Vacina contra meningite meningocócica

Em 2016, durante a abertura dos jogos paralímpicos no Brasil, a atleta Amy Purdy fez uma apresentação de dança com suas pernas mecânicas. Aos 19 anos, Amy contraiu meningite meningocócica, causada pela bactéria Neisseria meningitidis, a mesma que vitimou o neto do ex-presidente Lula na semana passada. Amy, após dias na UTI sobreviveu, mas perdeu as duas pernas e os rins, tendo que passar por um transplante no ano seguinte.

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A meningite meningocócica é de fato extremamente grave. Em 2018, foram registrados 1.072 casos no Brasil e 218 pessoas (20%) não sobreviveram. Geralmente, as bactérias que causam meningite bacteriana (inclusive a meningocócica) se espalham de uma pessoa para outra por meio das vias respiratórias, por gotículas e secreções do nariz e da garganta. Outras bactérias, como a Listeria monocytogenes e a Escherichia coli, podem se espalhar por meio dos alimentos. 

A meningite é a inflamação das meninges, as membranas que envolvem o cérebro. Existem vários tipos de meningite e os sintomas são variáveis. No caso da meningite meningocócica, aparecem de uma hora para outra, com dor de cabeça e rigidez no pescoço. A pessoa também pode apresentar mal estar, náusea, vômito, confusão mental, convulsões, delírios, dores musculares, calafrios, fadiga, tremores, podendo evoluir para coma e morte, em poucas horas. 

As complicações mais comuns da meningite são: perda da memória, dificuldade para aprender, danos permanentes ao cérebro, problemas de reprodução, convulsões, falência dos rins, acidente vascular cerebral e morte.

As meningites bacterianas são tratadas com antibióticos, em ambiente hospitalar. Mas o mais importante é a prevenção com lavagem das mãos, dieta adequada para a manutenção do sistema imune sempre forte e vacinação. Apesar de existirem vacinas contra os principais sorogrupos que causam a doença meningocócica (A, B, C, W, Y). e pneumocócica, nem todas estão disponíveis no SUS. Em caso de qualquer sintoma, busque rapidamente um serviço de saúde.

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Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/contato/
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Carne falsa: o futuro?

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A indústria da carne tem um efeito prejudicial sobre o meio ambiente e a nossa saúde. Mesmo assim, o consumo de carnes é elevado em todo o mundo, estando o Brasil entre os principais mercados consumidores.

Cada brasileiro consome cerca de 78,1 kg de carne ao ano (incluindo gado, aves e suínos). A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) estima que o consumo de carne poderia quase dobrar até o ano 2050 , com a população de mais de 9.000 milhões de pessoas. E isso tem um impacto grande sobre o meio ambiente. Mais de 25% da terra e da água são usados por animais. A pecuária representa 14,5% da produção de gases. Muita gente entende, mas também muita gente não abre mão do seu filé. Como equilibrar tudo?

Estão chegando no mercado as carnes falsas. Não é carne feita de tofu (soja) ou outro vegetal. É carne falsa mesmo, feita em laboratório a partir de células de animais. É a comida sintética chegando por meio de técnicas de engenharia genética.

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O primeiro hambúrguer sintético foi produzido em 2013 na Holanda pelo médico Mark Post. Tecidos foram coletados de vacas. A partir deles foram extraídas células tronco que cresceram em laboratório e transformaram-se em fibras musculares. As mesmas são depois misturadas com vários ingredientes e moldadas no formato de hambúrguer.

A produção custou US$ 330.000 e teve financiamento da Google. Outras empresas vem investindo milhões e esperam baratear os custos para que as carnes sintéticas possam ser vendidas a partir de 2021.

De acordo com os fabricantes, a carne sintética tem sabor e textura idênticos ao da carne verdadeira. Seria a forma de consumir o alimento sem o mesmo impacto no meio ambiente e sem a crueldade da indústria animal. A aposta é a de que em 30 anos as pessoas poderão consumir carnes sem matar qualquer animal.

A partir da descoberta da estrutura do DNA em 1953, houve enorme progresso na ciência, principalmente na biotecnologia. A partir de então, ocorreu a expansão da biologia molecular e da engenharia genética, permitindo aplicações de interesse geral, como o diagnóstico de doenças, criação de vacinas e melhoramento genético. Na alimentação há a transgenia para a produção de alimentos. Contudo, os efeitos dos alimentos transgênicos na saúde ainda não são claros. Cientistas hipotetizam que o aumento nos casos de alergias, intolerâncias, câncer, depressão e infertilidade podem estar ligados ao aumento no consumo de transgênicos.

E as carnes falsas, serão seguras? Só o tempo irá dizer. Outra opção continua sendo a redução do consumo de produtos de origem animal e aumento no consumo de alimentos de origem vegetal. Dietas a base de vegetais possuem vários benefícios como redução do colesterol no sangue, melhoria da flora intestinal, prevenção de doenças inflamatórias, maior teor de antioxidantes, substâncias antienvelhecimento.

O que você irá preferir no futuro?

(a) continuar comendo carne

(b) comer carne falsa

(c) não comer carne

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/contato/

Esse jogo não é pra criança!

