Sangue na fralda de bebês indica alergia ao leite de vaca

Fissuras são feridas, rachaduras ou cortes na pele que reveste o ânus. Podem ser geradas por traumas que ocorrem ao evacuar fezes muito endurecidas. A dor pode ser intensa, agravando-se durante a defecação. Pode haver também sangramento.

As alergias alimentares afetam entre 7 a 8% das crianças, sendo a Alergia à Proteína do Leite de Vaca (PLV) a mais comuns. Os sintomas podem incluir diarreia, náuseas, vômitos, cólicas, baixo ganho de peso, placas vermelhas na pele (urticária) inchaço nos lábios ou olhos, chiado no peito e irritabilidade intensa. Outro problema é o sangramento retal, principalmente nos 3 primeiros meses de vida. O sangramento também pode ser ocultado nas fezes, ficando imperceptível a olho nu.

A primeira opção de substituição do leite de vaca costuma ser o leite de soja. Contudo, este também possui alto poder alergênico. Entre 30 a 60% dos bebês que possuem alergia à PLV também possuem alergia à soja.

Vale enfatizar que lactentes em aleitamento materno exclusivo também podem apresentar sintomas similares porque o leite de vaca e outras proteínas da dieta podem estar presentes na composição do leite materno. A realização de retoscopia com a obtenção de fragmentos retais para análise são extremamente úteis para o estabelecimento do diagnóstico de inflamação retal induzida por proteínas da dieta.

Crianças sem o tratamento adequado podem desenvolver fissura anal, que dependendo da gravidade, pode requerer tratamento cirúrgico. Mesmo assim, antes de optar por cirurgia o ideal é excluir proteínas alergênicas da dieta do bebê e, caso a mãe esteja amamentando, excluir leite, queijo, iogurte, requeijão e tudo o que houver leite de sua dieta.

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Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/contato/

Psoríase e alimentação

A psoríase é uma desordem de causa desconhecida e que, em geral, tem início na infância. Contudo também é comum seu aparecimento entre os 20 e 30 anos de idade. Manifesta-se como uma inflamação da pele ou unhas, mas pode também ser acompahada de dores lombares ou rigidez matinal. Braços, pernas, couro cabeludo, unhas, região sacral, mucosas, articulações, palma das mãos e planta dos pés são regiões comuns onde a lesão se instala.

Fatores como tabagismo, consumo de álcool, dieta inflamatória, estresse emocional, predisposição genética, uso de drogas ou infecções podem desencadear a doença.

O não tratamento e a progressão da inflamação pode facilitar o aparecimento de outras condições como resistência à insulina, alterações no perfil lipídico, obesidade, aumento do risco cardiovascular e hipertensão arterial. O estado nutricional também pode ficar comprometido, surgindo deficiência de proteína, ácido fólico ou ferro. 

Estudos mostram que a alimentação antiinflamatória pode auxiliar o tratamento. Desta forma, é fundamental adotar uma alimentação bastante variada e com um baixo consumo de alimentos industrializados. Dietas vegetarianas e suplementação de altas doses de ômega-3 tem sido associados com melhora de sintomas nos pacientes. Pesquisas também apontam as vantagens das dietas isentas de glúten no tratamento destes pacientes.

As vitaminas A, E, C e D, e ácido fólico, ferro, cobre, manganês, zinco e selênio, fibras e dietas com baixa densidade calórica, podem auxiliar no tratamento da doença, pois reduzem a gravidade da inflamação sistêmica. Consulte seu nutricionista para as individualizações necessárias. Este profissional te ajudará a montar um cardápio antiinflamatório e fará a prescrição de suplementos adequados para seu caso.

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Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/contato/

Quando a restrição de glúten é necessária?

A restrição ao glúten é classicamente indicada na doença celíaca, na alergia ao glúten e na sensibilidade aumentada às proteínas gliadina (Sapone et al., 2012).

A doença celíaca é uma condição autoimune que causa a atrofia de células do intestino de indivíduos geneticamente predispostos. Os sintomas são variados podendo estar presentes fadiga, diarréia, fezes mal-cheirosas, intolerância à lactose, anemia e outras deficiências de micronutrientes que podem cursar com queda de cabelo, problemas de pele, manchas nas unhas dentre outras condições.

