Efeitos das lectinas na saúde

As lectinas são uma grande classe de proteínas capazes de ligar-se reversivelmente a carboidratos. Estão presentes naturalmente em todos os tipos de organismos, desde vírus, bactérias até alimentos. Em plantas, as lectinas fazem parte da defesa natural contra microorganismos, pragas e insetos.

Cerca de 30% dos alimentos de nossa dieta apresentam lectinas. Grãos e leguminosas são as principais fontes. Batata, tomate, pimentões e beringelas também contém lectinas. Estudos mostram que as lectinas possuem efeitos antimicrobianos, anticancerígenas e de melhoria do sistema imune.

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Porém, em excesso, podem danificar a parede intestinal, tornando o intestino mais permeável à pedaços de bactérias e outras substâncias que não deveriam ser absorvidas. Com isto, o corpo inflama e o risco de doenças, como problemas na tireóide, diabetes, reumatismo, artrite, nefrite e até infertilidade aumenta.

Algumas lectinas são chamadas de fitohemaglutininas, e são encontradas principalmente em leguminosas. Por exemplo, o feijão cru é a principal fonte, e se consumido sem cozinhar pode provocar envenenamento por lectina, que causa dor abdominal intensa, inchaço, gases, vômitos e diarreia. 

É verdade que, quando consumidas em excesso, as lectinas podem trazer problemas, mas vários alimentos fonte de lectinas são bastante nutritivos, fornecendo fibras, vitaminas, minerais e fitoquímicos diversos. Assim, caso decida excluir alimentos de sua alimentação, converse com um nutricionista para que não faltem na sua dieta compostos importantes à preservação da sua saúde.

O autor Steven R. Gundry, no livro “The Longevity Paradox” (2019), sugere uma redução do consumo de lectinas, principalmente minimizando o consumo de bolos, biscoitos, pizza, pães e outros produtos feitos a partir do trigo. Resumi o livro para você neste vídeo:

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Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/contato/

Alimentos para recuperação após o treino de musculação

A maneira mais fácil de se recuperar após um treino de musculação é consumir uma refeição balanceada dentro de uma hora após o término da atividade. Se treinou cedo, logo em seguida faça seu café da manhã. Pode ser um shake com frutas para beber a caminho do trabalho. Se tiver mais tempo pode ser um omelete, um chá e uma fruta. Ou um mingau de aveia adoçado com uva passa. Ou iogurte grego com morangos. Ou bananas com manteiga de amendoim. Outras pessoas não vivem sem o pão da manhã. Tudo bem, mas coloque um ovo dentro para aumentar seu aporte proteico.

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Se malha ao meio dia, almoce depois. E se malha à noite, jante. Um exemplo de refeição seria peixe, batata doce, brócolis e tomate. Poderia ser também um espaguete normal (ou de abobrinha, se desejar perder gordura) com molho a bolonhesa e queijo. Outra opção seria uma salada com folhas verdes, castanhas quinoa, grão de bico, tomate e ovos. Ou pão integral com maionese de atum. Tudo depende do gosto do freguês.

Em relação às quantidades, converse com seu nutricionista. Após a avaliação nutricional, que envolve análise de dados bioquímicos, antropométricos, dietéticos e clínicos os ajustes mais apropriados poderão ser feitos.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/contato/

Práticas integrativas no tratamento da doença de Parkinson

O Parkinson é a segunda doença neurodegenerativa mais comum após o Alzheimer. De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde, 1% da população mundial acima de 65 anos tem o mal de Parkinson. Estima-se que mais de 200.000 pessoas tenham a doença no Brasil.

Na maioria dos pacientes, os primeiros sintomas aparecem por volta dos 50 anos. Existe também uma forma hereditária da doença, que surge antes, na casa dos 20 anos. A característica comum entre todos os pacientes é a morte de células do cérebro, principalmente de neurônios que ficam em uma região chamada de substância negra, onde é produzida a dopamina. Este neurotransmissor é importante para o controle dos movimentos e organização da memória.