Jogos para celular e tablets fazem a festa da criançada, mas nem todos contribuem para a autoestima e para a saúde mental desses pequenos cérebros em formação. Uma nova onda de jogos focam na cirurgia plástica. Dentre eles estão: Princess Plastic Surgery (cirurgia plástica da princesa), Celebrity Plastic Surgery Hospital (hospital da cirurgia plástica de celebridades), e Beauty Clinic Plastic Surgery (clinica de beleza e cirurgia plástica).  

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O objetivo é transformar mulheres feias ou velhas em lindas princesas com rosto, nariz, olhos, lábios dos sonhos. Somos todos diferentes, nossos filhos são todos diferentes e dizer a eles que características únicas não são bem vindas e que podem ser concertadas com uma cirurgia é muito problemático. Quantos anos tem as crianças expostas a estes jogos?

Como se sentirão as crianças cujos narizes são maiores dos que os considerados adequados pelo jogo? Quem tem que dizer que alguma característica pode ou deveria ser modificada? Penso que os jogos deveriam estar dizendo que nossa aparência não é requisito para nos amarmos, sermos amados ou termos uma vida boa e feliz. Infelizmente jogos como estes fazem o contrário, encorajando crianças a tentarem se parecer com outras pessoas. Não é de surpreender que hoje pessoinhas de apenas 8 anos já apresentem transtornos alimentares.

O que você faria neste caso? Não deixaria o jogo ser instalado? Deixaria e brincaria junto? Deixaria o jogo ser instalado mas conversaria frequentemente com a criança? Lembre que os jogos gratuitos também veiculam propaganda, incluindo produtos de beleza, roupas, artigos de moda, maquiagem, tudo para "melhorar a aparência". Além disso estes artigos são divulgados por modelos, que além de serem diferentes de nós, tem também suas fotos manipuladas por programas como o photoshop. Não é justo com a mente infantil que deveria estar vivenciando o mundo, aprendendo, desenvolvendo habilidades, explorando a própria criatividade, ao invés de manter-se aprisionada a um padrão imposto por um jogo.

Com estes jogos as crianças também não aprendem que cirurgias podem ser perigosas e gerar complicações físicas, mentais e econômicas. O Brasil já está entre os países campeões em cirurgias plásticas. Somos constantemente bombardeados com imagens de "pessoas perfeitas", com suas "vidas perfeitas". A insatisfação gerada pela comparação que inconscientemente fazemos leva muitas pessoas aos consultórios médicos em busca de correções para problemas que muitas vezes nem existem. O Brasil já lidera o ranking mundial de cirurgias plásticas entre jovens. Cirurgia plástica não é em si boa ou ruim, mas está normal?

A infância e adolescência trazem muitos desafios. As transições geram instabilidades, aumentam a vulnerabilidade. A autoestima sofre também transformações. Os jovens tentarão encontrar referências para sentirem-se bem. Não deixe que a referência de seus filhos seja um jogo. Comunique seus valores, estabeleça regras, não resuma a autoestima dos pequenos às suas características físicas, ensine-os a criticar as normas e padrões que geram inquietude, ansiedade ou obsessão com a estética.  

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/contato/
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Comida como arma de guerra

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Você fica de mal humor ou faz loucuras quando está com fome? Pois é, a comida meche com nossas emoções, com nosso juízo. E por isso, além de estupros e assassinatos contra muçulmanos Rohingya, o exército da Birmânia agora restringe a oferta de alimentos básicos a este grupo étnico, como uma forma de controle social.

A crise do povo rohingya é uma das mais longas do mundo e também uma das mais negligenciadas, de acordo com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur). Os rohingyas representam 5% da população de Mianmar (Birmânia). De acordo com os mesmos são decendentes de indígenas do Estado de Rakhine. Mas de acordo com autoridades de Mianmar são "simplesmente" muçulmanos de origem bengali que migraram durante a ocupação britânica.

Em Mianmar são considerados expatriados e proibidos de se casar ou de viajar sem a permissão das autoridades e não têm o direito de possuir terra ou propriedade. As restrições do governo tornam impossível medir a verdadeira incidência de fome no país, mas os recém-chegados em campos de refugiados de Bangladesh encontram-se severalmente malnutridos. Dentre os refugiados, mais de 60% são crianças. 

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Tanto as Nações Unidas quanto as organizações de defesa dos direitos humanos pedem que as autoridades de Mianmar revejam a Lei de Cidadania de 1982, de forma a garantir que os rohingyas não continuem sem pátria. Enquanto isso, sofrem com preconceito, abusos, violência e com a fome.

Para quem é da área de saúde e interessa-se pelos problemas do mundo, existem especializações em saúde pública global (global public health). A saúde global é um campo que foca nas ações que podem e devem ser conduzidas em conjunto. As questões de saúde são hoje globais. Doenças e vírus cruzam fronteiras o tempo todo afetando todos ao mesmo tempo. Com as migrações surge a necessidade de buscar respostas comuns e reforçar a cooperação entre os países, na busca de mais saúde e da garantia de direitos - inclusive à alimentação adequada em qualidade e quantidade.

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