Distúrbios de sulfatação no autismo

O estresse oxidativo parece ser uma alteração bioquímica comum em grande parte das pessoas com algum transtorno do espectro do autismo (TEA). Alguns compostos sulfurados (contendo enxofre) necessários à reações de destoxificação (eliminação de toxinas), especialmente sulfatação, também estão em menor concentração no sangue de indivíduos com TEA. Desta forma, compostos com dupla capacidade, reduzindo a quantidade de radicais livres e melhorando processos de sulfatação vem sendo investigados. 

Compostos sulfurados com propriedades antioxidantes incluem n-acetilcisteína, sulforafano e L-carnitina. Um fator contribuinte para o déficit de substâncias sulfuradas no autismo é a maior excreção destes compostos pela urina. Estudos mostram que nos TEA a excreção de sulfato pode ser entre 200 e 700% maior, o que dificulta as reações de destoxificação e aumenta o estresse oxidativo.

Existem evidências de que o déficit de substâncias sulfuradas reduz a produção de energia, afeta o microbioma intestinal e o comportamento. A sulfatação é uma das rotas metabólicas que contribuem para a redução do excesso de alguns neurotransmissores secretados pelo cérebro de autistas. 

Alguns pesquisadores conseguiram demonstrar que a suplementação de n-acetilcisteína reduziu a irritabilidade; a L-carnitina melhorou o comportamento avaliado com o uso de escalas clássicas da área. Estudos também mostram que a redução da irritabilidade é melhor quando se associa risperidona (antipsicótico) com n-acetilcisteína. Ou seja, o medicamento risperidona, quando utilizado sozinho parece ter uma menor eficácia do que quando associado ao suplemento n-acetilcisteína. Desta forma, mais estudos nesta área são indicados (Bittker, 2016

A benfotiamina (derivada da vitamina B1, tiamina) e a biotina, vitamina do complexo B que contém enxofre também vem sendo investigadas. Mais sobre esta temática no curso online sobre autismo.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/contato/

Alimentação e Suplementação no Autismo

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/contato/

Ômega-3 e transtornos do espectro autista

Os transtornos do espectro autista (TEA) são desordens complexas que afetam o desenvolvimento neurológico. Sua prevalência na população vem aumentando, existindo uma série de hipóteses para o seu aparecimento. Pesquisas sugerem alterações genéticas associadas a fatores neurológicos e ambientais (como infecções, intoxicações durante o período pré-natal, exposição à agrotóxicos, prematuridade e deficiências nutricionais).

O autismo caracteriza-se pelos déficits de comunicação e interações sociais e pelos comportamentos repetitivos e interesses restritos. O tratamento multidisciplinar envolve terapias de comunicação, comportamento e linguagem, medicação, fisioterapia e modificações alimentares, com exclusão de certos grupos de alimentos e suplementação de nutrientes específicos que diminuam o risco de carências nutricionais, aumentem a proteção do sistema nervoso e reduzam a permeabilidade intestinal

O tratamento dos TEAs é dependente de estratégias comportamentais e educacionais intensivas, iniciadas precocemente. Terapias farmacológicas (uso de medicamentos) também vem sendo estudadas, principalmente para o controle da irritabilidade.

Em relação à suplementação, o uso está focado na correção de alterações no metabolismo. O ômega-3, por exemplo, vem sendo investigado com o intuito de melhorar o funcionamento do cérebro e reduzir o déficit de linguagem. Este lipídio é composto pelos ácidos graxos eicosapentaenóico (EPA) e docosahexanóico (DHA), os quais são importantes para o desenvolvimento e função cerebral.

EPA e DHA são componentes importantes das membranas das células nervosas e fundamentais para o desenvolvimento neurológico. Crianças com autismo tendem a ter menos níveis de ômega-3 circulantes, por isto a suplementação é comum. Contudo, os estudos são controversos.

Estudo de Ooi e colaboradores (2015) avaliou o efeito da suplementação de 1g de ômega-3 (EPA + DHA) por dia em 41 crianças e adolescentes com TEA, por 12 semanas. Observaram melhoras significativas em termos de atenção e redução de problemas sociais. Em uma pesquisa publicada em 2015 na revista Molecular Autism, Mankad e colaboradores relataram os resultados da suplementação de 1,5g de EPA e DHA para 38 crianças com idades entre 2 e 5 anos. Contudo, a suplementação não resultou em melhoria de sintomas como agressividade e hiperatividade após 6 meses de uso.

A suplementação de ômega-3 também não foi capaz de melhorar tais sintomas em adultos (Politi et al., 2008). Revisão sistemática publicada por James e colaboradores em 2011 também apontou o mesmo resultado. Os autores estudaram os efeitos do ômega-3 sobre as principais características e sintomas associados ao TEA. Realizaram meta-análise dos estudos selecionados por três principais características: interação social, comunicação e comportamentos estereotipados, além de hiperatividade, considerada uma característica secundária. Da análise de oito artigos, somente dois ensaios clínicos foram incluídos totalizando 37 crianças autistas com algum nível de deficiência intelectual. Não foi evidenciado efeito do ômega-3 sobre a interação social, comunicação, comportamentos estereotipados ou hiperatividade. Os autores concluíram que mais ensaios clínicos randomizados são necessários, além de um período de seguimento maior.  

Desta forma, ainda não existem evidências de que o ômega-3 seja eficaz no tratamento do autismo, apesar de sua importante função neuronal e benefícios para o tratamento da depressão e redução da progressão de outras doenças como Parkinson

Por isto, a recomendação é incluir fontes de ômega-3 na própria dieta, adotando-se como proteína animal o peixe, pelo menos duas vezes por semana, e fontes vegetais como linhaça e outras sementes. Se optar por suplementar ômega-3 adote um com quantidades muito baixas de mercúrio e procure um nutricionista para conversar sobre a suplementação concomitante de outros antioxidantes que irão evitar a oxidação deste nutriente.

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Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/contato/