Depressão na gravidez

Durante a gestação as mamães orgulhosas enchem as redes sociais de fotos da barriga, das roupinhas, do bercinho. A alegria de estar grávida faz parte do nosso imaginário. É por isso que é muito mais comum ouvirmos falar de depressão pós-parto do que de depressão na gravidez. Não porque não aconteça, mas porque pode estar sendo romantizada e escondida pelas mulheres. Isto não deveria acontecer, as gestantes não deveriam sentir-se tão pressionadas. Deveriam ser livres para buscar ajuda, aliviando o estresse que afeta o seu corpo e o de seu bebê.

Outro ponto é que durante a gravidez há uma enxurrada hormonal que naturalmente gera uma gama de emoções diferentes. Então, se não tiver certeza se o que está acontecendo com você é normal ou não busque aconselhamento. A depressão na gravidez é supreendentemente alta. Pesquisa publicada na revista científica Psychoneuroendocrinology (2019) mostrou que a depressão na gravidez é mais comum do que se pensa, podendo atingir uma em cada 10 mulheres graves e podendo chegar, dependendo do contexto, a quase 50% das mulheres, encurtando a gravidez em cerca de 8 dias.

As causas da depressão são muito variadas como genética, tensões no relacionamento, complicações na gravidez atual ou anterior, eventos estressantes, dificuldades financeiras, abuso, história familiar de depressão, gravidez não planejada, preocupações. Os sintomas são ansiedade persistente, extrema irritabilidade, cansaço excessivo, tristeza, choro fácil, pensamentos suicidas. Não é culpa sua então busque ajuda até porque a depressão também prejudica o bebê. Crianças nascidas de mulheres que não foram tratadas eram mais hiperativos, chorosos e produziam mais cortisol, sendo mais difícil consolá-los e acalmá-los.

Com a depressão, a duração e a qualidade do sono da gestante também podem piorar. E como tudo está interligado, dormindo mal também há maior risco de diabetes gestacional e complicações no parto. Mas há muito a ser feito. Além da avaliação psiquiátrica para cuidados medicamentosos em caso de depressão grave, muitas estratégias contribuem para a qualidade de vida da gestante. Psicoterapia, massagens, yoga ajudam no combate ao estresse.

O consumo de gorduras boas melhora a qualidade do sono (Bennett, Cain, & Blumfield, 2019). Temperos como o açafrão ajudam a reduzir a inflamação (inclusive no cérebro), sendo também eficaz no tratamento da depressão (Lopresti et al., 2017; Sanmukhani et al., 2014). Outros condimentos e alimentos com propriedades antiinflamatórias ajudam também na regulação da glicemia, o que é importante para a prevenção do diabetes gestacional.

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Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/contato/
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