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Tremores, rigidez muscular, dificuldade na manutenção da postura, insônia, pesadelos e prisão de ventre são sintomas comuns. Com o passar dos anos, neurônios de outras partes do cérebro podem também morrer. Nesta fase surge a demência. Outros sintomas são a redução na capacidade de reconhecer cheiros, alterações de humor e depressão são outros sintomas comuns que aparecem antes das dificuldades motoras.

Além das questões genéticas, outras causas vem sendo investigadas. Em relação à dieta, o componente alimentar mais frequentemente implicado é o leite, pois pode vir contaminado por neurotoxinas. Altos níveis de resíduos de pesticidas organoclorados têm sido encontrado no leite, bem como nas áreas mais afetadas no cérebro de vítimas de Parkinson (após autópsia).

Uma das razões pelas quais pesticidas podem causar mutações de DNA e aumentar o risco de doença de Parkinson é o acúmulo de proteínas no cérebro. No Alzheimer, é a proteína beta-amilóide beta; na doença de Creutzfeldt-Jakob e na doença das vacas loucas, são os príons; na doença de Parkinson, é uma proteína chamada alfa-sinucleína. Uma variedade de pesticidas são capazes de desencadear o acúmulo de sinucleína em células nervosas humanas. Porém, como vários estudos são feitos em placas de petri, em laboratórios, muitos pesquisadores não concordam. Sugerem que a doença de Parkinson deixa algumas pessoas deprimidas. Buscando conforto bebem mais leite e consomem produtos feitos a partir do leite. Ou seja, são ainda necessários mais estudos para que a relação de causalidade entre laticínios e a doença de Parkinson seja comprovada.

Enquanto isso é importante saber que, além de pesticidas, o leite pode conter outros contaminantes neurotóxicos, como os tetra-hidroisoquinolinos, encontrados no cérebro de pessoas com doença de Parkinson. A relação entre laticínios e doença de Huntington parece semelhante. O Huntington é uma doença cerebral degenerativa, cujo início precoce pode ser duplicado pelo consumo de produtos lácteos.

Bem, existiria alguma forma de retardar o processo? Você pode optar por alimentos orgânicos, leites orgânicos (ou nenhum consumo de laticínios) e aumento do consumo de frutas e verduras. As mesmas são ricas em flavonóides, compostos naturais com efeitos neuroprotetores. Flavonóides presentes no mirtilo, por exemplo, podem não apenas inibir a formação de fibras de sinucleína no cérebro, mas algumas poderiam até mesmo ser quebradas ou estabilizadas.

Outras estratégias também são importantes. O tratamento costuma ser feito com uma combinação de medicamentos que ajudam a repor a dopamina. Outra opção é a neuromodulação. A técnica consiste no implante de eletrodos no cérebro, para ajudar a controlar os movimentos involuntários.

A atividade física também é fundamental. Em um pequeno estudo, pacientes passaram por um programa de yoga de 8 semanas. Após o período houveram melhorias na estabilidade, na postura, na capacidade de andar. O risco de queda também diminuiu (Puymbroeck et al., 2018). Para os pacientes mais graves as posturas do yoga podem ser adaptadas, para a prática no sofá ou na cadeira. Aprenda mais no curso de formação online.

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Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/contato/

Disbiose bucal: entenda como ela afeta sua saúde

Já escrevi neste blog inúmeras vezes sobre a disbiose intestinal, condição de desequilíbrio entre bactérias boas e ruins, nos intestinos delgado e grosso. Hoje você vai conhecer a disbiose bucal. Quando falamos da boca pensamos naturalmente nos dentes e naquele sorriso bonito dos modelos da propaganda de pastas de dentes. Mas, para além da estética, a saúde oral é fundamental para a prevenção de doenças que afetam o corpo todo. Os dentes trituram os alimentos para que nutrientes possam ser adequadamente absorvidos. Além dos dentes a boca alberga uma grande microbiota, bilhões de bactérias que podem proteger ou matar.

