Intolerância a oxalatos

Oxalatos são moléculas naturais encontradas em plantas, ajudando-as a eliminar o excesso de cálcio. Muitos alimentos (como morangos e feijões) são ricos em oxalatos, que viajam pelo trato digestivo, ligam-se ao cálcio, magnésio, potássio e outros minerais no intestino e saem do corpo através das fezes ou da urina. Assim, o excesso de oxalato pode agravar algumas deficiências comuns, como a de magnésio, fazendo a pessoa sentir-se mais sem energia.

Em um corpo saudável, Oxalobacter formigenes e Lactobacillus ajudam a degradar o oxalato. Mas se você tem uma flora intestinal comprometida devido a uma dieta pobre em nutrientes, deficiências nutricionais, uso de antibióticos, mutações genéticas, problemas hepáticos ou renais ou estresse crônico, seu corpo terá dificuldade em eliminar os oxalatos adequadamente. Um intestino com uma microbiota ruim também é mais permeável, permitindo a passagem de excesso de oxalato para a corrente sanguínea, o que aumenta o risco de certos problemas de saúde como intolerância a oxalato e formação de pedras nos rins. Portanto, isso é mais é muito mais comum em pessoas com disbiose intestinal e candidíase.

Quando ingeridos em grandes quantidades ou quando o corpo não consegue eliminá-los adequadamente, os oxalatos podem formar cristais, que podem se acumular em órgãos e tecidos, causando dor e outros sintomas. A seguir, explico como os oxalatos podem causar dor:

  1. Formação de cálculos renais (pedras nos rins):
    Os oxalatos podem se combinar com cálcio para formar cristais de oxalato de cálcio, que são a causa mais comum de pedras nos rins. Esses cristais podem irritar os rins e o trato urinário, causando dor intensa, conhecida como cólica renal, que ocorre quando uma pedra se move ou bloqueia o fluxo de urina.

  2. Cristais nas articulações:
    Os cristais de oxalato podem também se acumular nas articulações, uma condição conhecida como oxalose articular. Isso pode causar dor e inflamação nas articulações, similar ao que acontece na gota (que é causada por cristais de ácido úrico).

  3. Irritação no trato gastrointestinal:
    Os oxalatos podem irritar o revestimento do trato gastrointestinal se consumidos em grandes quantidades, levando a desconforto abdominal, dor e até náuseas. Essa irritação é mais comum em pessoas com distúrbios digestivos ou que têm dificuldade em processar oxalatos.

  4. Oxalose sistêmica:
    Em casos mais graves, onde há uma acumulação excessiva de oxalatos no corpo, pode ocorrer uma condição chamada oxalose sistêmica, que afeta órgãos como rins, fígado e ossos. Isso pode causar uma variedade de sintomas, incluindo dor generalizada e danos aos órgãos.

Pessoas com predisposição a pedras nos rins ou distúrbios no metabolismo do oxalato, como a hiperoxalúria primária (uma condição genética que causa a produção excessiva de oxalato), são mais suscetíveis a essas complicações e podem sentir dores mais frequentes e intensas associadas à formação de cristais de oxalato.

Outros sintomas do excesso de oxalatos

O excesso de oxalatos e a incapacidade do seu corpo de lidar com isso podem resultar em má absorção de minerais, inflamação, comprometimento do sistema imunológico, estresse oxidativo, má função mitocondrial, danos celulares e teciduais e liberação de histamina. Isso pode resultar em uma série de sintomas e problemas de saúde, como:

  • Dor crônica

  • Dor articular ou muscular

  • Fibromialgia

  • Cistite intersticial

  • Dor na vulva

  • Artropatia

  • Pedras nos rins

  • Dor urinária e irritação da bexiga/uretra

  • Dores de cabeça e enxaquecas

  • Coceira na pele, erupções cutâneas e problemas de pele

  • Alergias

  • Problemas digestivos

  • Insônia

  • Perda óssea e enfraquecimento dos dentes

Tratamento

Pessoas com intolerância a oxalatos precisam tratar o intestino, adotando uma dieta caseira, fresca, livre de alimentos ultraprocessados e álcool. Medicamentos não devem ser utilizados sem orientação médica. Probióticos e prebióticos podem ser utilizados para melhorar a composição da microbiota intestinal.

Durante o tratamento pode ser necessária a eliminação de alimentos ricos em oxalatos, até que os sintomas sejam solucionados. Mas lembre, seu corpo também produz oxalatos, especialmente se você estiver com deficiências de vitaminas como B1 e B6. Por isso, marque uma consulta para melhor orientação quanto ao seu caso. As deficiências de vitamina B1 e B6 podem aumentar a produção de oxalato, tornando muito importante reduzir o risco de deficiências de vitamina B.

