"Meu filho não come nada! Não sei mais o que fazer!" - Conheça a Terapia de Integração Sensorial

O consumo alimentar inadequado e as carências nutricionais afetam negativamente o crescimento, a aprendizagem e o desenvolvimento de crianças. O baixo consumo de alimentos saudáveis em quantidades adequados não só famílias de baixa renda, mas também pessoas com baixo conhecimento nutricional e crianças e adolescentes com disfunções sensoriais.

A Desordem de Processamento Sensorial (DPS), também chamada de Disfunção da Integração Sensorial ou simplesmente Disfunção Sensorial é uma desordem neurológica que gera dificuldades na assimilação, processamento e resposta às informações sensoriais provenientes do ambiente e dos sentidos do próprio corpo do indivíduo.

A criança pode ter, por exemplo, maior dificuldade em regular e organizar as respostas do estímulo sensorial (auditivo, táctil, olfativo, gustativo, visual, vestibular e proprioceptivo).  Pode acontecer:

* Hiper-responsividade sensorial: é uma tendência para responder estímulos sensoriais mais rapidamente, mais intensivamente e com longa duração. É por isto, que algumas crianças não aceitam determinados sons, cores, sabores ou texturas.

* Hiporesponsividade sensorial: tendência a não responder ao estímulo sensorial. Pode ocorrer inclusive da criança não sentir dor, expondo-se à riscos de morte.

* Desejo pela sensação/busca sensorial: tendência de desejar estímulos sensoriais intensos e incomuns. Por isto, algumas crianças desenvolvem picamalácia e ingerem produtos impróprios como terra, sabão, grãos crus...

A DPS é mais comuns em pessoas no Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) e na Síndrome de Down.  Em decorrência da DPS pode haver rejeição de um ou vários tipos de alimentos, aumentando o risco de desnutrição em crianças que limitam o consumo alimentar. Por outro lado, outra crianças aceitam apenas alimentos amiláceos ou açucarados como pães, bolos, biscoitos ou doces aumentando o risco de ganho excessivo de peso. Nas duas situações também há uma alta incidência de carências de vitaminas e minerais.

Faz parte da terapêutica nutricional de crianças com DPS o enriquecimento da dieta, a correção de carências nutricionais, por meio de suplementos alimentares e a educação da família sobre as dificuldades sensoriais da criança. O nutricionista deve encaminhar a criança ao terapeuta ocupacional sempre que for detectado:

  • Baixo peso ou perda de peso intensa

  • Engasgos, vômitos, refluxo

  • Trauma por incidente (asfixia)

  • Falta de coordenação para comer e respirar

  • Inabilidade para consumir alimentos pastosos aos 10 meses

  • Inabilidade para consumir alimentos sólidos aos 12 meses

  • Inabilidade de usar o copo aos 16 meses

  • Aversão ou evitação de todos os alimentos com determinada textura ou de determinado grupo

  • Consumo de menos de 20 alimentos diferentes aos 18 meses

  • Choro na maior parte das refeições

Nestes casos, o nutricionista não consegue trabalhar sozinho necessitando da ajuda de um terapeuta ocupacional. O questionário "perfil sensorial" permite ao terapeuta ocupacional uma avaliação da capacidade de processamento sensorial de cada paciente. As intervenções terapêuticas e as atividades sensório-motoras conduzidas pelo terapeuta ocupacional aumentam gradativamente a aceitação a diferentes texturas, cores, sabores, sensações e aromas. O tratamento deve ser altamente individualizado, positivo, descontraído e inclui muitas brincadeiras.

O tratamento multidisciplinar é sempre muito mais eficaz. Profissionais que aprendem  a trabalhar juntos beneficiam beneficamente seus trabalhos e a vida de seus pacientes. Hoje entrevistei a Laura Monteiro, uma terapeuta ocupacional de BH, que explicou o que é a terapia de integração sensorial:

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/contato/

Suplementação de EGCG reduz dismorfia facial em pessoas com síndrome de Down

Pessoas com síndrome de Down (trissomia do 21) apresentam características faciais diferenciadas como olhos puxados, cabeça achatada na parte de trás, nariz pequeno e achatado, orelhas pequenas e localizadas na linha abaixo dos olhos, céu da boca encurvado e com menor número de dentes.

Fonte da imagem:  Starbuck et al., 2014

Fonte da imagem: Starbuck et al., 2014

Indíviduos com síndrome de Down também apresentam maior assimetria quando comparados aos seus irmãos típicos (Starbuck et al., 2014).

Estudo recente publicado por Rafael de la Torre e colaboradores (2018) mostrou que a suplementação de epigalocatequina-3-galato, flavanol presente no chá verde pode reduzir as dismorfias na SD. O estudo, conduzido em camundongo mostrou que o uso do EGCG antes e após a gestação melhora o desenvolvimento facial. Contudo, altas doses de EGCG não foram benéficas. Em humanos, a suplementação de EGCG desde o início da vida reduziu a dismorfia facial de pessoas com SD.

