Hiperglicemia aumenta o risco de Alzheimer, câncer e doenças cardiovasculares

Pessoas com diabetes tipo 2 correm maior risco de desenvolverem doenças cardiovasculares, doenças renais, depressão, declínio cognitivo e morte prematura. Quanto mais altos estão os níveis de açúcares no sangue maior o risco de complicações. E o mais interessante é que o uso de medicação não diminui o risco de mortalidade neste grupo de pacientes.

O hormônio insulina também não diminui os riscos, já que aumenta o risco de certos tipos de câncer, obesidade e aterosclerose, além de acelerar o envelhecimento. A terapia insulínica pode promover inflamação no revestimento das artérias, o que ajuda a explicar os resultados dos estudos. Por isso, mudanças de estilo de vida são fundamentais! Não podemos depender de medicamentos. Temos que nos responsabilizar de verdade por nossa saúde.

Atividade física, descanso, combate ao estresse, redução no consumo de carboidratos simples e aumento no consumo de frutas, verduras e ervas são as estratégias mais importantes. Estudos mostram a eficácia de compostos do Ginkgo biloba, das uvas, do chá verde e do cacau, do açafrão e de outras plantas na redução da inflamação e de consequências indesejadas do diabetes, incluindo o declínio cognitivo (Cicero, Fogacci & Banach, 2018).

A curcumina do açafrão é um polifenóis mais estudados. Regula vias associadas ao sistema imune, às defesas antioxidantes, ao metabolismo de lipídios e carboidratos. Tem um papel importante na prevenção do câncer em vários órgãos (Panda et al., 2017). Tente utilizar meia colher de chá de açafrão diariamente em sua comida. Para melhor absorção da curcumina adicione também pimenta, alho, cebola e azeite de oliva ao prato.

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Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/contato/

A patogênese complexa da doença de Alzheimer

O Alzheimer é caracterizado por prejuízos na memória, depressão, confusão mental e agitação. A neuropatia envolve o acúmulo de proteínas beta amilóides e emaranhados de proteínas tau hiperfosforilados no cérebro. O Alzheimer é responsável por 50 a 80% dos casos de demência no mundo. A demência também pode ser causada por problemas vasculares ou anatômicos.

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O acúmulo de placas amilóides protéicas e oligômeros tau inicia-se vários anos antes do aparecimento dos primeiros sintomas da doença de Alzheimer. Em circunstâncias normais, proteínas danificadas são eliminadas do cérebro, durante seu metabolismo normal. Contudo, o estresse oxidativo, a inflamação e alterações genéticas podem dificultar o processo, gerando apoptose e morte neuronal. Como não podemos modificar a genética devemos adotar um estilo de vida preventivo para o Alzheimer, com dietas antiinflamatórias e ricas em antioxidantes.

O alto consumo de açúcar, sal, proteína animal (principalmente carnes vermelhas e embutidos), gordura saturada, assim como o baixo de açúcares refinados, sal, proteínas e gorduras derivadas de animais e o baixo consumo de frutas e vegetais estão associadas a um maior risco de doença de Alzheimer. Pessoas com Alzheimer também possuem uma microbiota diferenciada com aumento de Clostridia, Bacterioidetes e Verrucomicrobia. Assim, para inibir a agregação da proteína beta-amilóide, reduzir a fosforilação da proteína TAU, aumentar as reservas antioxidantes, a dieta deve ser ajustada, assim como devem ser aumentados os cuidados em relação ao funcionamento intestinal. Estas medidas reduzem fontes de inflamação.

Refrigerantes, alimentos processados aumentam a quantidade de ácido benzóico no intestino. Absorvido, o ácido benzóico chega ao cérebro acelerando a neurogeneração. A inflamação cerebral (neuroinflamação) também prejudica o ciclo circadiano, aumenta a secreção de cortisol e piora a qualidade do sono. Dietas e intervenções nutricionais voltadas para a restauração das concentrações de cortisol podem facilitar os distúrbios do sono e facilitar a depuração do cérebro, reduzindo consequentemente o risco de comprometimento cognitivo e demência. Vitamina C e betasitosterol são muito importantes (Pistollato et al., 2016).