Alimentos ricos em oxalato incluem

  • Bagas, como mirtilos e morangos

  • Kiwis, figos, uvas roxas

  • Batatas, ruibarbo, quiabo

  • Espinafre, acelga, salsão

  • Alho-poró, azeitonas,

  • Banana da terra

  • Amendoim, castanha de caju, amêndoas

  • Germe do trigo, quinoa, farelos

  • Trigo mourisco

  • Cacau, chocolate e chá

  • Soja, feijão, lentilha, ervilha, grão de bico

Preparo dos alimentos para redução dos oxalatos

Ninguém consome feijão cru pois o excesso de oxalato gera reações tóxicas como dor, sensação de queimação, irritação nos olhos e na pele, irritação do estômago e outras mucosas, dor abdominal, gases, convulsões. Por isso, o feijão é deixado de molho, a água é trocada e o alimento é depois cozido. A fervura reduz acentuadamente o teor de oxalato solúvel em 30-87% e é mais eficaz do que cozinhar no vapor ( redução de 5-53%). Pessoas com muita intolerância devem ainda descartar o caldo de cozimento (Chai, & Liebman, 2005). É importante também evitar panelas contendo cobre e alumínio pois o oxalato atrai estes metais, que podem também ser tóxicos em excesso.

Lembrando que a dieta de restrição de oxalatos é restrita em muitos alimentos ricos em vitaminas, minerais e fitoquímicos. Para não desenvolver carências nutricionais alguns suplementos devem ser utilizados. Precisa de ajuda? Marque aqui sua consulta de nutrição online.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

Mecanismos de proteção dos tecidos e neurodesenvolvimento

Nem toda substância faz bem às nossas células. Por isso, vários tecidos possuem mecanismos de proteção. Por exemplo, entre a corrente sanguínea e o cérebro existe a barreira hematoencefálica. Existem também vários transportadores que facilitam a remoção de substâncias das células. São os transportadores de efluxo, como a glicoproteína-P (P-gp). Este transportador está em vários tecidos, como o intestino, os rins, as células do fígado, a barreira placentária e a própria barreira hematoencefálica.

Só que existem moléculas que inibem a quantidade de gllicoproteína-P. Com isso, moléculas que não deviam chegar ao bebê, por exemplo, atravessam a placenta e moléculas que não deveriam chegar ao cérebro acabam cruzando a barreira hematoencefálica.

Drogas que inibem a expressão da glicoproteína-P: fluoxetina, paroxetina, lovastatina, simvastatina, atorvastaina, canabinóides, opiáceos, dentre tantas outras (veja tabela abaixo). Então, mulheres fazendo uso desses medicamentos permitem com que xenobióticos cheguem ao bebê e aumentam o risco de transtornos do neurodesenvolvimento.

Neurodesenvolvimento também é afetado pela inflamação

Os mediadores inflamatórios afetam o cérebro durante o desenvolvimento. Distúrbios do neurodesenvolvimento, como distúrbios do espectro do autismo, comprometimento cognitivo, paralisia cerebral, epilepsia e esquizofrenia, têm sido associados à inflamação durante a gestação e no início da vida (Jiang et al., 2018).

Uma microbiota disbiótica, infecções, estresse, má nutrição, maus tratos contribuem para os transtornos do neurodesenvolvimento pois geram desequilíbrios na produção de citocinas inflamatórias. O quadro neuroinflamatório está associado a maior risco posterior de doenças mentais. Esforços devem ser feitos por ginecologistas, obstetras e pediatras para identificação de mulheres e crianças em risco, para que intervenções precoces sejam postas em prática afim de prevenir consequências indesejadas futuras para a família e para a sociedade.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

Nutrigenética e obesidade

A obesidade é uma das condições mais interessantes do ponto de vista nutrigenético. Não é para menos, já que a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou que essa doença crônica atingiu proporções quase epidêmicas em várias regiões do mundo. Estima-se que a genética contribua com 40-70% dos casos de obesidade e mais de 50 genes estão fortemente associados à esta condição de saúde.

Polimorfismos envolvidos na regulação central do balanço energético, metabolismo lipídico, processos inflamatórios no tecido adiposo e resistência à insulina podem favorecer o desenvolvimento da obesidade. Conhecê-los é essencial para estabelecer programas nutricionais específicos antes que apareçam outras doenças derivadas do excesso de peso. Este é apenas um dos muitos exemplos de como aplicar o conhecimento em nutrigenética.

Obesity is one of the most interesting condition from a nutrigenetic point of view. The World Health Organization (WHO) has declared that this chronic disease has reached almost epidemic proportions in several regions of the world. Genetics are estimated to contribute to 40-70% of obesity cases, and more than 50 genes are strongly associated with this health condition.

Polymorphisms involved in the central regulation of energy balance, lipid metabolism, inflammatory processes in adipose tissue and insulin resistance may favor the development of obesity. Knowing them is essential to establish specific nutritional programs before other diseases resulting from excess weight appear. This is just one of many examples of how to apply knowledge in nutrigenetics. I have several videos on the matter on my YouTube channel in English:

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/