Mais pesquisas são necessárias nesta área. Debateremos mais sobre este e outros assuntos no grupo de estudos “Alimentação e Suplementação na Síndrome de Down. Inscreva-se.

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Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/contato/

QI de crianças com Síndrome de Down

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O Quociente de inteligência (QI) é um valor obtido por meio de testes desenvolvidos para avaliar as capacidades cognitivas (inteligência) das pessoas. Expressão o nível de habilidade de um indivíduo num determinado momento em relação ao padrão (ou normas) comuns à idade.

As variações da inteligência possuem uma base genética, mas sofrem influência do contexto sócio-econômico, de estímulos diversos e da alimentação. O resultados do teste de QI de uma criança com Síndrome de Down deve ser analisado com cautela. Primeiro porque estes testes não são confiáveis antes dos 7 anos de idade. Segundo, os testes de QI tendem a subestimar as competências de indivíduos com síndrome de Down, principalmente quando tem dificuldades na fala, o que dificulta a resposta a perguntas. Ademais, pontuações mais baixas não impedem que um individuo com síndrome de Down desenvolva competências de vida, não impede que possam cuidar de si próprios.

Por isso, utilize com prudência as informações de testes de inteligência. Ter baixa expectativa resulta em baixo estímulo, e claro, baixo desempenho. A intervenção precoce, os cuidados médicos e de saúde, o acesso à educação de qualidade, o amor, a aceitação social, a alimentação saudável associada à suplementação adequada geram contribuem para a aprendizagem em níveis cada vez mais elevados.

Há déficit cognitivo na Síndrome de Down? Sim! Mas em que medida o mesmo afetará o aprendizado e a vida? A resposta varia de pessoa para pessoa. Alguns indivíduos com Síndrome de Down fazem novas aquisições de forma mais lenta do que crianças típicas, outras tem mais dificuldade em manterem-se concentradas por longos períodos. A memória pode não ser tão boa; podem existir também mais dificuldades em aplicar o aprendido em diferentes contextos. Assim, não tenho como dizer se uma criança com Síndrome de Down será capaz de ler, fazer contas ou se chegará à faculdade pois existe uma ampla variação de competências entre as pessoas. Mas isso também existe entre as pessoas típicos. Aprendi a ler e escrever mas não aprendi a tocar violão. Existem diferenças individuais em nosso desenvolvimento social, emocional, psicológico, motor, linguístico...

Sem problemas, ao invés de nos preocuparmos com o que não sabemos podemos focar no que temos de melhor, em nossas competências únicas. No caso da pessoa com síndrome de Down é muito importante lembrar que a aprendizagem pode ser muito afetada por doenças, problemas auditivos e/ou visuais ou algum transtorno do espectro autista. Desta forma, o acompanhamento é fundamental para que o apoio chegue o quanto antes.

Por fim, a nutrição adequada não pode ser negligenciada. O desenvolvimento do cérebro depende de uma série de nutrientes incluindo fosfolipídios, ácidos graxos, colina, zinco, vitaminas B5, B6, B9, B12, aminoácidos como taurina, além de antioxidantes para proteção do tecido nervoso.

Debateremos mais sobre este e outros assuntos no grupo de estudos “Alimentação e Suplementação na Síndrome de Down. Inscreva-se.

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Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/contato/

Importância da vitamina D na Síndrome de Down

Já perdi a conta de quantas vezes escrevi sobre a vitamina D neste blog. Esta vitamina produzida em nossa pele quando tomamos banho de sol possui várias funções no nosso organismo. Por exemplo: (1) contribui para a absorção de cálcio e fortalecimento dos ossos; (2) reduz o ganho de peso; (3) previne doenças autoimunes; (4) diminui o risco de certos tipos de câncer; (5) ajuda no tratamento da dor crônica.

Estudos mostram que a concentração de vitamina D plasmática é menor em pessoas com Síndrome de Down do que em pessoas típicas (Stagi et al., 2015).  Existem também evidências de que pessoas com excesso de peso ou mais inflamadas podem precisar de mais vitamina D para que esta exerça seus efeitos (Veugelers. 2015).

Como excesso de peso e inflamação são comuns em pessoas com Síndrome de Down a vitamina D torna-se um nutriente chave para o bem estar e qualidade de vida. No curso online que começa hoje conversaremos sobre vários temas como este. Você ainda pode participar, inscrevendo-se até as 10h. Clique na imagem para saber mais:

Discuto muitas questões relacionadas à suplementação de compostos específicos no curso online. Saiba mais aqui.

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Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/contato/