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Em relação a compostos antiinflamatórios, o ácido lipóico tem demonstrado eficácia prevenindo a progressão da doença de Alzheimer (Sousa et al., 2019). Dentre os muitos efeitos benéficos do uso do ácido alfa-lipóico estão a melhora do funcionamento do fígado, aumento da atividade de enzimas antioxidantes, redução de radicais livres, do estresse oxidativo, dos danos ao DNA e da inflamação, melhoria no metabolismo lipídico e de carboidratos (Yang et al., 2014).

Talvez você já tenha ouvido falar que pessoas que comem menos vivem mais. Pois é, o consumo calórico excessivo e o acúmulo de tecido adiposo aumentam a morte celular, geram mais inflamação, atraem mais macrófagos, desregulam o sistema imune e hormonal. O aumento no armazenamento de lipídios no tecido adiposo e não adiposo (como fígado, pâncreas, músculos) gera efeitos lipotóxicos e glicotóxicos, que diminuem a captação de glicose no estado pós-prandial aumentam o risco de diabetes, neuropatias, doenças cardiovasculares e também de Alzheimer, que inclusive é conhecido como diabetes tipo 3 (Gregor & Hotamisligil, 2011).

Em artigo recente são definidas algumas estratégias de estilo de vida para a prevenção do Alzheimer, dentre elas (Shetty & Youngberg, 2018):

  • Redução dos carboidratos simples da dieta;

  • Eliminação dos alimentos processados da dieta;

  • Evitação do glúten;

  • Aumento do consumo de frutas e verduras;

  • Estratégias para redução do estresse;

  • Boa qualidade de sono (se necessário, uso de melatonina);

  • Suplementação de vitaminas do ciclo da metionina (B9, B12);

  • Suplementação de vitamina D, ômega-3, coenzima Q10;

  • Boa higiene oral e tratamento da periodontite;

  • Restabelecimento de níveis hormonais adequados (insulina, T4, TSH etc);

  • Atividade física.

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Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/contato/
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Estratégias para a prevenção do neuroenvelhecimento

O cérebro humano é uma façanha impressionante de engenharia, com cerca de 100 bilhões de neurônios interligados por meio de trilhões de sinapses. Ao longo da nossa vida, o cérebro muda mais do que qualquer outra parte do corpo. A partir do momento em que o cérebro começa a se desenvolver na terceira semana de gestação até a velhice, suas estruturas e funções complexas vão modificando-se, as redes e os caminhos se conectando e se separando.

Durante os primeiros anos de vida, o cérebro de uma criança forma mais de um milhão de novas conexões neurais a cada segundo. O tamanho do cérebro aumenta quatro vezes no período pré-escolar e, aos seis anos, atinge cerca de 90% do volume adulto.

Os lobos frontais - a área do cérebro responsável pelas funções executivas, como planejamento, memória de trabalho e controle de impulsos - estão entre as últimas áreas do cérebro a amadurecer, o que acontece no início da fase adulta.

Mas, à medida que envelhecemos, as funções corporais começam a declinar e lapsos de memória tornam-se mais frequentes. Mesmo assim, existe um grupo de pessoas que possuem as memórias tão nítidas aos 80 anos, quanto na juventude. Além da genética, vários outros fatores contribuem para que o cérebro mantenha-se jovem por mais tempo. Discuto alguns destes aspectos neste vídeo:

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Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/contato/
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Dieta de baixo teor de carboidratos para vegetarianos com TDAH e excesso de peso

Atendi recentemente um vegetariano que estava acima do peso e com triglicerídeos elevados. Também tinha diagnóstico de déficit de atenção e hiperatividade. A dieta rica em pães, biscoitos e doces era mesmo vegana, porém, de pobre qualidade nutricional. Dietas vegetarianas não são todas iguais. Existem aquelas balanceadas e existem aquelas desbalanceadas, como acontece com qualquer outra dieta.

