Imprinting metabólico - alimentação da gestante influencia a saúde da criança por toda a vida

O diabetes materno pode influenciar o risco de obesidade de uma criança através de um processo chamado de imprinting metabólico. O termo descreve um fenômeno através do qual uma experiência nutricional precoce, atuando durante um período crítico e específico do desenvolvimento (janela de oportunidade), acarretaria um efeito duradouro, persistente ao longo da vida do indivíduo, predispondo a determinadas doenças.

O açúcar elevado no sangue da mãe pode significar que o bebê no útero está sendo superalimentado, possivelmente pré-programando-o para a obesidade. Por isso, o acompanhamento nutricional na gestação é tão importante. A mãe deve ganhar peso de forma saudável. Mesmo aquelas que já eram diabéticas ou que desenvolveram diabetes durante a gestação não terão crianças mais gordas se seguirem um plano dietético apropriado.

Saiba mais sobre alimentação na gestação:

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/contato/
Tags

Suplementação de DHA na gestação e pós-parto

dha-in-pregnancy-1.jpg

O ômega-3 é um nutriente essencial. Um de seus papéis é fornecer ácidos graxos como o docosahexaenóico (DHA) para o crescimento e boa função do tecido nervoso.

Ingestões inadequadas de ácidos graxos ômega-3 (composto antiinflamatório) diminuem o DHA e aumentam os ácidos graxos ômega-6 (composto inflamatório) no cérebro. A diminuição do DHA no cérebro em desenvolvimento compromete a formação de neurônios e altera a capacidade de aprendizagem. A dieta ocidental é frequentemente pobre em ômega-3 e rica em ômega-6 e isso repete-se na gestação. O cérebro de recém-nascidos e crianças pequenas depende do DHA materno (que chega pelo cordão umbilical e, posteriormente, pelo leite materno) (Innis, 2008).

ácido graxo¹_thumb[2].jpg

Estudos epidemiológicos ligaram o baixo DHA materno ao aumento do risco de desenvolvimento neural infantil. Gestantes que suplementam DHA reduzem o risco de mal desenvolvimento visual e neural nos seus bebês. Mas por que o benefício da suplementação não é igual para todos? Muito da explicação está na genética de cada um.

Por exemplo, genes para dessaturases, enzimas importantes no metabolismo do ômega-3, podem sofrer alterações, fazendo a necessidade de algumas pessoas aumentarem. Além disso, a proporção entre ômega-3 e ômega-6 é muito importante para a saúde geral e para o neurodesenvolvimento.

Quando necessário a suplementação pode ser feita com óleo de peixe, óleo de krill ou óleo de alga. Para proteção do sistema nervoso também é importante que a gestante minimize sua exposição a toxinas como dioxinas, PCBs e mercúrio.

Epa e dha.png

Estamos falando da criança mas é bom lembrar que o ômega-3 também é importante para as mães, reduzindo a incidência de depressão pós-parto. As alterações de humor e crises de choro acontecem principalmente devido às alterações hormonais decorrentes do término da gravidez. Mulheres que já tiveram depressão pós-parto devem suplementar pelo menos 300 mg de DHA em uma nova gestação. Além disso devem associar ao DHA mais 450 mg de EPA. Para individualização converse com seu nutricionista. Até porque seu cérebro e o do seu bebê precisarão de outros nutrientes (B12, B6, zinco, vitamina D). Saiba mais sobre o tema:

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/contato/

O consumo de tâmaras parece facilitar o trabalho de parto

aaaaaaabig-703x422.jpg

Cada região do mundo possui uma vegetação típica. As tâmaras (Phoenix dactylifera), por exemplo, são originárias do Golfo Pérsico. Existem evidências arqueológicas de cultivo no leste da Arábia em 4.000 a.C. Atualmente, as tamareiras são encontradas na Riviera Francesa, no sul da Itália, Sicília e Grécia, nas Ilhas de Cabo Verde, Iraque, Argélia, Marrocos, Tunísia, Egito, Sudão, Arábia e Irã, no noroeste da Índia, nas Filipinas, Austrália e até no nordeste da Argentina e do Brasil.

Um estudo científico avaliou o consumo de tâmaras por mulheres ao final do período gestacional. Na Jordânia 69 mulheres que consumiram seis tâmaras por dia durante 4 semanas antes da data estimada do parto foram comparadas com 45 gestantes que não consumiram tâmaras no mesmo período. Foi observado que as mulheres que consumiram as tâmaras tiveram maior dilatação cervical (o que facilita a passagem do bebê) e uma proporção significativamente maior de membranas intactas. O trabalho de parto espontâneo ocorreu em 96% das mulheres que consumiram datas, em comparação com 79% das mulheres que não fizeram o uso da fruta.

