Acúmulo de mercúrio e chumbo em crianças com síndrome de Down

O fígado é um órgão essencial para a eliminação de compostos desnecessários ao organismo e, como vimos no artigo de ontem, pessoas com síndrome de Down podem ter vias metabólicas deste órgão menos funcionantes. Estudo mostrou, por exemplo, que a eliminação de mercúrio e outros metais pesados (como o chumbo) em pessoas com síndrome de Down pode estar comprometida (Grabeklis et al., 2018).

Metais pesados são altamente tóxicos para o cérebro e sistema nervoso em desenvolvimento. O chumbo é um metal denso e altamente maleável, resistente à corrosão. Por isso, era muito utilizado na construção de edifícios, encanamentos e tintas. A maior parte dos países hoje impõe restrições ao uso deste metal já que o mesmo pode danificar os rins, sistema nervoso e sistema reprodutivo. Brinquedos chineses, não certiicados, podem ser pintados com tintas contendo chumbo. O solo também pode ser contaminado pela fumaça do carro. Casas antigas, com encanamento de chumbo, são outra fonte de contaminação.

Se os níveis de chumbo no sangue forem altos aparecem sintomas como encefalopatia aguda (com irritabilidade, letargia ou convulsões), dor abdominal e constipação. Crianças com níveis elevados de chumbo também podem apresentar anemia por deficiência de ferro.

O mercúrio (Hg) também é tóxico para os sistemas nervoso central e periférico. Uma das principais fontes de exposição humana ao mercúrio é o consumo de frutos do mar, o que é particularmente preocupante para as mulheres grávidas, porque o metil mercúrio atravessa a placenta e entra no cérebro fetal.

A tinta é outra fonte potencial de envenenamento por metilmercúrio, porque os compostos orgânicos de mercúrio são às vezes adicionados à tinta látex como fungicida. O mercúrio existe em várias formas. A primeira é a forma elementar volátil, que é líquida à temperatura ambiente. Uma segunda forma são compostos inorgânicos, como sais de mercúrio. Em terceiro lugar estão os compostos orgânicos, como metilmercúrio, etil mercúrio e fenil acetato de mercúrio, que são as mais perigosas para os seres humanos.

O mercúrio elementar foi usado por muitas décadas em termômetros, esfigmomanômetros, termostatos e lâmpadas fluorescentes compactas. Atualmente há um esforço mundial para remover dispositivos contendo mercúrio de consultórios médicos e hospitais, a maioria dos quais agora usa termômetros e monitores de pressão arterial digitais. O mercúrio também está presente nas obturações dentárias com amálgamas.

O mercúrio pode causar efeitos neurológicos devastadores, especialmente no feto e no recém-nascido, produzindo bronquite, pneumonite, excitabilidade nervosa, visão em túnel, tremores, colite hemorrágica, depressão, perda de peso, fraqueza muscular e perda muscular grave com diminuição dos reflexos tendinosos profundos, alterações de personalidade e comportamentais, problemas de memória.

Para evitar a intoxicação devemos nos expor o menos possível, ter um intestino bem saudável (para limitar a absosrção) e um figado que funciona adequadamente. O próprio contato com chumbo e mercúrio podem alterar o funcionamento do fígado (Cave et al., 2010). Na síndrome de Down, além das alterações genéticas que podem comprometer o funcionamento hepático, o alto consumo de açúcar pode prejudicar ainda mais o funcionamento do órgão. O açúcar e outros carboidratos simples aumentam o risco de esteatose hepática (acúmulo de gordura no fígado), compromentendo sua função.

Conversaremos mais sobre estes temas no grupo de estudos em nutrição na Síndrome de Down que inicia-se no dia 15/06/2019 (Informe-se aqui).

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Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/contato/