Muitos alimentos ricos em carboidratos são incrivelmente saudáveis e nutritivos, como frutas, verduras, raízes, sementes, castanhas, leguminosas, contendo fibras, vitaminas, minerais e fitoquímicos em abundância. Já as dietas ricas em carboidratos refinados, vegetarianas ou não, estão ligadas ao maior risco de ganho de peso, resistência à insulina, doenças cardíacas e diabetes tipo 2.

O que são carboidratos refinados?

Carboidratos refinados, também são conhecidos como carboidratos simples ou carboidratos processados, são açúcares refinados e processados, como sacarose (açúcar branco), xarope de milho e agave. Também estão nos grãos refinados, cujas partes fibrosas, foram eliminadas. O grão refinado mais consumido no mundo é a farinha branca e todos os produtos feitos a partir dela (como pães, biscoitos, pizza, macarrão). Outras grandes fontes de carboidratos simples na dieta são arroz branco, refrigerantes, doces, salgadinhos e cereais matinais.

Os carboidratos refinados são praticamente isentos de nutrientes importantes, como fibras, vitaminas e minerais. Por esse motivo, são também chamados de alimentos com calorias “vazias”, já que fornecem energia, sem nutrir bem o corpo. São rapidamente digeridos, possuem alto índice glicêmico. Isso significa que rapidamente chegam à corrente sanguínea, gerando picos rápidos de açúcar no sangue. Quando isso acontece muita insulina é liberada do pâncreas, para normalizar os níveis de açúcar. Com a queda drástica da glicose plasmática, rapidamente você sentirá fome. Enquanto alimentos com alto índice glicêmico (como o pão branco) sacia por 1 hora, alimentos com muita fibra e um baixo índice glicêmico saciam por 2 a 3 horas.

As dietas pobres em fibras têm sido associadas a um aumento do risco de doenças inflamatórias, obesidade, câncer de cólon, além de problemas digestivos. Carboidratos refinados também aumentam os níveis de triglicerídeos no sangue, um fator de risco para doenças cardíacas e diabetes tipo 2.

Quem precisa perder peso, normalizar os níveis de triglicerídeos ou glicose e diminuir o risco de doenças, precisa reduzir os carboidratos simples da dieta. Assim, fica bem mais fácil controlar o apetite, reduzir a circunferência abdominal, normalizar os níveis de lipídios e açúcares no sangue e reduzir a pressão arterial. Embora dietas com baixo teor de carboidratos não sejam necessárias para todos, elas podem ter importantes benefícios para a saúde de pessoas com obesidade, síndrome metabólica e diabetes tipo 2.

Dietas com menores teores de carboidratos também costumam ser indicadas no tratamento de certos distúrbios neurológicos (Alzheimer, esquizofrenia, epilepsia, Parkinson, esclerose lateral amiotrófica e TDHA (Killeen et al., 2013). A hipótese é a de que a glicose alta no sangue, aumenta a quantidade de glicose no cérebro. O metabolismo da glicose no cérebro vai estimular a liberação de lactato e de glutamato. Este abrirá canais de cálcio, que chegará dentro dos neurônios, excitando-os, aumentando a irritabilidade e acelerando a morte neuronal.

Opções para a dieta vegetariana saudável incluem:

  • Vegetais, como tomates, cebola, couve-flor, berinjela, pimentão, brócolis, espinare, agrião, rúcula e couve de Bruxelas devem entrar diariamente nas refeições principais.

  • Frutas como morango, mirtilo, amora, laranja, kiwi, framboesa, abacate, ameixa, limão, maracujá e cereja devem fazer parte dos lanches ou ser consumidas como sobremesas.

  • Nozes e sementes são pobres em carboidratos, mas ricas em proteínas e gorduras. Inclua amêndoas, nozes, nozes de macadâmia, amendoim e sementes de abóbora, junto aos lanches ou na salada.

