Alimentação e doenças inflamatórias intestinais

Doenças inflamatórias intestinais (DII), como a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa, são enfermidades crônicas que acometem o trato digestório. Fatores genéticos, imunológicos e ambientais parecem os responsáveis pela inflamação decorrente, a qual leva à inflamação, inchaço, ulcerações e dores intestinais.

A retocolite atinge regiões do reto e do cólon. Pode causar diarreia com muco e sangue, perda de peso e indisposição. Já a doença de Crohn ataca reto, intestino grosso e delgado, sendo mais comum nesta última porção. Fases de crise levam à diminuição da qualidade de vida dos pacientes.

A causa dessas doenças é multifatorial, envolvendo fatores genéticos e ambientais, além da microbiota intestinal e a resposta imune dos pacientes. A patogênese das DII está ligada a alterações do sistema imunológico digestivo, que desencadeia respostas inflamatórias inadequadas, graves e prolongadas em indivíduos geneticamente predispostos. 

O número de indivíduos com DII vem aumentando possivelmente em decorrência de fatores como industrialização, estresse, tabagismo, mudanças na dieta e no estilo de vida da população. O diagnóstico inclui colonoscopia e biópsia. Medicamentos mantém o paciente fora da crise, mas a dieta é fundamental. 

O resultado clínico das DII varia de acordo com o tempo de evolução, o local de acometimento e outros fatores. Ambas as doenças podem apresentar períodos de exacerbação e remissão de intensidade variável. Complicações incluem má absorção intestinal, desnutrição, estresse oxidativo, anemia e doenças ósseas metabólicas, além do risco aumentado de carcinoma intestinal. O acompanhamento médico, psicológico e nutricional são fundamentais.

A nutrição adequada contribui para o melhor prognóstico dos pacientes. A alimentação deve ser antiinflamatória e bastante nutritiva, uma vez que existe uma tendência à má absorção e deficiência de nutrientes importantes como ácido fólico, ferro, cálcio, zinco, magnésio, vitamina D e vitamina B12, agravando o comprometimento imunológico e o bem estar. Além disso, os corticóides podem levar à perda de cálcio e massa muscular. Além destes nutrientes, recomenda-se a suplementação de ômega-3, probióticos e glutamina. Recomendo em minhas consultorias a retirada de glúgen, embutidos, farinha de trigo, açúcar, chá preto, álcool, adoçantes e refrigerantes.

Na retocolite ulcerativa deve-se reduzir ou eliminar as carnes vermelhas, principalmente durante as crises. Na retocolite ulcerativa suplementos de cúrcuma com 95% de curcuminóides, quercetina, extrato de gengibre padronizado em 15% de gingerol, auxiliam no controle da resposta inflamatória. Chás de casca de cacau, chá verde e chá verde também. Três porções de frutas vermelhas ao dia podem auxiliar na diminuição da quantidade de citocinas inflamatórias circulantes. Óleos que fornecem fitosteróis como óleo de abacate, gergelim e azeite extra-virgem também ajudam a combater a inflamação. A aromaterapia com óleos essenciais de hortelã, patchouli e olíbano também contribuem para a redução da inflamação.

Na doença de Crohn há maior tendência a disbiose intestinal, que precisa ser tratada, eliminando-se todos os alimentos que estiverem compromentendo a mucosa e fazendo o rodízio adequado de probióticos. A dieta deve ser baseada em plantas, com pouco carboidrato fermentável (baixa em FODMAPs) por pelo menos 2 meses por ano. O uso de pós-bióticos como tributirina também vem sendo recomendado:

Evite gorduras saturadas e gorduras trans e tome pelo menos duas doses de chás antiinflamatórios ao dia (gengibre, alcaçuz, erva cidreira, tulsi). Após a avaliação posso também prescrever tinturas antioxidantes (cúrcuma, alcaçuz, própolis, cravo), metilfolato, vitamina D, magnésio ou outros nutrientes imunomoduladores. Mais uma vez, a aromaterapia pode ser de grande valia. Os óleos essenciais de cravo, eucalipto, hortelã e olíbano são muito indicados.

Por fim, nas duas doenças é fundamental a redução da carga de estresse, pois o mesmo é gatilho para as doenças autoimunes e piora dos sintomas. Indico meditação e yoga pois são práticas simples, baratas, que todos podem aprender e praticar em qualquer lugar.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/