Excesso de estrogênio - causas, consequências e tratamento

Infertilidade, TPM louca, mudanças súbitas de humor, ganho de peso, baixa da libido - todas estas alterações podem estar relacionadas com desequilíbrios hormonais, como o excesso de estrogênio.

Funções do estrogênio

O estrogênio é um hormônio super importante. É produzido pelo ovário e influencia o tamanho dos seios, a textura e o brilho da pele, além de preparar o útero para receber o bebê, caso o óvulo seja fecundado. Também influencia a distribuição da gordura no corpo da mulher e protege as células nervosas. A deficiência de estrogênio aumenta ondas de calor na menopausa, causa ressecamento vaginal, insônia, problemas de memória.

Porém, quando o estrogênio está muito elevado em relação a outros hormônios, condição conhecida como dominância estrogênica, aparecem sintomas desconfortáveis e o risco de certas doenças aumenta. Fadiga, irritabilidade, alterações imunológicas, disfunção da tireóide, aumento do risco de certos tipos de câncer, candidíase são questões frequentemente associadas ao aumento exagerado do estrogênio.

Como acontece?

A dominância estrogênica pode ocorrer devido a dois fatores principais:

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1) Redução na produção de outros hormônios nas mulheres - como a progesterona, a partir dos 35 anos, agravando-se na menopausa.

Estrogênio e progesterona são os principais hormônios sexuais produzidos pelas mulheres. A concentração dos dois declina naturalmente conforme a mulher envelhece. Dos trinta e cinco aos cinquenta anos de idade, há uma redução de 75% na produção de progesterona no organismo. Durante essa mesma faixa etária, o estrogênio cai apenas cerca de 35%. Aqui instala-se já a dominância estrogênica, muito comum na peri-menopausa.

2) Exposição a xenoestrógenos, substâncias que imitam o comportamento dos estrógenos. Isto pode acontecer em homens e mulheres, jovens, adultos e idosos.

Os xenoestrogênios estão presentes em muitos produtos industrializados - comidas, bebidas, produtos de beleza, produtos de limpeza. Outro problema é o hormônio artificial presente nas pílulas anticoncepcionais. Muitas mulheres passam a vida tomando pílulas para não engravidar, para controlar o fluxo menstrual, para tratar os ovários policísticos. A pílula aumenta a quantidade de estrogênio no corpo da mulher. Também suprime a produção de progesterona, causando mais desequilíbrios.

Consequências

Em relação à composição corporal, o estrogênio promove a divisão celular, o crescimento e o acúmulo de gordura, enquanto a progesterona estimula a queima de gordura e diminui a divisão celular. O estrogênio aumenta a retenção de sal e água, enquanto a progesterona atua como um diurético. O estrogênio elevado contribui para o crescimento de células de câncer de mama e endometrial, enquanto a progesterona diminui o crescimento de células cancerígenas.

Os xenoestrógenos ligam-se aos receptores de estrogênio desencadeando uma resposta exagerada. A principal preocupação também está no aumento da incidência de cânceres hormonais como os de mama e ovários nas mulheres e o de próstata nos homens.

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Uma das maiores fontes de excesso de xenoestrógenos é a dieta moderna. Animais criados para abate são frequentemente injetados com grandes quantidades de hormônios de crescimento para fazê-los ganhar peso rapidamente ou para ter a produção de leite aumentada.

Estes hormônios chegam à carne e ao leite. Alimentos de origem vegetal também podem causar desregulação hormonal pois pesticidas, herbicidas e fungicidas encontrados nos produtos não orgânicos atuam como disruptores endócrinos, interferindo no nosso metabolismo.

A água também pode estar contaminada com medicamentos, hormônios, pesticidas e fertilizantes, estrogênios sintéticos e naturais do gado, além de produtos químicos industriais ou provenientes dos aterros sanitários. Fora isso, cosméticos, loções, xampus, sabonetes, cremes dentais e os inúmeros outros produtos corporais que usamos no dia-a-dia contêm parabenos, fenoxietanol, ftalatos e outros compostos com atividade estrogênica.

Outro fator a contribuir para o excesso de estrogênio é um intestino pouco saudável. A microbiota intestinal regula a absorção de estrogênio circulante usando a enzima beta-glucuronidase. Quando o seu microbioma está desequilibrado, esta enzima não consegue metabolizar adequadamente os estrogênios, aumentando sua absorção e o risco de câncer. Aprenda a tratar seu intestino em meu curso online sobre a disbiose intestinal.

Embalagens plásticas com bisfenol e ftalatos, encontrados em garrafas, embalagens de alimentos e potes para armazenamento de comida também podem liberar xenobióticos prejudiciais. Metais pesados como cádmio, chumbo e mercúrio também atuam como disruptores endócrinos e aumentam o estrogênio.

O que fazer?

