Consumo excessivo de proteína e risco de doenças

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Estudos mostram uma associação entre o consumo de alimentos processados, incluindo carnes, no risco de síndrome metabólica.  O maior consumo de proteínas de origem animal e o baixo consumo de proteínas de origem vegetais tem sido associado, em vários estudos, a maior risco de diabetes tipo 2 (Umpierrez & Pasquel, 2017).

Muita gente é defensora ferrenha do alto consumo de proteínas. Mas olhe o leite materno, o melhor alimento para o bebê. Se a proteína fosse assim o nutriente dos nutrientes, o leite materno teria uma concentração muito maior. Mas não é o que acontece. A quantidade de proteína no leite materno (cerca de 6% das calorias) é muito menor do que a do leite de outros animais. Não precisamos de tanta proteína!

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É comum vermos no consultório pessoas consumindo quantidades gigantes de proteína - entre 2 a 4 gramas por quilo por dia. Mas estudos mostram que não há necessidade de quantidades superiores a 1 a 2 gramas ao dia, mesmo para marombeiros. Produtos de uma dieta rica em proteínas, como L-carnitina e fosfatidilcolina, podem ser metabolizados em colina, que é convertida em trimetilamina (TMA) pela microbiota intestinal. A TMA pode ser oxidada no fígado para formar TMA-N-óxido (TMAO), que aumenta o risco de aterosclerose. O consumo proteico excessivo também vem sendo associado a maior risco de câncer, problemas no fígado, diabetes e agravamento da doença arterial coronariana (Serino et al., 2014).

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Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/contato/
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As proteínas: funções e fontes

Proteínas são macromoléculas que consistem da união de aminoácidos. Nada em nosso corpo (estrutura, funções, regulação de células, tecidos e órgãos, incluindo músculos e pele) poderia existir sem as proteínas. São tão importantes à vida que muito da pesquisa para entender como surgimos no planeta relaciona-se à compreensão da formação das proteínas e dos aminoácidos.

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Cada uma das 100 trilhões de células de nosso corpo contém centenas de proteínas diferentes, incluindo receptores, enzimas, sinalizadores, que, em conjunto, fazem a célula funcionar. As proteínas são formadas por aminoácidos unidos em longas cadeias por ligações chamadas de peptídicas. A maior parte da proteína em nosso corpo está nos músculos, responsáveis pela movimentação do nosso corpo e dos órgãos.

Além da movimentação, proteínas e aminoácidos também são importantes para o metabolismo energético do corpo. A massa proteica é uma reserva de energia que só pede para o tecido adiposo (nosso estoque de gordura).

A proteína do corpo é composta por 20 aminoácidos que combinam-se em milhões de quantidades e sequências diferentes. Destes, alguns podem ser sintetizados no corpo a partir de outros aminoácidos ou precursores mais simples. São os aminoácidos não essenciais, que podem ser excluídos da dieta sem prejudicar a saúde ou interromper o crescimento. Entram neste grupo: alanina, arginina, asparagina, ácido aspártico, ácido glutâmico, glicina, prolina, serina. Entretanto, outros aminoácidos não são produzidos no corpo sendo considerados essenciais ou indispensáveis:  isoleucina, leucina, lisina, metionina, fenilalanina,  treonina, triptofano  e valina (essenciais). Até o momento foi comprovado que a histidina é essencial para bebês. Os aminoácidos não-essenciais cisteína e tirosina podem tornar-se condicionalmente essenciais em caso de limitação da síntese ou diante da indisponibilidade de quantidades adequadas de precursores para suprir as necessidades corporais.

Ao serem unidos em proteínas várias funções podem ser executadas:

  • construção, fortalecimento, reparo de tecidos;

  • ação como anticorpos, enzimas, hormônios, neurotransmissores ou antioxidantes;

  • contração muscular;

  • transporte (como hemoglobina que transporta oxigênio e gás carbônico) e armazenamento (ferritina armazena ferro no fígado) de substâncias;

  • Mediação de respostas celulares;

  • Proteção do DNA por meio de reações de metilação.

Por sua essencialidade a deficiência de aminoácidos aumenta o risco de desnutrição protéica, diarréia, esteatose hepática, anemia, disfunções imunes, retardo mental ou de desenvolvimento e morte prematura. A recomendação de ingestão proteica para adultos é de cerca de 1g por quilo de peso ao dia. Ou seja, se você pesa 60 kg precisará consumir 60g de proteína diariamente. Esta quantidade pode variar de acordo com sua idade, sexo, peso, altura, massa muscular, saúde e carga de trabalho ou atividade física. Um nutricionista poderá fazer uma recomendação mais precisa para seu caso.

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As principais fontes de proteínas incluem alimentos de origem animal (carnes, peixes, aves, claro dos ovos, laticínios). Nos alimentos de origem vegetal as melhores fontes são as leguminosas (feijão, soja, lentilha, grão de bico), as castanhas, nozes, sementes e a quinoa. Saiba mais no curso Nutrição Básica, com videoaulas especiais para você:

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/contato/

Gestantes devem beber menos leite

Gestantes precisam de mais proteína e cálcio, nutrientes presentes no leite e seus derivados. Contudo, estudos vem demonstrando que laticínios e seus hormônios (Lange et al., 2002Regal, Cepeda e Pente, 2012) aumentam o risco de determinadas doenças em seres humanos, incluindo certos tipos de câncer (Aune et al., 2014Larsson et al., 2015; Wang et al., 2015). Os níveis hormonais dos laticínios são uma preocupação principalmente durante a infância e a gestação (Aksglaede et al., 2006; Steinman, 2006). Desta forma, a recomendação de consumo de laticínios vem sendo questionada (Ludwig e Willett, 2013).

Mulheres que ingerem laticínios tem 5 vezes mais chance de terem crianças gêmeas do que mulheres que não ingerem laticínios (Steinman, 2006). Gestações gemelares aumentam o risco de complicações, mortalidade materna e infantil em até 10 vezes (Steinman, 2006Young e Wylie, 2012).

Desta forma, pesquisadores da área vem recomendado a redução do consumo de laticínios em gestantes. Proteínas podem ser encontradas em outras fontes como leguminosas (feijão, lentilha, ervilha, grão de bico, soja), castanhas, sementes, quinoa, chia e cogumelos. Fontes de cálcio em alimentos de origem vegetal incluem vegetais verde-escuros (brócolis, couve e quiabo), frutas secas (figo, damasco, uva-passa), sementes de girassol e gergelim. O cálcio também pode ser suplementado. Para tanto, consulte um nutricionista.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/contato/

Dietas ricas em proteínas não são todas iguais

Revisão sistemática que incluiu 17 estudos com mais de 250.000 pessoas mostrou que dietas ricas em proteínas animais e pobres em carboidratos complexos aumenta o risco de mortalidade por diferentes causas (Noto et al., 2013). Contudo, se a dieta é rica em proteínas vegetais o risco de mortalidade é reduzido (Jenkins et al., 2009). Por isso, inclua mais hortaliças, frutas, castanhas, leguminosas, cereais integrais e cogumelos em suas refeições.

Mortalidade com diferentes dietas:

Uma das explicações é a alteração da microbiota intestinal e inflamação observada em indivíduos que consomem mais alimentos de origem animal (Wang e Jia, 2016).

Mais sobre alimentação e o risco de doenças:

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