  • Soja: Alimentos como tofu e tempeh são ricos em proteínas e gordura, mas pobres em carboidratos.

  • Leguminosas, incluindo feijão verde, grão de bico, lentilha e ervilha.

  • Gorduras saudáveis como azeite de oliva extra-virgem e óleo de abacate.

  • Sementes de chia e linhaça: a maioria dos carboidratos das sementes é composta por fibras, de modo que quase todas as calorias disponíveis provêm de proteínas e gorduras.

  • Chocolate escuro (mais de 70% de cacau): pobre em carboidratos e com alto teor de substâncias antiinflamatórias.

  • Ovolacto vegetarianos podem aumentar o consumo de ovos, queijos e iogurtes sem açúcar. O kefir também é uma boa opção.

Recomendação de carboidratos para emagrecimento

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A quantidade de carboidrato na dieta poderá ser calculada por seu nutricionista. Em geral, 100-150 gramas por dia facilitam a manutenção do peso, sendo aceitável também para pessoas que querem perder peso e praticam atividade física. A tolerância aos carboidratos é individual. Talvez você beneficie-se de quantidades maiores (200 a 250g/dia), especialmente se sua atividade física for intensa ou seu metabolismo acelerado.

Já pessoas sedentárias podem precisar reduzir ainda mais os carboidratos para conseguirem continuar emagrecendo (50 a 100 gramas por dia). Valores ainda mais baixos vão colocar o corpo em cetose, o que promove uma perda de peso ainda mais rápida. Porém, nem todas as pessoas beneficiam-se pois a dieta cetogênica pode ter efeitos colaterais como enxaqueca, perda de peso, diarreia ou vômito, queda de cabelo, cãibras, fadiga, irritabilidade, aumento de colesterol e redução da carnitina livre. Para combater tais efeitos um nutricionista poderá sugerir a suplementação de nutrientes como ácido fólico, nicotinamida, colina, SAMe, vitamina B6, vitamina B12 e triptofano.

O metabolismo cetogênico eficiente também depende de um bom metabolismo mitocondrial, já que a queima de gordura é dependente de oxigênio. As mitocôndrias são as usinas energéticas da célula e são nessas organelas as responsáveis pela oxidação dos lipídios. Para funcionarem bem dependem também de nutrientes como coenzima Q10, carnitina, tiamina e riboflavina. Para estimular enzimas e melhorar a oxidação de lipídios, fitoquímicos como quercetina, resveratrol, capsaicina, naringina, nobiletina, antocianinas e genisteínas também podem ser utilizadas.

Opção de cardápio com baixo teor de carboidrato

Exemplos de café da manhã:

Ovos e legumes, passados azeite + chá verde

ou iogurte com morangos

ou vitamina de mirtilos com leite de coco

ou leite de amêndoas sem açúcar batido com abacate

ou pão de farelo de aveia com hummus de grão de bico + café

Sugestões de almoço:

  • Salada de folhas verdes, tomate, nozes, feijão verde + azeite, vinagre e pimenta preta.

  • Ovo cozido ou cogumelos salteados no shoyu

  • ou Omelete com tomate, açafrão, pimenta e cebola

  • ou Batata doce, salada verde e ovos

  • ou Salada de queijo feta com sementes de abóbora e nozes de macadâmia, azeitonas e grão de bico.

Sugestões para o jantar:

  • Espaguete de abobrinha com molho de tomate e castanha do Pará

  • ou Arroz de couve-flor com gratinado de brócolis

  • ou Cogumelos portobello grelhado, com legumes e abacate na manteiga, azeite ou óleo de coco.

  • ou Tempeh frito com castanha de caju e legumes.

  • ou Salada de quinoa com um pouco de azeite e um punhado de nozes.

Sugestões para ceia ou lanches:

  • Palitos de cenoura e pepino com molho de hummus e um punhado de nozes.

  • ou Morangos, amoras ou tangerina

  • ou castanhas e sementes

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Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/contato/