O primeiro passo é cuidar da alimentação. Consuma menos produtos industrializados e mais produtos frescos. Prefira alimentos orgânicos, galinhas de granja, tome apenas água tratada, substitua os potes de plástico por potes de vidro, reduza o consumo de carnes e laticínios.

Tenha uma dieta variada que apoio os processos de eliminação de toxinas pelo fígado. Vitaminas do complexo B, aminoácidos, compostos fenólicos, vitaminas e minerais com função antioxidante, magnésio, glutationa, SAME, coenzima Q10, NAC são exemplos de compostos importantes para a destoxificação. Os mesmos também podem ser suplementados por nutricionista especialista na área.

Pratique yoga, faça atividade física, descanse e durma bem para reduzir o estresse. Quanto mais estressada tiver menor será a produção de progesterona. Com isso, a dominância estrogênica agrava-se, assim como seus sintomas adversos.

Se precisar, emagreça. Quanto maior é o acúmulo de gordura maior é a produção e o estoque de estrogênio. O ideal é consultar um nutricionista para adequar sua dieta. O mesmo saberá avaliar a necessidade de suplementação, indicará alimentos a incluir no cardápio (como vegetais crucíferos e sementes) para balancear seus hormônios e normalizar o funcionamento intestinal. Você encontra mais dicas em meus textos anteriores:

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/contato/

TPM e TDPM: causas e tratamento

A síndrome pré-menstrual (TPM) refere-se à variedade de sintomas físicos e emocionais que muitas mulheres experimentam no período que antecede o período menstrual. O transtorno disfórico pré-menstrual (TDPM) é uma forma mais grave de TPM, causando sofrimento psicológico intenso e até disfunção socioeconômica. Enquanto a TPM incomoda cerca de 30% das mulheres a TDPM atinge entre 3 e 8% da população feminina adulta.

Interações complexas entre hormônios no cérebro da mulher levam aos sintomas típicos, que podem ser agravados dependendo do nível de estresse, estado psicológico, nível de saúde, composição genético, ambiente social e cultural e alimentação.

Apesar de apresentarem sintomas semelhantes à depressão (irritabilidade, tristeza, ansiedade, tensão nervosa, queda da libido, flutuações de humor etc), diferem desta pois os sintomas melhoram assim que a mulher menstrua. que a menstruação começa, enquanto os da depressão não. Assim, na depressão o tratamento envolve psicoterapia e, muitas vezes, uso de medicação específica.

Já para TPM e TDPM o mais importante é a nutrição adequada, atividade física e relaxamento. No vídeo de hoje discuto justamente como amenizar os sintomas para um mês mais tranquilo:

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/contato/
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Alimentação e a Tensão Pré-Menstrual (TPM)

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A Síndrome da Tensão Pré-Menstrual (TPM) caracteriza-se por uma série de sintomas (como irritação, alterações de humor, inchaço, cólica) que surgem antes da menstruação. É causada pelas flutuações hormonais que ocorrem ao longo do ciclo menstrual, e costumam aparecer 5 a 10 dias antes da mulher menstruar, desaparecendo logo no primeiro dia do ciclo.

Dependendo do caso a mulher também pode experimentar enjoos, vômitos, alterações no sono, queda da libido, diarreia ou prisão de ventre, acne, dor de cabeça, tontura, edema de membros inferiores, compulsão alimentar, aumento do peso, dores nas mamas, queda da imunidade, além de angústia, cansaço, tristeza e choro fácil, ansiedade e baixa estima.

Claro, isso varia de mulher para mulher. Por isso, a TPM recebe uma classificação:

TIPO A – A mulher apresenta-se mais ansiosa, devido à queda do hormônio estrogênio e aumento da adrenalina e cortisol. Tensão, irritabilidade, insônia e alterações no humor são também comuns.

TIPO C – Esse tipo está relacionado principalmente à compulsão alimentar por doces ou salgados com eventuais dores de cabeça. 

TIPO D – Está relacionado com os sintomas depressivos, como raiva, baixa concentração, lapsos de memória, baixa autoestima e maior violência. 

TIPO H – Esse tipo leva esse nome porque está relacionado à palavra "hidratação", ou seja, ele está diretamente ligado à retenção de líquidos e suas consequências, como ganho de peso, sensibilidade e inchaço das mamas e inchaço abdominal e das extremidades do corpo, como mãos e pés.

TIPO O – Esse tipo refere-se aos outros sintomas ligados à TPM, como a alteração nos hábitos intestinais, aumento da frequência urinária, fogachos ou sudorese fria, dores generalizadas, incluindo cólicas, náuseas, acnes, reações alérgicas e infecções do trato respiratório. 

Felizmente, existe um conjunto de ferramentas para que a mulher possa prevenir a TPM e cuidar-se durante todo o ciclo menstrual.

