Ômega-3 e COVID-19

Evidências sugerem que os ácidos graxos ômega-3 aumentam a resposta antiviral do corpo induzindo a liberação de interferons, uma classe de proteínas que inibem a replicação viral. Por esse motivo, os ômega-3 podem ser benéficos para pacientes com COVID-19, doença causada pelo vírus SARS-CoV-2. Os ácidos graxos ômega-3 podem reduzir a gravidade dos sintomas e o risco de morte associados ao COVID-19.

Um estudo piloto envolvendo 100 pacientes hospitalizados com COVID-19 constatou que os pacientes com as pontuações do índice de ômega-3 acima de 5.7% tinham 75% menos probabilidade de morrer da doença do que aqueles com as pontuações mais baixas (Asher et al., 2021). Contudo, os resultados não atenderam aos critérios clássicos de significância estatística.

Outro ensaio clínico randomizado duplo-cego envolvendo 101 pacientes hospitalizados em estado crítico (idade média de 65 anos) diagnosticados com COVID-19 descobriu que os ácidos graxos ômega-3 reduziram acentuadamente a gravidade dos sintomas. Vinte e oito pacientes receberam 1.000 miligramas de ácidos graxos ômega-3 suplementares (400 miligramas de EPA e 200 miligramas de DHA) via alimentação enteral diariamente por duas semanas, começando 24 horas após a admissão na unidade de terapia intensiva. O restante dos participantes recebeu alimentação enteral sem suplementação de ômega-3.

A taxa de sobrevivência de um mês foi de 21% entre os pacientes que receberam suplementos de ácidos graxos ômega-3, contra 3% entre aqueles que não receberam. O grupo suplementado também melhorou os marcadores de função respiratória e renal, incluindo níveis mais elevados de pH arterial, bicarbonato e débito urinário, e níveis mais baixos de nitrogênio ureico, creatinina e potássio no sangue (Doaei et al., 2021).

Modelagem por computador demonstram que o mecanismo que impulsiona os efeitos protetores dos ácidos graxos no cenário do COVID-19 pode estar relacionado a seus efeitos na proteína spike, o principal componente antigênico do SARS-CoV-2. A proteína spike pode assumir dois arranjos espaciais diferentes: um arranjo fechado, ou "pré-fusão", ou um arranjo aberto, "pós-fusão".

Quando a proteína spike se liga ao receptor ACE2 nas células, ela muda de sua estrutura pré-fusão para pós-fusão. Os modelos de computador demonstraram que o DHA mantém a proteína spike fechada, reduzindo potencialmente a entrada viral nas células (Vivar-Sierra et al., 2021).

O ômega-3 também reduz a inflamação. Após a entrada do SARS-CoV-2 no corpo humano, macrófagos, células epiteliais e células dendríticas reconhecerão o vírus e ativarão vias de sinalização e a expressão genética de citocinas pró-inflamatórias.

Citocinas pró-inflamatórias podem levar a alterações patológicas nos tecidos pulmonares, aumentando o risco de pneumonia, resultando em tempestade fatal de citocinas IL-6 e levando a falência de múltiplos órgãos.

Os ácidos graxos ômega-3 modulam a migração, aumentam a capacidade fagocítica, diminuem a produção de citocinas inflamatórias e radicais livres de células imunes inatas, incluindo macrófagos e neutrófilos.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/