O tempo de trabalho de parto foi também menor nas mulheres que consumiram as tâmaras em comparação com as que não as consumiram. Os autores concluíram que as tâmaras reduzem a necessidade de indução do parto e produz resultados mais favoráveis. Os resultados justificam estudos com maior número de mulheres e em outras partes do mundo.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/contato/
Tags

Dificuldade para engravidar: previna e/ou trate o envelhecimento ovariano precoce

Muitas mulheres optam por engravidar após os 40 anos. Neste caso, a alimentação saudável é ainda mais importante pois a partir dos 35 anos o envelhecimento dos ovários acelera-se bastante. O histórico familiar também conta. Mulheres cujas mães entraram na  menopausa precocemente (no início da 4a década de vida) podem ter também maior dificuldade de engravidar após os 35 anos.

Para saber se os ovários estão funcionando bem mede-se o hormônio anti-mülleriano (decorei o nome pois meu pai chama-se Carlos Müller). O hormônio anti-Mülleriano é um marcador da reserva ovariana. É produzido nas células da granulosa dos pequenos folículos em estágio 1 e exerce funções reguladoras sobre a formação de células nos ovários.

gr1.jpg

A concentração sérica de hormônio anti-Mülleriano reflete o número de folículos pré-antrais e antrais em fase inicial. Este hormônio declina gradualmente com a idade da mulher (principalmente a partir dos 30 anos). A dificuldade para engravidar e a falta de sucesso na fertilização in vitro é indicativa de reserva ovariana diminuída e se associa com baixos níveis de hormônio anti-Mülleriano. Mulheres com ovários policísticos (SOP) podem ter este hormônio mais baixo.

Outra forma de avaliar o envelhecimento ovariano é avaliar o FSH no 3o dia do ciclo. Ele deve estar menor do que 10. Se estiver maior que 10 o ovário está envelhecendo e a mulher está mais próxima da menopausa.

Pelo menos 7 folículos precisam ser recrutados em cada ovário para liberar o óvulo (oócito secundário). Este processo de amadurecimento começa 85 dias antes da ovulação. Ou seja, a qualidade do óvulo é dependente da alimentação dos últimos 3 meses. Mulheres com endometriose possuem um envelhecimento ovariano mais precoce. Alimentação saudável é fundamental. 

O estresse oxidativo, estradiol < 35 no terceiro dia do ciclo faz com que a camada endometrial seja mais fina, dificultando a gravidez. O endométrio precisa estar entre 8 e 12 mm no dia da implantação para que a gestação seja bem sucedida. Quando o endométrio é fino o risco de aborto expontâneo é muito alto.

Em relação à suplementação a coenzima Q10 por 3 meses reduz o estresse oxidativo e pode melhorar a qualidade da reserva ovariana (Gat et al., 2016; Özcan et al., 2016; Akarsu et al., 2017). A vitamina D aumenta o hormônio anti-Mülleriano porém a suplementação depende da dosagem plasmática (Kumari & Hadalagi, 2015).

Tem muita gente fazendo dieta cetogênica mas a dieta hiperlipídica pode reduzir a quantidade de oócitos e reduzir o hormônio anti-Mülleriano (Tsoulis et al., 2016). O carboidrato não é seu inimigo. Sua dieta precisa ser equilibrada às suas necessidades fisiológicas.

O estresse oxidativo também inflama os ovários e prejudica a fertilidade. Obesidade, endometriose, SOP, uso de drogas, álcool, tabagismo, aumento do estresse psicológico aumentam a quantidade de radicais livres no ovário. A dieta precisa então ser rica em frutas e verduras para redução do estresse oxidativo. De fato, dietas ricas em antioxidantes atrasam a menopausa em 1 a 3 anos (Pearce & Tremellen, 2016).

Dormir bem também é fundamental. Sabia que o órgão com maior número de receptores de melatonina (hormônio do sono) nas mulheres é o ovário (Reiter et al., 2014)? E sabia que para dormir bem a dieta também precisa estar boa (triptofano, ômega-3, B6, B9, B12)? Pois é... Sem melatonina a taxa de implantação do embrião é menor. Pensando em engravidar? Marque uma consultoria.

Compartilhe se achou interessante.
Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/contato/
Tags