1. Yoga e meditação contribuem para a redução do estresse e da compulsão alimentar

2. Atividade física contribui para a liberação de hormônios que tranquilizam e melhoram o humor.

3. Consumo de chás sem cafeína. A cafeína aumenta a liberação de adrenalina. Por isso, se a sua TPM é forte prefira chás de ervas sem cafeína. Alguns chás são também diuréticos reduzindo o inchaço. Dê preferência à salsinha, alcachofra, cavalinha, sabugueiro, dente de leão, abacaxi, barba de milho e gengibre.

4. Tome suco verde. Ele é rico em magnésio, nutriente importante para aumentar a energia naqueles momentos em que ela encontra-se em baixa.

4. Reduza o açúcar e outros carboidratos simples. Alimentos com alto índice glicêmico (como pão, arroz, macarrão, bolos, doces) levam à uma hipoglicemia de rebote. Ou seja, após o consumo destes alimentos a concentração de glicose no sangue para depois cair rapidamente. Isto faz com que a mulher acumule gordura, sinta mais fome, tontura e dor de cabeça. Também ficará mais irritada e agressiva.

5. Consuma alimentos ricos em triptofano. Estes regulam o humor e o prazer. Banana, nozes, castanhas, feijão, damasco, aveia, abacate e arroz integral são ótimas opções.

Saiba mais sobre o tema:

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/contato/
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Fitoterapia na redução dos sintomas da TPM

Durante o ciclo mensal acontece uma comunicação hormonal  constante entre o útero, os ovários e o sistema nervoso central (hipófise), preparando o corpo para uma possível gravidez. Durante o mês, a produção de estrogênios pelos folículos ovarianos estimula o crescimento e a irrigação sanguínea da parede do útero, como forma de preparação para a implantação do óvulo, caso tenha sido fecundado.

As membranas destas células contêm, entre outras substâncias inflamatórias (prostaglandinas) que são responsáveis pela sensação de dor e desconforto no período pré-menstrual. No caso de não haver fecundação do óvulo, os níveis de progesterona e estrogênios caem, fazendo a parede uterina descamar e liberando as prostaglandinas. Com isso, surgem as cólicas, o inchaço, as dores de cabeça, náuseas e, às vezes até vômitos e diarreia. Claro, as variações hormonais ao longo do mês diferem de mulher para mulher, desencadeando sintomas com diferentes intensidades.

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A alimentação é a grande aliada das mulheres que sofrem durante o período pré-menstrual. Uma dieta antiinflamatória modula os níveis estrogênios, os quais estimulam a produção de prostaglandinas. Estudos mostram que uma alimentação rica em fibras e pobre em gorduras saturadas e açúcares está relacionada a menores níveis de estrogênicos e menos desconforto para as mulheres.

Por isso, capriche no consumo de frutas e verduras como abóbora, cenoura, nabo, couve, espinafre, agrião, cebola, alho, leguminosas (feijão, lentilha, ervilha, grão de bico), açaí, uvas roxas, alho cebola, açafrão, melancia. Reduza o consumo de alimentos ricos em gorduras saturadas como laticínios integrais, carnes gordas e banha de porco. Reduza também o consumo de alimentos processados açucarados (resfrigerantes, doces, biscoitos e bolos). Café e álcool também parecem agravar as cólicas menstruais.

Fora isso, verifique com seu nutricionista se está consumindo quantidades adequadas de vitamina E e vitamina B6. Em casos de carência, a suplementação reduz a intensidade dos sintomas. 

Chás antiinflamatórios também são uma boa pedida para a redução das cólicas e do inchaço. Por exemplo, o chá de erva-doce é tão eficaz como antiinflamatórios como o ibuprofeno. Contudo, mulheres que consomem aumentam a dose do chá podem sangrar 10% a mais.

Para cólicas vá de gengibre. Ele reduz caibras e também o sangramento. Uma colher de chá em pó ao dia (na comida ou chás) já ajuda bastante. Em relação a fitoterápicos, existem vários estudos com o Vitex agnus castus (Zamani, Neghab & Torabian, 2012Cerqueira et al., 2017;  Rafieian-Kopaei & Movahedi, 2017), um pequeno arbusto, amplamente distribuído na região do Mediterrânea da Europa e na Ásia Central.

As partes utilizadas para fins medicinais são os frutos secos maduros e extratos. Seus constituintes são flavonóides (casticina, isovitexina, orientina), iridóides (aucubina, agnuside, eurostide) e óleos voláteis (monoterpenos e sesquiterpenos) com propriedades antiinflamatórias. Em geral, a dose diária de 20 mg parece ser a mais eficaz (Schellenberg et al., 2012). Consulte seu nutricionista para individualização. 

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Leia mais sobre a nutrição para o combate dos sintomas da TPM:

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/contato/
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