A diversidade da microbiota bucal é enorme: são mais de 700 espécies de bactérias, como lactobacilos, importantes para digestão dos alimentos e proteção da cavidade oral contra patógenos. Já Streptococcus mutans e Porphyromonas gingivalis são prejudiciais, quando estão presentes em grande número. Na maioria das pessoas com boa higiene bucal, as bactérias "boas" e "ruins" coexistem de forma equilibrada. Mas a má higiene oral, o alto consumo de carboidratos simples, o tabagismo, o uso de antibióticos e o estresse podem romper a harmonia da microbiota.

Quando bactérias ruins começam a proliferar acabam formando um biofilme sobre os dentes, a famosa placa dentária. Quando a quantidade de bactérias na junção entre a gengiva e os dentes excede o que o sistema imunológico consegue defender, vários problemas podem surgir. O Streptoccus mutans produz ácidos que atacam o esmalte e a dentina dentária, aumentando o risco de cáries. Microorganismos como o P.gingivalis induzem reações inflamatórias na junção gengival-dentária, causando a periodontite.

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Estas doenças inflamatórias crônicas afetam dentes e também todos os tecidos de sustentação envolta deles: gengiva, ossos e ligamentos. Quando a gengiva é afetada, torna-se avermelhada, inchada, dolorida e ainda sangra facilmente. Sem tratamento, desenvolve-se a periodontite, condição em que a gengiva retrocede, deixando de proteger o dente, que pode até cair.

A periodontite afeta a qualidade de vida de várias formas: causa dor, hipersensibilidade na gengiva, dificuldade de mastigação, restrição alimentar, carências nutricionais, problemas estéticos, baixa auto-estima, dificuldade de comunicação. A inflamação bucal também aumenta a inflamação em outras áreas do corpo. E a inflamação crônica aumenta o risco de obesidade, doenças cardiovasculares e síndrome plurimetabólica. Outras doenças também podem estar relacionadas à má saúde oral como problemas gastrointestinais, certos tipos de câncer e até a doença de Alzheimer.

Se a gengiva deixa de ser uma barreira eficiente, bactérias da boca podem ainda passar para a corrente sanguínea gerando infecções em diferentes locais: parede de artérias, pâncreas, tecido adiposo. A inflamação gerada pode acelerar a deposição de colesterol nas artérias, diminuir a capacidade das células para responder à insulina. De fato, a periodontite não tratada em diabéticos dificulta o controle dos níveis de açúcar no sangue.

Outra doença grave também parece estar relacionada a infecções periodontais: a artrite reumatóide. Caracterizada por inflamação e destruição progressiva e irreversível da cartilagem das articulações (dedos, pulsos, joelhos, pés ...), a artrite é responsável por dor crônica e incapacidade. A situtação preocupa pois a periodontite é altamente prevalente na população brasileira (Matoso et al., 2017).

Mulheres grávidas correm inclusive maior risco de terem pré-eclâmpsia e partos prematuros quando a saúde bucal não é boa. Mais da metade da população brasileira não frequenta o dentista anualmente, como recomendado. Mas a mulher que decide engravidar precisa cuidar deste aspecto rapidamente.

Existem também outras populações em risco: pessoas HIV positivas, com anorexia, anemia, diabetes, com hemocromatose, em tratamento com medicamentos que inibem a reabsorção óssea, ou fazendo radioterapia na região facial desenvolvem mais problemas bucais e costumam ter uma microbiota oral alterada.

A melhor arma no caso da periodontite é a prevenção por meio da boa higiene oral (escovação por dois minutos, três vezes ao dia, com pasta contendo flúor) e visitas anuais ao dentista. Farei um texto sobre os prós e contras do flúor - a polêmica é grande.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/contato/
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