagens sensuais também aumentam a insatisfação corporal. Desde 2011, o Brasil é o país que mais gasta com cirurgias plásticas. E a insatisfação corporal começa cada vez mais cedo, sendo altamente prevalente entre escolares (Pinheiro & Giugliani, 2006).

Com a insatisfação aumenta também o risco de transtornos alimentares e depressão. O corpo não é mais nosso veículo no mundo e sim algo a ser admirado pelos outros. Identificar um transtorno alimentar em qualquer fase da vida não é fácil. Pessoas com transtornos não são necessariamente magras. Além das mídias, a genética, o ambiente familiar e social também influenciam o desenvolvimento de transtornos alimentares (Gonçalves et al., 2013). Como estes relacionam-se a déficits nutricionais, interferem no crescimento e desenvolvimento infantil e geram prejuízos sociais, a família deve estar sempre alerta.

O tratamento inclui acompanhamento psicológico e a terapia cognitvo comportamental é bastante indicada, além de técnicas de mindfulness/yoga e acompanhamento nutricional. A medicação psiquiátrica só é indicada quando existem co-morbidades (como ansiedade, depressão ou compulsão alimentar). O mais importante é respeitar as fases do desenvolvimento infantil e não ter medo de pedir ajuda em caso de dúvida.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/contato/

Medo de comer é tão comum quanto a obesidade

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Brasil, Estados Unidos, Chile e Portugal. Morei nos quatro países trabalhando como pesquisadora. Nos quatro, o percentual de pessoas obesas é altíssimo (OECD, 2017). Nos quatro, a ansiedade em torno da alimentação é também gigante. A sociedade está cheia de regras, regulamentos, "leis” sobre o que podemos e o que não podemos comer. A alimentação, um dos maiores prazeres da vida, virou um terror, principalmente entre a classe média.

Tenho muitos clientes que privam-se e morrem de ansiedade. Depois comem e a ansiedade aumenta ainda mais. Depois fazem jejum e a ansiedade não diminui. Comer é fundamental. Sem comida não conseguimos raciocinar bem, não conseguimos curtir a vida. Você precisa comer para viver, para aproveitar o que tem hoje. Não cubra-se de culpa por comer o que gosta. Livre-se da ideia da perfeição. Coma alimentos que nutrem, que mantém a sua vitalidade. Mas não dramatize quando comer algo fora da sua lista ideal. Seja grato por cada garfada. A ansiedade aumentou? Respire de forma lenta e profunda, por uns 5 minutos. Se precisar, inscreva-se em um curso de yoga. Você aprenderá várias técnicas que o ajudarão a controlar o estresse em vários momentos da vida.

Se puder, converse também com um psicólogo, para que possa discutir suas emoções e pensamentos relacionados aos alimentos. A ansiedade em relação à comida é muito comum, você não está sozinho. Mas transtornos de ansiedade, associados ou não a transtornos alimentares são tratáveis. Peça ajuda.

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Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/contato/