Metabolomica nas doenças neurodegenerativas

Doenças neurodegenerativas, como Alzheimer e Parkinson, começam a alterar o metabolismo do cérebro muitos anos antes dos sintomas mais conhecidos aparecerem. Escobar, Pontes, & Tasic (2021) investigaram como pequenas moléculas produzidas pelo organismo, chamadas metabólitos, funcionam como “rastros químicos” da doença.

A área da metabolômica permite identificar alterações no sangue, líquor, urina e tecido cerebral que podem indicar sofrimento neuronal precoce, inflamação, disfunção mitocondrial e estresse oxidativo.

Os autores destacam que o cérebro doente apresenta dificuldade em produzir energia adequadamente. As mitocôndrias, responsáveis pela geração energética celular, tornam-se menos eficientes, aumentando a produção de radicais livres e favorecendo dano neuronal progressivo.

Outro ponto importante é a alteração no metabolismo de gorduras cerebrais. Lipídios estruturais das membranas neuronais sofrem degradação precoce, comprometendo comunicação entre neurônios, plasticidade cerebral e integridade sináptica.

Na doença de Alzheimer, observa-se:

• redução do uso de glicose pelo cérebro
• aumento de inflamação cerebral
• alterações em fosfolipídios e esfingolipídios
• sinais intensos de estresse oxidativo

Na doença de Parkinson:

• alterações relacionadas ao metabolismo da dopamina
• maior disfunção mitocondrial
• aumento da oxidação lipídica
• neuroinflamação persistente

O artigo reforça uma mudança importante na neurologia moderna: doenças neurodegenerativas não são apenas doenças “do cérebro”, mas também doenças metabólicas sistêmicas.

A metabolômica pode futuramente permitir:

• diagnóstico muito mais precoce
• identificação de indivíduos de risco antes dos sintomas
• tratamentos personalizados
• monitoramento mais preciso da progressão da doença

Apesar do potencial, ainda existem limitações importantes:

• falta de padronização entre estudos
• influência da alimentação, medicamentos e microbiota
• necessidade de validação clínica ampla

A principal mensagem do artigo é que alterações metabólicas podem anteceder a degeneração cerebral visível. Isso abre espaço para estratégias preventivas e terapêuticas mais precoces, especialmente envolvendo metabolismo energético, inflamação e saúde mitocondrial.

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Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

Suplementação de C15:0

Os paineis lipidômicos mostram a análise de vários ácidos graxos nas células do nosso corpo. Um desses ácidos graxos é o pentadecíclico, também conhecido como pentadecanoico ou C15:0.

O ácido graxo C15:0 é encontrado naturalmente em pequenas quantidades, principalmente na gordura do leite, e tem ganhado destaque na ciência por sua possível atuação na saúde metabólica, celular e cardiovascular.

Ele pertence ao grupo dos ácidos graxos de cadeia ímpar e, mais recentemente, tem sido estudado como um possível “novo” ácido graxo essencial. Pesquisas indicam que níveis adequados de C15:0 estão associados ao melhor funcionamento metabólico e ao equilíbrio celular.

Seu interesse vem da atuação em múltiplas vias: regulação do metabolismo de gorduras e glicose, suporte às mitocôndrias e proteção celular. Por isso, vem sendo comparado, em alguns estudos, a compostos como ômega-3 e até a metformina em termos de impacto metabólico.

Entre os principais efeitos observados:

• Redução de processos inflamatórios

• Melhora da função mitocondrial

• Regulação do metabolismo lipídico e glicêmico

• Proteção da integridade celular

Na saúde metabólica, há evidências de melhora na sensibilidade à insulina, controle glicêmico e metabolismo de gorduras, com possíveis benefícios em síndrome metabólica e resistência à insulina.

Também há dados mostrando impacto positivo na composição corporal, incluindo redução de gordura hepática, além de efeitos na esteatose hepática, com melhora da inflamação e do metabolismo no fígado.

Na saúde cardiovascular, o C15:0 pode contribuir para o controle do colesterol, da pressão arterial e da inflamação sistêmica.

Em nível celular, estudos sugerem ação em vias relacionadas à longevidade, redução de inflamação e suporte à regeneração celular. Fiz minha análise e os meus níveis estão normais. Para pacientes com níveis baixos nos eritrócitos, há suplementação de C15:0. Mais sobre o meu teste:

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Referência: Nutrients. 2023 Oct 30;15(21):4607. doi: 10.3390/nu15214607

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

Metabolismo estrogênico e câncer de mama

Pesquisadores analisaram células mamárias em laboratório e amostras clínicas para entender como metabólitos do estrogênio afetam a divisão celular.

⚠️ O que encontraram?

O metabólito 4-hidroxi-estrogênio (4-OHE2) interfere em um mecanismo essencial que garante a divisão correta das células. Com isso, aumentam erros no material genético, como:

• alterações nos cromossomos
• falhas na divisão celular
• formação de células instáveis

📈 Impacto:

Níveis mais altos desse metabólito foram associados a características mais agressivas no câncer de mama.

🧪 Por que isso importa?

O 4-OHE2 pode se tornar um biomarcador útil, ajudando na identificação e no acompanhamento do câncer de mama.

🧪 Avaliação clínica:

Esse metabolismo pode ser analisado por exames metabolômicos urinários, como o DUTCH test, que avalia as vias de metabolização do estrogênio.

🔄 Estratégia metabólica:

O objetivo é favorecer a via “protetora” do estrogênio, desviando para o 2-hidroxiestrogênio (2-OH), associado a menor risco biológico.

📌 Como favorecer a via protetora?

• suporte à detoxificação hepática
• suporte à metilação
• adequado consumo de compostos bioativos (ex: crucíferos)
• equilíbrio do estresse oxidativo
• saúde intestinal preservada e adequado consumo de fibras para evitar reabsorção estrogênica

📍 Importante! Mais importante que o nível de estrogênio é como ele é metabolizado.

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Artigo de referência. Miao S, Yang F, Wang Y, Shao C, Zava DT, Ding Q, Shi YE. 4-Hydroxy estrogen metabolite, causing genomic instability by attenuating the function of spindle-assembly checkpoint, can serve as a biomarker for breast cancer. Am J Transl Res. 2019 Aug 15;11(8):4992-5007. PMID: 31497216; PMCID: PMC6731443.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/