Constipação intestinal após cirurgia estética abdominal (abdominoplastia)

Tenho atendido muitas mulheres que, após abdominoplastia, queixam-se de prisão de ventre. Esta pode ser momentânea, ocorrendo no pós-operatório imediato ou crônica extendendo-se ao longo da vida. No caso do pós-operatório a prisão de ventre pode ser gerada pela inatividade física, pela anestesia geral, pelo uso de analgésicos como opióides, pelo medo de evacuar, pela dieta restrita em fibras. Sempre sob orientação médica. as medidas de alívio podem incluir mudança da medicação, caminhadas lentas e uso de medicamentos laxantes (como supositórios de glicerina).

Mesmo assim, muitas pessoas mantém um ritmo intestinal mais lento mesmo após o período de recuperação do procedimento abdominal. Conversei com uma cirurgiã plástica que admitiu que a constipação crônica é mesmo comum após a abdomioplastia de suas pacientes. Pode estar relacionada a traumas em nervos, fibrose, disfunções no assoalho pélvico, uso de medicamentos variados (opióides, agentes anticolinérgicos, antidepressivos, bloqueadores de canais de cálcio, simpatomiméticos, antipsicóticos, diuréticos, antiácidos, suplementos de cálcio ou ferro, antihistamínicos, agentes antiinflamatórios nâo esteroidais), condições de saúde (diabetes, hipotireoidismo, esclerose múltipla, depressão, ansiedade, intestino irritável etc).

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A constipação crônica interfere na qualidade de vida, podendo gerar disbiose, dor abdominal, gases, evacuação com dor, sensação de evacuação incompleta, irritabilidade, dor lombar, fezes endurecidas ou com periodicidade igual ou inferior a três vezes por semana, maior risco de hemorróidas e sangramento durante a evacuação. Neste caso, além das medidas citadas anteriormente pode ser necessário excluir glúten e leite na dieta, aumentar o consumo de líquidos e fibras, utilizar fitoterápicos, pré e pró-bióticos e lubrificar o reto, à noite, com óleo - técnica conhecida como enema, chuca ou na medicina ayurvédica como basti (Singh & Rajoria, 2018). Siga as orientações e para individualização agende sua consultoria:

  • Inclua alimentos que são ricos em fibras, como vegetais de folhas verdes, preparando saladas para as refeições diárias.

  • Alimentos como inhame, cebola, espinafre, soja, lentilha, ervilha, grão de bico, mamão, laranja, ameixa.

  • Consuma água morna, em jejum, ao acordar.

  • Caso tenha gases, consuma gengibre e açafrão, diariamente.

Práticas integrativas no tratamento da prisão de ventre

Nosso corpo funciona de forma integrada. Ansiedade e estresse também podem interferir no funcionamento intestinal. Nestas situações a produção de cortisol é maior e este hormônio pode desregular o pH intestinal, prejudicando a microbiota e agravando a constipação. Por isso, além de consumir alimentos e suplementos apropriados, prescritos por seu nutricionista, adote também práticas para o combate ao estresse como yoga e meditação. Além de relaxar, durante as aulas de yoga você aprenderá técnicas como o nauli kriyá, que ajudam a limpar o intestino.

Estudos clínicos mostram que a acupuntura tem uma eficácia de 52% no tratamento da constipação crônica aumentando a frequência de evacuações expontâneas e reduzindo dor abdominal (Wang & Wang, 2011). Outra técnica bastante vantajosa é a massagem, pois é livre de efeitos colaterais e também pode ser autoadministrada.

Ervas medicinais também vem sendo muito estudadas. Na medicina tradicional chinesa, por exemplo, existem misturas como a Ma Zi Ren Pill que inclui 6 ervas diferentes (Semen Cannabis Sativae, Radix Paeoniae, Semen Pruni Armeniacae, Fructus Immaturus Citri Aurantii, Radix et Rhizoma Rhei, Cortex Magnoliae) com potencial de regular o trânsito intestinal (Bian, Cheng & Zhu, 2013).

De acordo com a medicina ayurvédica a constipação indica um desequilíbrio do dosha Vata (aprenda mais sobre este tema aqui). Além das mudanças no estilo de vida e dieta, o tratamento ayurvédico pode incluir o uso de fitoterápicos, como Triphala Churna, um composto feito de uma mistura de frutas e ervas ou amalta (nome popular na Índia para a árvore Cassia fistula. Suas folhas, flores, raízes, frutos e tronco podem ser utilizados para a produção de medicamentos laxativos. A planta pode ser encontrada pura ou misturada com outras como no suplemento ayurvédico kabaj mukti. Outras formulações ayurvédicas comuns para o combate à constipação são citadas na tabela 1

Em relação à fitoterapia muitas outras ervas podem ser utilizadas. A batela 2 a seguir traz uma compilação de algumas possibilidades:

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/contato/