Suplementação de vitamina E em crianças e adolescentes com síndrome de Down

Na síndrome de Down distúrbios metabólicos, como o estresse oxidativo e a disfunção mitocondrial tem sido observados e relatados na literatura científica. Como explicado em meu curso o tratamento destas condições é importante para a qualidade de vida destes indivíduos. 

O tratamento com antioxidantes tem sido sugerido por pesquisadores como uma forma de aliviar o estresse oxidativo. Um estudo colaborativo de pesquisadores da Inglaterra, China e Irã mostrou que a suplementação de vitamina E (alfa-tocoferol) e ácido lipóico, por 4 meses, reduz o estresse oxidativo (Nachvak et al., 2014) em crianças e adolescentes.

Outros estudos obtiveram resultados similares com a combinação de outros nutrientes como ácido folínico associado a antioxidantes, inclusive com aumento dos ganhos psicomotores e de linguagem.  As dosagens utilizadas nos estudos são em geral maiores do que as indicadas para a população neurotípica (no caso, sem síndrome de Down). 

Para maior individualização leva-se em consideração o consumo de nutrientes vindos da alimentação e os exames bioquímicos. Consulte um nutricionista.

Debateremos mais sobre este e outros assuntos no grupo de estudos “Alimentação e Suplementação na Síndrome de Down. Inscreva-se.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/contato/

Disfunção mitocondrial, ganho de peso, resistência à insulina e esteatose hepática

A mitocôndria é a organela responsável pela respiração celular. Em suas membranas encontram-se enzimas responsáveis pela transformação da glicose, ácidos graxos e aminoácidos em energia.  Uma alimentação saudável é fundamental para fornecer nutrientes que protegem as mitocôndrias: vitaminas do complexo B, Zn, Cu, Mn, ácidos graxos ômega-3, ácido lipóico, cisteína (NAC), lisina e metionina (L-carnitina), dentre outros.

Todas as células são afetadas pela disfunção mitocondrial, sendo que as ficam mais comprometidas são aquelas mais dependentes de energia como o músculo cardíaco, o fígado e o tecido adiposo. Nossas células adiposas recebem mensagens do ambiente e coordenam a função das mitocôndrias, seja para estocar mais gordura, seja para queimá-las, liberando energia. Estudo de Tormos e colaboradores (2011) confirmou que a produção de radicais livres pelas mitocôndrias leva à diferenciação adipocitária por mecanismos dependentes do mTORC-1. Assim, o consumo adequado de alimentos ricos em antioxidantes diminuiria a formação de novas células de gordura. Uma das hipóteses é que o peróxido de hidrogênio (H2O2) ativaria o fator de transcrição PPARy dando início à cascata de produção de gordura.

A produção de radicais livres de forma moderada é importante para que a célula  regule seu metabolismo, porém em excesso leva ao dano celular e mitocondrial. Causas da produção excessiva de radicais livres, gerando dano mitocondrial incluem consumo calórico excessivo, fatores genéticos, envelhecimento, processos proinflamatórios, estresse do retículo endoplasmático, outra organela celular, envolvida por exemplo na síntese lipídica. Ao nível celular, desordens mitocondriais levam ao aumento de desordens no metabolismo de carboidratos e lipídios, o que aumenta o risco de diabetes e esteatose hepática. Os próprios radicais livres podem ainda inibir o consumo de oxigênio nos adipócitos aumentando ainda mais o acúmulo de gordura.

A prescrição cuidadosa de nutrientes antioxidantes, como vitamina E, vitamina C, N-acetilcisteína, glutationa, ácido alfa-lipóico ou coenzima Q10 podem melhorar a biogênese mitocondrial e contribuir para o tratamento do ganho de peso, da resistência à insulina e da esteatose hepática. São também benéficos durante o tratamento, a restrição calórica e a atividade física, que estimula a capacidade respiratória da mitôcondria muscular.

Referências:

Tormos, K.V. et al. (2011) Mitochondrial complex III ROS regulate adipocyte differentiation. Cell Metab. 14, 537–544

Kusminski, C.M.; Scherer, P. E. (2012). Mitochondrial dysfunction in white adipose tissue. Trends in Endocrinology and Metabolism. In Press.

Artigo recomendado:

Lustig (2013). Fructose: it's "alcohol without the buzz". Advances in Nutrition. Disponível em: www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3649103/

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/contato/

Ácido lipóico

O ácido lipóico (também denominado ALA, alfa-lipoato, ácido alfa-lipóico) é um composto sulfurado (que contém enxofre), derivado do ácido octanóico. Em condições fisiológicas, o ácido lipóico está, em sua maior parte, disponível no organismo como lipoato. Está presente em alimentos como brócolis, espinafre, porém em quantidades muito pequenas e pouco disponíveis. Atua como uma vitamina do complexo B, sendo cofator para várias enzimas. Ativa a fase 2 de destoxificação hepática, facilitando a excreção de toxinas, agindo como agente protetor celular.

Os níveis plasmáticos declinam com a idade e a suplementação tem sido estudada na atenuação de condições com danos ao fígado induzidos pelo álcool, mal de Alzheimer, agente antiienvelhecimento, anticâncer, protetor cardiovascular, prevenção da catarata, adjuvante em tratamento quimio ou radioterápico, melhoria de circulação e da resistência à insulina, glaucoma, hipertensão, esclerose múltipla, enxaqueca,  dentre outras condições. Esta versatilidade decorre do fato do ácido lipóico ser um antioxidante que consegue atuar tanto em meios hidro quanto lipossolúveis limitando danos oxidativos. Além disso, contribui para a reciclagem de outros compostos antioxidantes, como a vitamina C, a vitamina E, a glutationa e a coenzima Q10.

Precauções: indivíduos com tendência à hipoglicemia devem ser cuidadosos no uso. Além disso, indivíduos fazendo uso de agentes antidiabéticos também devem procurar um nutricionista para ajuste de dosagens do suplemento. Não existem estudos suficientes para recomendações em indivíduo com hipotireoidismo. Estudos ainda estão sendo feitos acerca da segurança da suplementação conjunta com vitamina C e vitamina B1.

Efeitos colaterais: problemas cutâneos foram reportados com o uso constante do suplemento.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/contato/

O que são radicais livres?

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Os radicais livres são moléculas ou átomos com um elétron não pareado na última camada de valência, o que resulta em moléculas altamente reativas. São gerados diariamente como parte de nossas reações metabólicas e quantidades excessivas aparecem ao nos expormos à ambientes poluídos, cigarro, má alimentação, radiação e quando nosso organismo está inflamado. Em pequenas quantidades desenvolvem uma importante função imune, atuando como agentes bactericidas, fungicidas e antiviróticos. Também aceleram a liberação do oxigênio da hemoglobina para os tecidos e favorecem a renovação de células do corpo. Ou seja: são essenciais à vida! Porém em excesso causam danos e aumentam o risco de doenças cardiovasculares, Parkinson, AVC, Alzheimer, esclerose múltipla, catarata...

É por isto que nossa dieta precisa ser rica em antioxidantes, substâncias que inibem a oxidação de moléculas biológicas importantes pelos radicais livres. O tocoferol (encontrado no azeite e no abacate) e o betacaroteno (encontrado nos vegetais alaranjados), são exemplos de vitaminas que protegem nossas membranas, evitando portanto o envelhecimento precoce e a deterioração dos tecidos. Polifenóis (encontrados em chás, nas uvas, no vinho) e o ácido lipóico (encontrado na cenoura, em algas e também na linhaça), são também exemplos de antioxidantes importantes para a nossa saúde.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/contato/