Efeitos das pílulas anticoncepcionais no funcionamento da glândula tireóide

A maioria das mulheres adultas, em algum momento de sua vida, usou um anticoncepcional. Seja para controle da natalidade, para tratamento da acne, para redução do fluxo menstrual, controle da TPM ou tratamento da síndrome dos ovários policísticos. Sim, a pílula anticoncepcional pode ajudar em algumas épocas. Mas não em todas. Não pra tudo. Até porque todo medicamento tem efeitos colaterais e no caso do hormônio anticoncepcional, um dos efeitos pode ser a interferência no funcionamento da glândula tireóide.

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Anticoncepcionais mudam o pH intestinal, reduzindo a absorção de minerais, como zinco e selênio, que são essenciais para a produção do hormônio da tireóide em sua forma ativa (T3). A pílula também eleva a Globulina Ligante da Tiróide (TBG) e, como você pode imaginar, se o T3 ligar-se à TBG não estará disponível para uso pela célula. A necessidade de vitaminas do complexo B também podem aumentar com o uso da pílula.

A pílula também deixa o corpo mais inflamado aumentando o risco de doenças autoimunes como a tireoidite de Hashimoto. Quando o corpo está inflamado mais T3 reverso (T3R) é produzido (ao invés de T3 ativo). O T3R está alto você armazena mais gordura e sente-se mais cansada. É por isso que, muitas vezes, o método da pílula para controle da natalidade precisa ser substituído por outro. Para tratamento da acne e da SOP a dieta antiinflamatória é essencial. Já escrevi sobre o tema várias vezes no blog.

A alimentação também precisa ser rica em zinco, mineral que reduz inflamação, dor, melhora a imunidade, nutre os folículos ovarianos e promove a ovulação. E a ovulação regular é a única forma de alcançar ciclos menstruais regulares e reduzir os sintomas da TPM.

O zinco também inibe a enzima 5 alfa-redutase e, portanto, reduz a conversão de testosterona em diidrotestosterona (DHT). Essa é uma maneira de tratar os sintomas da SOP, como acne e hirsutismo (excesso de pelos faciais). Para a pele ficar mais bonita o zinco também é fundamental pois mantém a integridade do colágeno e reduz a queda de cabelo, tão comum no hipotireoidismo. O zinco também é considerado um mineral anti-estresse pois regula o eixo HPA (hipotálamo-hipófise-adrenal) e diminui os níveis de cortisol.

As melhores fontes de zinco são as ostras e carnes (bovina, suína, aves). Amêndoas e amendoim possuem quantidades menores de zinco. Por isso, a deficiência é ainda mais comum em vegetarianos. Quem consome muito álcool ou toma remédio para estômago frequentemente também apresenta deficiência do mineral. Assim como quem tem problemas na tireóide ou toma anticoncepcional.

Infelizmente, não há um exame muito eficiente para detectar a deficiência de zinco. A medida do zinco no plasma pode estar normal mesmo quando há deficiência. Isto porque a maior parte do zinco encontra-se dentro das células e não no plasma. Mas você pode ficar de olho em sinais e sintomas como perda de cabelo, problemas na pele (dermatite), queda da imunidade, manchas brancas nas unhas. Para mais leituras sobre a tireóide e os nutrientes acesse:

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/contato/