Terapias integrativas no tratamento da endometriose

A endometriose é uma das doenças ginecológicas mais comuns. Acontece quando o endométrio, tecido que reveste o útero, cresce para fora do órgão. Os fragmentos vão parar no ovário, nas trompas e até em regiões vizinhas, como os intestinos e a bexiga.

Suas causas são variadas, incluindo fatores imunológicos, inflamatórios, processos oxidativos e carências nutricionais. É comum que mulheres com endometriose também apresentem intolerâncias ou alergias alimentares, problemas gastrointestinais e sintomas como prisão de ventre, flatulência (gases), pirose (queimação), disbiose intestinal (Schink et al., 2019).

Afeta entre 6 e 10% das mulheres em idade reprodutiva e, até o momento, não existe cura para esta doença que pode causar dores, dificuldades sexuais e maior risco de infertilidade e câncer. A doença também pode afetar, além da saúde física, a saúde mental e os relacionamentos. Desta forma, além dos tratamentos médicos convencionais indica-se o acompanhamento por uma equipe multiprofissional constituida por psicólogos, nutricionistas, fisioterapeutas, gastroenterologistas, cirurgiões, urologistas, ginecologistas, acupunturistas (Agarwal, Foster e Groessl, 2019), professores de yoga, fitoterapeutas, homeopatas, naturopatas, terapeutas ayurvédicos, além de grupos de apoio.

Fitoterapia

Dentre as plantas mais estudadas para o tratamento da endometriose estão: Achillea millefolium, Alchemilla vulgaris, Aletris farinosa, Anemone pulsatilla, Angelica sinensis, Astragalus membranaceus, Atropa belladonna, Curcuma longa, Dioscorea villosa, Echinacea angustifolia, Gelsemium sempervirens, Glycyrrhiza glabra, Gossypium herbaceum, Leonurus cardiaca, Matricaria recutita, Mitchella repens, Paneonia lactiflora, Pinus pinaster, Piscidia erythrina, Robus idaeus, Senecio aureus, Silybum marianum, Taraxacum officinale, Valeriana officinalis, Viburnum opulus, Viburnum prurifolium, Vitex agnus-castus, Zanthoxylum americanum e Zingiber officinale (Reid, Steel e Adams, 2019).

Entre estas plantas destacam-se a Cimicifuga racemosa (erva de São Cristóvão) para o tratamento da dismenorréia (cólica menstrual), enquanto a A. millefolium (Mil em rama) tem sido bastante recomendada para o tratamento de sangramentos fora do período menstural. Consulte um nutricionista especializado em fitoterapia para uma indicação precisa para seu caso. Fora isso, minerais também costuma ser prescritos como cálcio, iodo, ferro, fosfato, magnésio, zinco e selênio, seja para correção de carências nutricionais, seja para a redução do estresse oxidativo (como no caso de zinco e selênio). Vitaminas e fitoquímicos também vem sendo estudados, principalmente na tentativa de reduzir a quantidade de radicais livres e a inflamação. Na homeopatia a Belladona, chamomilla, C. racemosa, Folliculinum, Kalium phosphoricum, Luteinum, Magnesium phosphoricum, Nux vomica, Rhus toxicodendron, Sepia officinalis, Silicea terra e Thiosinaminum estâo entre os medicamentos prescritos (Reid, Steel e Adams, 2019).

Ayurveda

Na perspectiva ayurvédica, a endometriose advém do acúmulo de toxinas (ama) e de um desequilíbrio dos três doshas (aprenda mais sobre este tema no curso online sobre ayurveda). Segundo o Dr. David Frawley, a endometriose é principalmente um problema de Kapha devido ao aumento da acumulação de células e ao crescimento excessivo do endométrio, como um tumor. Também pode ser pensada como um problema de Pitta, devido ao envolvimento do sangue, hormônios e menstruação, além da natureza inflamatória da doença. O dosha Vata também está envolvido de várias maneiras. Uma é a natureza dolorosa da endometriose, que coloca Vata no centro do desequilíbrio. Depois, há o envolvimento de Apana Vayu no movimento descendente do fluxo menstrual e também o envolvimento de vata na circulação sanguínea. Talvez o sinal mais óbvio do papel de Vata seja o deslocamento das células endometriais de sua localização original no útero para lugares externos. Portanto, a endometriose é uma condição Sannipatika que envolve todos os três doshas, embora a proporção de cada um possa variar em certa medida de acordo com o paciente individual.

O objetivo da abordagem ayurvédica é estimular as habilidades naturais de autocura do corpo, não apenas para tratar a endometriose, mas também para prevenir doenças em geral e criar um estado de saúde e bem-estar. Como a endometriose é uma condição do acúmulo de ama, o tratamento deve se concentrar na desintoxicação. Uma dieta altamente nutritiva e facilmente digerível com quantidades suficientes de ervas digestivas deve ser o primeiro passo para o tratamento. A dieta destoxificante deve ser seguida por pelo menos 40 dias. Depois deste período o paciente passa também por massagens diáreas com óleos ayurvédicos, tratamentos corporais para relaxamento, yoga, meditação e tratamentos purgatórios específicos.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/contato/