Porém, não é só na doença celíaca que a restrição de glúten é benéfica. Estudo mostrou que a restrição de glúten pode beneficiar também pacientes não celíacos. O diagnóstico da doença celíaca é feito após biópsia da mucosa intestinal. Porém, pacientes com resultados negativos ao exame podem ter as mesmas alterações sanguíneas dos pacientes celíacos. De acordo com os autores do estudo as alterações metabólicas podem preceder a atrofia das vilosidades intestinais. Neste caso, a dieta deve ser instituída rapidamente afim de se evitar o agravamento da condição.

Além da doença celíaca, a sensibilidade ao gluten pode piorar os sintomas de doenças inflamatórias, como artrite, psoríase, síndrome do intestino irritável e condições neurológicas como o autismo.

Clique nos links em azul para ler os estudos originais.

+ Nova classificação de condições relacionadas ao consumo de gluten.

+ Alimentos fontes de glúten.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/contato/

Diagnóstico e tratamento das alergias alimentares

De acordo com revisão publicada no dia 12 de maio no JAMA, as alergias alimentares afetam cerca de 4% dos adultos e 5% das crianças nos EUA. As mais comuns são aos laticínios, ovos, frutos do mar, frutas cítricas, nozes e castanhas. Podem causar uma variedade de sintomas como náuseas, anafilaxia e problemas na pele. O problema é que não existem definição, metodologia para diagnóstico ou tratamento padronizados, o que dificulta a vida dos pacientes. Por exemplo, 82% dos estudos tinham definição própria de alergia, o que mostra a complexidade e confusão neste campo.

Não existe uniformidade também quanto ao diagnóstico. O padrão ouro atual seria a administração do alimento suspeito com observação da equipe de saúde. Porém, este teste requer acompanhamento de especialistas, o que demanda tempo e dinheiro e ainda embute o risco de anafilaxia - reação severa acompanhada de queda da pressão, taquicardia, edema, distúrbios de circulação sanguínea e, eventualmente, morte. Assim, o que se usa hoje são testes realizados no consultório como o de hipersensibilidade cutânea (prick test) , no qual um potencial alérgeno é depositado na pele. A leitura do resultado é feita após 20 minutos. O indivíduo é considerado alérgico se surgir uma pápula mior ou igual a 3mm no local de aplicação, indicando um anticorpo IgE para o alimento ou substância depositada na pele.

Os exames de sangue também detectam, porém agora, diretamente, anticorpos do tipo IgE. Porém, no artigo os autores deixam claro que estes dois testes não oferecem resultados definitivos já que pacientes com sintomas não específicos como problemas digestivos, ou mesmo resultado positivo nos testes cutâneos tem menos de 50% de chance de serem alérgicos a alimentos. Assim, afim de fechar o diagnóstico é fundamental a avaliação da história do paciente e seus sintomas. 

Em termos de tratamento a opinião geral e que a dieta de eliminação - parar de ingerir os alimentos suspeitos - deve ser realizada. De qualquer forma, novos estudos ainda necessitam ser realizados nesta área, particularmente afim de não gerar deficiências nutricionais após a exclusão de grupos de alimentos fonte de nutrientes importantes à saúde e ao crescimento e desenvolvimento normais. 

Outro tratamento mostrado na literatura é a imunoterapia, que consiste na administração de doses crescentes do alérgeno em um período de tempo afim de treinar o sistema imune. Esta terapia não é licenciada e estudos sobre sua segurança são ainda necessários. 

O mais importante da revisão foi a conclusão da necessidade de uniformização dos de todos os critérios de definição, diagnóstico e tratamento. ood-allergy field is in need of uniformity in the criteria for what constitutes an allergy and a set of evidence-based guidelines upon which to make this diagnosis. O instituto nacional de alergias e doenças infecciosas  dos EUA pretente finalizar o consenso sobre a doença até o meio do ano. 

Fonte: Jennifer J. Schneider Chafen; Sydne J. Newberry; Marc A. Riedl; Dena M. Bravata; Margaret Maglione; Marika J. Suttorp; Vandana Sundaram; Neil M. Paige; Ali Towfigh; Benjamin J. Hulley; Paul G. Shekelle.  Diagnosing and Managing Common Food Allergies: A Systematic ReviewJAMA, 2010; 303 (18): 1848-1856.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/contato/
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